Eis que mais uma vez escrevo a respeito de um jogo com temática pós-apocalíptica. Desta vez, a respeito do tão falado “apocalipse zumbi”. World War Z, lançado no último dia 16 de Abril, é um shooter cooperativo em terceira pessoa, online e para até 4 jogadores.

Lançado para PC (exclusivamente através da Epic Games Store), PS4 e Xbox One, trata-se de um jogo baseado no filme homônimo (Guerra Mundial Z, de 2013, estrelado por Brad Pitt). O título, desenvolvido pela Saber Interactive (Battle: Los Angeles e Mudrunner, dentre outros), faz uso de uma engine proprietária (a Swarm Engine), a qual é capaz de renderizar centenas de zumbis ao mesmo tempo em tela – verdadeiros “enxames”, mesmo.

World War Z

Um shooter cooperativo divertido

Confesso que gostei de World War Z. O jogo pode ser apreciado tanto no modo solo (neste caso, os outros 3 integrantes da equipe serão controlados pela inteligência artificial bacana do game), quanto no modo cooperativo, na companhia de 3 amigos ou desconhecidos encontrados aleatoriamente durante o matchmaking.

Não dá pra esconder de ninguém o fato de que World War Z possui fortes inspirações em Left 4 Dead e Left 4 Dead 2 (uma pena a Valve não saber contar até 3, não é mesmo?). Desde o próprio tema e ambientação, até alguns tipos de zumbis especiais, como por exemplo o “Gasoso”, que emite uma nuvem de gás venenoso quando é morto, e o “Screamer”, que grita constantemente e chama outros “zekes” para atacar os jogadores.

Temos também um zumbi bastante perigoso no jogo, o “Espreitador”, o qual se esconde nas sombras e ataca rapidamente o jogador que se aproximar demais (o grande problema aqui é que é impossível evitar seu ataque, e o jogador sozinho não consegue se livrar do espreitador – apenas outro jogador da equipe pode matá-lo e salvar você).

World War Z

Semelhanças com a franquia L4D também podem ser encontradas no modo como as ações dos jogadores são “noticiadas” o tempo todo em tela (fulano matou tal zumbi, sicrano salvou você, beltrano curou você, etc).

Mas não pense você que World War Z é uma mera cópia barata de Left 4 Dead: longe disso. O jogo possui suas próprias qualidades, e é extremamente divertido, além de oferecer uma campanha completa (a qual, vale lembrar mais uma vez, pode ser jogada tanto no modo solo quanto no cooperativo – mas jogar com amigos ou desconhecidos é muito mais divertido).

A história

No novo jogo da Saber Interactive, temos uma história que não é nada profunda. Digamos que ela está ali apenas como uma espécie de suporte, digamos, para unir os jogadores em torno da diversão proporcionada pelo elemento “shooter cooperativo”, para unir todos em prol de um único objetivo: matar hordas enormes de zumbis.

World War Z

Temos 4 episódios: “Nova Iorque”, “Jerusalém”, “Moscou” e Tóquio”. Cada um destes episódios conta com diferentes capítulos, conforme descrito abaixo:

  • Nova Iorque: “Decadência”, “Visão em túnel” e “A qualquer custo”;
  • Jerusalém: “Bicho de sete cabeças”, “Passeio no Mar Morto” e “Suporte técnico”;
  • Moscou: “Um sinal de cima”, “Chave da cidade” e “Nervos em guerra”;
  • Tóquio: “Sol poente” e “Última chamada”;

World War Z

Não espere por nada muito elaborado no que diz respeito ao enredo de World War Z. Espere por algo nos mesmos níveis de Left 4 Dead 2, por exemplo: nada de profundidade, nada de personagens elaborados e marcantes, nada de drama, nada do tipo.

Estamos aqui falando a respeito de um título que foi desenvolvido com foco na ação cooperativa e sem qualquer cuidado com enredo e coisas semelhantes (apenas o básico). De um título com foco nos zumbis e em vários modos de darmos cabo deles. De um jogo para nos divertirmos sem prestar atenção em narrativas rebuscadas, cujas mecânicas cumprem muito bem com o seu papel.

Espere, isto sim, por evacuações, por escoltas, por pontos que devem ser protegidos, por botões que devem ser apertados, por cargas explosivas que devem ser plantadas, por portas que devem ser abertas, e coisas semelhantes. Tudo isto enquanto zumbis tentam nos matar.

No jogo, o apocalipse zumbi aconteceu. O mundo todo está tomado por hordas enormes e horrendas de zumbis famintos e extremamente agressivos, e a humanidade corre o risco de ser extinta. Humanos infectados por uma misteriosa doença rapidamente se transformam em zumbis, e todos aqueles que são por eles mordidos também se transformam em comedores de cérebros.

World War Z

Tudo bem simples, assim. Básico, direto ao ponto e servindo como um excelente ponto de partida para um shooter cooperativo que tem tudo para agradar aos fãs saudosos de L4D ou L4D2.

Enxames assustadores de zumbis

Um dos pontos principais do marketing de World War Z são justamente os “enxames” de zumbis. Sim, você constantemente deverá enfrentar hordas imensas de mortos-vivos, hordas verdadeiramente enormes, barulhentas e perigosas.

World War Z

Centenas de zumbis correm em direção ao grupo de jogadores como loucos, ou então saltam de prédios ao longe totalmente ensandecidos, tudo isto enquanto nós disparamos contra eles na tentativa de detê-los.

Todas as missões possuem um ou outro momento em que devemos enfrentar tais hordas, e tais momentos são realmente os pontos altos do jogo. Dependendo da missão em questão, a ocasião pode ser mais ou menos perigosa, mas o impacto provocado pelas hordas enormes de comedores de cérebro é imenso.

World War Z

Imagine-se encurralado rente a um muro enquanto centenas de zumbis correm em direção a você como loucos, passando por cima de carros, de barreiras, de ônibus e muros, saltando uns sobre os outros e tendo como foco, obviamente, você e seu grupo. Tais momentos provocam enormes descargas de adrenalina, é impossível negar.

Além disso, é fantástico observar como os zumbis conseguem se empilhar uns sobre os outros a fim de alcançar lugares mais altos. Você pode até estar posicionado em um local acima deles, mas não pense que ficará incólume por muito tempo: não, os zumbis se empilharão, formando verdadeiras pirâmides “humanas”, subindo uns sobre os outros até alcançarem você e seu grupo.

World War Z

É aqui também que pode entrar em cena uma estratégia muito interessante: podemos disparar na base de tais pirâmides de zumbis, matando aqueles que as sustentam, e observar, então, o grupo todo despencar.

Posso garantir a você que poucas vezes, a não ser em Dead Rising, vi tamanha quantidade de zumbis em tela. E eu ainda vou dar uma verificada neste último para realizar comparações, pode estar certo disto.

E não pense você que são apenas nos momentos em que temos de enfrentar as tais hordas enormes (momentos devidamente identificados nas missões) que podemos observar grandes quantidades de mortos-vivos em tela: não – quase sempre grupos enormes também nos perseguem, e é aí que também pode entrar em cena o trabalho em equipe com jogadores reais, a fim de coordenar melhores estratégias para deter as ameaças que se aproximam, quase sempre de todos os lados.

Os zumbis são extremamente agressivos, vale ressaltar. Sua inteligência artificial faz com que eles sejam capazes de se lançar para baixo de carros para se protegerem, por exemplo, ou então permanecerem escondidos atrás de alguma parede ou caminhão (isto enquanto estamos em meio a grupos pequenos, pois as hordas se comportam de forma totalmente ensandecida). Isto sem falar naqueles que se fingem de “mortos”, obviamente, os quais são capazes de nos pregar belos sustos.

World War Z

Classes e evolução do personagem

Em World War Z existem 06 classes distintas, cada uma delas com suas respectivas vantagens e desvantagens:

  • Atirador;
  • Infernal;
  • Médico;
  • Reparador;
  • Retalhador;
  • Exterminador;

O jogador também pode evoluir seu personagem e desbloquear habilidades e vantagens diversas ao longo do gameplay (mediante o gasto de pontos de experiência), como por exemplo redução no tempo de recarga das armas, aumento da eficácia das granadas de fragmentação, iniciar o jogo já com uma arma pesada equipada (veja abaixo), aumento na velocidade de troca de armas, e assim por diante.

É possível também evoluir cada uma das armas utilizadas ao longo do gameplay, separadamente e dependendo do uso que fazemos de cada uma delas, e assim obter melhorias que estão relacionadas à potência, à precisão, ao manejo, à cadência de tiro, etc.

Montar um time equilibrado, com médicos, atiradores, classes que utilizam explosivos por padrão (como por exemplo o “Infernal) e “Reparadores”, por exemplo (que iniciam o jogo com uma bolsa de suprimentos), pode representar a diferença entre a vida e a morte, entre terminar um capítulo com sucesso ou ver tudo ir por água abaixo.

World War Z

Armas especiais/pesadas e armadilhas

O título pós-apocalíptico com zumbis da Saber Interactive também oferece ao jogador a possibilidade de coletar e utilizar, durante o gameplay, determinadas armas especiais/pesadas, as quais são de curta duração porém de grande eficácia, principalmente no momento de enfrentar as enormes hordas. Temos assim, portanto, metralhadoras extremamente poderosas, motosserras, lançadores de granadas e mísseis, e mais algumas outras armas interessantes.

Também podemos montar (após coletar os “ingredientes”) algumas armadilhas que podem ser posicionadas em locais estratégicos poucos segundos antes de enfrentarmos uma grande horda, como por exemplo cercas eletrificadas, arame farpado, torretas automáticas, morteiros com os quais podemos interagir e despejar o caos em meio aos zumbis, etc.

World War Z

Tudo isto adiciona uma camada extra de estratégia ao game, a qual é capaz de proporcionar não apenas bons momentos de diversão e explosões, mas também de fazer com que cheguemos ao destino final mais facilmente.

Existem inclusive algumas perks que podemos adquirir conforme vamos evoluindo que fazem com que iniciemos cada capítulo já com uma arma especial equipada. Acredite: isto faz toda a diferença do mundo.

Gráficos

Os gráficos de World War Z são bonitos (testei no PC, com tudo no Ultra), mas também não se trata de nada impressionante. Não espere, por exemplo, por algo similar a Metro Exodus (minha referência para gráficos magníficos em 2019). O jogo conta com bons efeitos de iluminação e com ótimas texturas, além de modelos muito bem feitos.

Os ambientes também são muito interessantes, e fiquei até um tanto quanto surpreso com a neve em Moscou, incluindo o pequeno detalhe dos cantos do monitor congelando, devido ao frio. Veículos e construções também dão conta muito bem do recado, vale ressaltar.

World War Z

Algumas considerações finais

O jogo é bastante divertido, disso não tenho dúvida. Existem alguns problemas, entretanto. Por exemplo, em determinadas missões, precisamos escoltar alguns NPCs importantes para a história.

Dependendo da situação, é preciso salvar tais personagens de ataques de zumbis, e caso você falhe, caso o time todo (tanto faz se metade sejam jogadores reais e metade sejam controlados pela IA) falhe em proteger o tal NPC e ele morra, é game over: todo o trabalho é perdido e você volta para a tela de escolha de episódios (ou capítulos). Isto é algo muito complicado, principalmente quando existem jogadores que preferem não trabalhar em equipe.

Além disso, existem alguns crashes inexplicáveis no jogo (a Saber Interactive já lançou alguns patches visando corrigir bugs, vale lembrar), e alguns comandos demoram muito para responder (como por exemplo o “CTRL” para agachar ou o “E” para coletar recursos (como munição, por exemplo). Em alguns momentos, tais comandos simplesmente não funcionam.

WWZ também conta com um multiplayer competitivo com diversos modos de jogo disponíveis, incluindo mata-mata em equipe. Entretanto, os servidores encontram-se extremamente instáveis, e eu não consegui finalizar uma partida sequer.

Além disso, o jogo conta com fogo amigo, porém aqui não considero o “recurso” como um problema: trata-se de mais uma camada de dificuldade imposta ao jogador, o qual tem sempre de tomar cuidado ao atirar, para não acabar causando danos (ou até matando) seus companheiros de equipe, sejam eles bots ou jogadores reais. Ah, sim, também me deparei com algumas paredes invisíveis, vale lembrar.

A IA dos bots com os quais podemos jogar em nossa equipe, além disso, também consegue dar conta do recado muito bem, o que também significa que o jogo pode ser apreciado por jogadores em busca de uma diversão mais descompromissada e solitária.

World War Z

Os bots trabalham de maneira bastante organizada, inclusive curando o(s) jogador(es) em momentos de necessidade, ou então atacando zumbis especiais como os perigosos Espreitadores e Bulls (que agarram e sacodem suas vítimas com enorme violência).

Talvez WWZ seja também bastante prejudicado devido à data de seu lançamento: pouco tempo após The Division 2 (um shooter online extremamente cativante e melhor), e poucos dias antes de Days Gone, título bastante aguardado e com uma temática um tanto quanto parecida.

World War Z

Mas no geral, World War Z é interessante e divertido, além de exigir dos jogadores um certo cuidado e estratégia enquanto no campo de batalha, tanto nos momentos de lidar com as gigantescas hordas de zumbis quanto para não atingir companheiros de equipe (acredite, em alguns momentos, isto é bastante difícil, dada a enorme quantidade de zekes em tela – dada a enorme bagunça e aglomeração).

No que diz respeito à temática pós-apocalíptica, trata-se de mais um bom representante. Desta vez, de um shooter online em terceira pessoa que coloca o jogador para combater hordas verdadeiramente assustadoras de zumbis extremamente agressivos e feiosos.

Neste review foi utilizada uma cópia para PC de World War Z (Epic Games Store), gentilmente cedida pela Saber Interactive.

Ficha técnica

Título: World War Z

Gênero: shooter, terceira pessoa, cooperativo, online

Desenvolvedora: Saber Interactive

Publisher: Focus Home Interactive, Mad Dog Games

Data de lançamento: 16 de Abril de 2019

Plataformas: PC ( exclusivo da Epic Games Store), PlayStation 4 e Xbox One

Versão analisada: PC

Fique com o trailer de lançamento do jogo:

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