XCOM: Chimera Squad (site oficial) pegou muita gente de surpresa. Quer dizer, o jogo foi anunciado, e também chegou ao mercado, sem muito alarde.

De qualquer forma, não se trata, digamos, de um XCOM 3, por exemplo. O que temos aqui é uma espécie de “meio termo”. De um jogo standalone, ambientado no mesmo universo da famosa franquia.

O título foi lançado única e exclusivamente para PC, no último dia 24 de Abril, e vem com algumas inovações e mudanças para a icônica série, além de ser, também, um game de estratégia menos complexo, o que pode angariar mais alguns fãs, digamos.

XCOM: Chimera Squad

Aliás, não entendi muito bem o porquê da 2K não ter criado uma grande campanha de marketing em cima do jogo, uma vez que trata-se de uma bela e divertida adição à série, com elementos muito mais do que suficientes para agradar aos fãs.

Além disso, a publisher promoveu um grande desconto no jogo (50%), durante algum tempo, o que me pareceu bastante estranho. Afinal de contas, não se trata, em hipótese alguma, de um jogo ruim, ou de algo lançado às pressas. Muito pelo contrário.

XCOM: Chimera Squad

Este novo XCOM tem, sim, grandes qualidades, e deve ser bastante apreciado não apenas pelos fãs da série, mas também por quem é fã de jogos de estratégia em geral, principalmente aqueles em turnos.

Sobre XCOM: Chimera Squad

Como disse em meu review de Gears Tactics (link acima), sou um grande amante de jogos de estratégia em turnos. Falando agora mais especificamente a respeito da franquia XCOM, adorei, por exemplo, XCOM: Enemy Unknown (review) e XCOM 2.

Obs: ainda estou devendo uma análise deste último, eu sei.

Os eventos de XCOM: Chimera Squad se passam cinco anos após os eventos vistos em XCOM 2. O jogo, vale lembrar mais uma vez, é standalone, o que significa que você pode apreciá-lo mesmo sem ter jogado os anteriores.

XCOM: Chimera Squad

Obviamente, ter algum conhecimento prévio a respeito dos títulos anteriores, principalmente os dois últimos, ajuda a agregar bastante valor à experiência, mas eu não creio que seja algo “obrigatório”, digamos.

Além disso, estamos falando a respeito de um jogo lançado apenas para PC, e de um game que, também, não conta com requisitos mínimos e recomendados assustadores.

Obs: ele é capaz de rodar em uma ampla configuração de máquinas.

XCOM: Chimera Squad

Seus requisitos recomendados, por exemplo, pedem um processador de 3GHz Quad Core, 4GB de memória RAM e uma Radeon HD R9 290 ou uma GTX 980. E ele ocupa apenas 18 GB de espaço no HD.

A história

Se você é um fã de XCOM, eu diria que Chimera Squad é quase que uma compra obrigatória. Cinco anos após o final de XCOM 2, humanos, alienígenas e híbridos vivem “em paz”.

Eu disse “em paz” justamente porque ainda existem grupos criminosos, muitas vezes compostos inclusive por alienígenas, que tentam perturbar as coisas.

XCOM: Chimera Squad

Já durante a primeira missão, somos confrontados com o assassinato de alguém importante na Cidade 31 (ou City 31), a metrópole onde transcorre toda a história do jogo.

É até mesmo importante destacar esta mudança no escopo, digamos. Ao contrário de um conflito mundial, aqui temos conflitos centralizados, que ocorrem dentro de uma grande cidade.

O grupo especial Chimera Squad, aliás, além de ter de investigar o tal assassinato acima mencionado, possui como membros tanto seres humanos como alienígenas, como por exemplo Verge e Cherub.

O novo título da Firaxis, aliás, conta com um total de 11 heróis fixos. Este fato, entretanto, deixa para trás aquela sensação de ligação que tínhamos nos jogos anteriores, ao darmos nomes e cuidarmos de nossas unidades.

XCOM: Chimera Squad

Bem, mas tomando como ponto de partida o assassinato da figura importante da City 31, o esquadrão Chimera pode então lidar com um número bem grande de inimigos, locais e ambientes.

XCOM: Chimera Squad

A Firaxis realizou um belíssimo trabalho, aqui, ao fornecer ao jogador configurações bastante diferentes no tocante a localizações e ambientes, sempre com diversos pontos de partida (explico abaixo) e cobertura.

E vale ressaltar, também, que nem todas as missões são obrigatórias. XCOM: Chimera Squad conta com um grande número delas, principais e secundárias, incluindo enfrentamento a grupos criminosos ou de assassinos os mais diversos.

Geralmente, tais missões sempre incluem alienígenas como inimigos, o que acaba diversificando bastante a narrativa, até mesmo porque, vale lembrar, aqui temos personagens com dublagem total.

XCOM: Chimera Squad

Obs: infelizmente, não em português do Brasil.

Jogando

O que é verdadeiramente necessário, no jogo, é manter a Cidade 31 à salvo, segura, dando cabo de ameaças e enfrentamentos.

Tudo isto para que os níveis de Unrest na mesma não subam demasiadamente, o que pode levar a problemas os mais diversos, incluindo anarquia, e até mesmo a game over: sim, a campanha é encerrada.

Para quem jogou os XCOM anteriores, não existem segredos no que tange à jogabilidade. Vale ressaltar, entretanto, que agora contamos com algo chamado “breach points”.

Trata-se, na verdade, de um modo de introduzir a equipe, o esquadrão, nas áreas problemáticas, repletas de inimigos. Cada incursão em XCOM: Chimera Squad é sempre iniciada desta forma.

XCOM: Chimera Squad

E vale também lembrar que uma missão pode contar com diversos breach points: podemos optar por introduzir o esquadrão todo através de um deles, ou então por espalhar o grupo. Existem até missões nas quais fazemos rapel, veja só!

Outros elementos estratégicos e narrativos

Quando entramos, há um desaceleramento temporário no tempo, e podemos, então, mirar com cuidado nos alvos mais perigosos e/ou próximos, com a devida mudança da câmera para cima dos ombros do personagem.

Logo a seguir, todo o esquadrão busca cobertura, automaticamente. Geralmente a inteligência artificial faz boas escolhas, aqui, mas isto retirou um certo controle que antes era fornecido totalmente ao jogador.

XCOM: Chimera Squad

É muito bacana observarmos os momentos de entrada, obviamente. A emoção dos momentos em câmera lenta, os disparos letais, os inimigos caindo lentamente, o som das armas e o rastro dos projéteis.

Em Chimera Squad, temos 11 heróis fixos, os quais vão sendo desbloqueados aos poucos. Porém, não os criamos/nomeamos, como nos 2 jogos anteriores da série. Eles possuem sua própria biografia, seu próprio passado, e suas próprias habilidades iniciais e únicas.

Da mesma forma que em Gears Tactics (veja link acima), cada um dos heróis possui seus respectivos pontos de ação durante cada turno, os quais podem ser divididos entre movimentação, disparos ou uso de habilidades.

É importante destacar que, com a introdução dos breach points, a Firaxis deixa o jogador às cegas, antes do início da missão. E isto ficou muito bacana.

Você nunca sabe o que vai encontrar além da porta que está prestes a explodir, você não tem ideia da quantidade de inimigos, nem tampouco de seu posicionamento, e isto causa um certo frio na barriga muito bem vindo. Uma boa e grande mudança, digamos!

XCOM: Chimera Squad

Investigations, Assembly e Spec Ops

Agora temos algumas pitadas dos títulos anteriores. Podemos pesquisar por novas tecnologias na aba “Assembly”, incluindo armas e mods, além de armaduras.

Podemos também enviar membros do esquadrão em operações especiais, as quais levam algumas horas para serem concluídas e têm por objetivo a obtenção de dinheiro, intel ou Elerium.

Tais missões, é importante ressaltar, acontecem “nos bastidores”: enviamos a respectiva unidade e apenas podemos acompanhar, através da respectiva tela informativa, o progresso da mesma.

Já as investigações, por exemplo, dizem respeito ao rastreamento de grupos de inimigos que porventura tenham algo a ver com o assassinato importante supracitado.

Gráficos, áudio e trilha sonora

Os gráficos do jogo são bonitos, porém, eu diria que não são nada chamativos e, até mesmo, pode-se dizer que estão no mesmo nível daqueles de XCOM 2, lançado em 2016.

XCOM: Chimera Squad

Isto não é um ponto tão negativo assim, dadas as qualidades do game que eu citei acima, e também levando-se em consideração as novidades introduzidas.

Aliás, por outro lado, vale mencionar as belas cutscenes e personagens intercalados, em um fantástico estilo cartunesco: alvo nunca também visto na franquia.

Já a dublagem (em inglês), está de parabéns. É apenas verdadeiramente uma pena que a 2K Games, mais uma vez, se esqueça dos fãs brasileiros.

Obs: não disponibilizando nem ao menos legendas e interface em pt-BR, enquanto temos até mesmo legendas e interface em chinês, russo e polonês, por exemplo.

Diversas outras desenvolvedoras e publishers por aí, pequenas e grandes, lançam jogos localizados, e eu sinceramente não entendo o motivo da 2K não fazer o mesmo.

XCOM: Chimera Squad

Já a trilha sonora é um verdadeiro must have, e é verdadeiramente uma pena que ela não seja vendida separadamente. De qualquer forma, a 2K a disponibilizou na íntegra, no Youtube, e você pode conferi-la abaixo, no final deste review.

Finalizando

XCOM: Chimera Squad é uma bela adição à franquia, repleto de novidades e com um enredo bastante interessante. Trata-se, também, de um jogo de estratégia bem mais simples que seus antecessores.

Ele pode também ser perfeitamente jogado pelos novatos na série, uma vez que trata-se de um título standalone. Recomendadíssimo!

Ficha técnica

Título: XCOM: Chimera Squad

Gênero: estratégia em turnos

Desenvolvedora: Firaxis Games

Publisher: 2K Games

Lançado em: 24 de Abril de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

Confira aqui a trilha sonora na íntegra.

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