The Longing, título que será lançado no próximo dia 05 de Março, é um jogo depressivo (não que isto o desmereça, que fique bem claro). Entretanto, ele oferece ao jogador uma proposta inusitada: tudo, nele, acontece em tempo real.

Temos aqui um jogo que durará, se nada fizermos, 400 dias, como eu expliquei em minhas primeiras impressões a seu respeito.

The Longing

The Longing: um jogo diferente

Desenvolvido pelo Studio Seufz, sediado na Alemanha, o jogo é extremamente curioso. Existe um contador no topo de sua interface de usuário, o qual é iniciado tão logo começamos o jogo. E ele não para. São 400 dias. 400 longos dias. Pelo menos, para o triste protagonista do jogo.

Inicie o jogo agora mesmo, jogue por 30 minutos, pare durante 1 semana, e ao retornar a jogar, perceberá que todo este tempo terá se passado in-game. “Simples” assim, e bastante peculiar, não?

The Longing

Aguardar por “duas semanas reais” para que o musgo cresça

Há algo nas profundezas de The Longing, com seus gráficos pintados à mão, que é extremamente chamativo. A própria Sombra, protagonista do game, é de certa forma chamativa. Digna de pena, até, eu diria, pois tem de aguardar enquanto seu outrora poderoso rei dorme.

Ela caminha solitariamente por profundezas inalcançáveis pelo homem em busca de um pouco de conforto. Em busca de materiais diversos. Ou simplesmente à esmo.

As cavernas que atravessamos enquanto no controle do protagonista são belas, porém desprovidas de vida. Cinzentas, algumas vezes, amareladas, em determinados momentos.

Algumas vezes nos deparamos com água ou musgo, ou até mesmo com carvão. Em determinados momentos atravessamos, agachados, escuros túneis, para então darmos de encontro, logo mais adiante, com restos daquilo que outrora possivelmente foi um belíssimo salão.

A Sombra

Existe um botão em The Longing que faz com que a Sombra (ou Shade) caminhe solitariamente, em direção a algum local aleatório: trata-se de uma excelente maneira de descobrir novos locais, novas profundezas, novas belezas, novos mistérios, novos motivos para, quem sabe, ficarmos mais deprimidos.

The Longing

A Sombra não para de tecer comentários, conversando sozinha, e de vez em quando dizendo o quão belo deve ser o mundo lá fora. Ou então que deveria falar consigo mesma mais vezes(!).

A Sombra é uma criatura bastante estranha, até. Eu diria que ela sofre até mesmo de grande depressão, ali, naquele reino rochoso repleto de cavernas misteriosas e até mesmo de passagens apertadas.

The Longing

A sombra, em The Longing, caminha lentamente, enquanto o marcador de tempo, no canto superior da UI do jogo, continua sua contagem.

Podemos visitar o rei que dorme, se quisermos, e nestes momentos podemos até mesmo ouvir seu alto ronco. É um tanto quanto estranho, aliás, observar o quão entremeado com a rocha está o gigantesco monarca.

The Longing

O quão intrincado é o conjunto composto pela rocha e por seu corpo, um parecendo fazer parte do outro, e vice-versa. Acontece que o grande monarca parece também ser feito de pedra, e inclusive sua alta coroa está ligada ao teto rochoso. Me pergunto o que acontecerá quando chegar ao final de The Longing.

A Sombra também é capaz de desenhar, e em tais momentos, seu trabalho é, também, lentíssimo, assim como lento é seu caminhar (The Longing é um jogo com um ritmo bastante lento – fica aqui o aviso).

Me parece que chegará um momento em que poderei tocar algum tipo de instrumento musical, no jogo, pois já coletei partes do mesmo. Só não sei ainda quando ou como isto acontecerá, dada a natureza insólita do jogo, o qual, devo ressaltar, recomendo bastante.

The Longing

Perguntas e dificuldades

A Sombra é bastante inquisitiva, também. Ela pergunta a si mesma quando irá sua espera terminar. Ela também se depara com elementos do cenário que representam espécies de puzzles. Puzzles de tempo, digamos.

Por exemplo, caminhando em determinada caverna, me deparei com um vão impossível de atravessar. Logo acima, havia uma estalactite se desprendendo. A Sombra, então, fez um cálculo mental rápido e disse que estimava a queda do elemento em uma semana.

The Longing

Neste momento, marquei o local em uma espécie de “sistema de favoritos” existente no jogo, e pretendo voltar ao local dentro de uma semana, para averiguar a queda da estalactite e, dependendo da situação, atravessar o vão (com a tal estalactite formando, portanto, uma espécie de ponte improvisada).

The Longing

Em outra situação, me deparei com outro grande vão. O protagonista conseguiu identificar musgo no fundo do mesmo, e estimou que levaria cerca de 2 semanas para que o mesmo crescesse o suficiente para amortecer sua queda/pulo. Mas já encontrei elementos semelhantes com tempos bem maiores de espera, como um mês, por exemplo.

Finalizando

The Longing é extremamente peculiar. Diferente de tudo o que já vi em se tratando de jogos eletrônicos. Uma curiosa mistura de “idle game” com point-and-click e aventura.

The Longing

O grande rei dormindo

As profundezas nas quais caminhamos são bem grandes, e o game nos oferece uma atmosfera extremamente imersiva e convidativa, apesar do elemento “depressão” ser um tanto quanto forte, dadas as experiências e dificuldades da pobre Sombra.

A trilha sonora do game, aliás, é muito imersiva, e é descrita pelos desenvolvedores como “dungeon synth atmosférica”.

The Longing

The Longing

O título da Studio Seufz já possui uma página no Steam, vale lembrar, e se você aprecia propostas diferentes e inusitadas, fique de olho. Temos aqui um exemplo de jogo capaz de divertir por bastante tempo. E não, você não precisa “esperar sentado durante 400 dias” (segundo os desenvolvedores).

Ficha técnica

Título: THE LONGING

Gênero: aventura, point-and-click, experimental

Desenvolvedora: Studio Seufz

Publisher: Application Systems Heidelberg

Será lançado em : 05 de Março de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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