A franquia Wolfenstein começou no início da década de 80, e passou pelas mãos de várias desenvolvedoras, incluindo a id Software, a Splash Damage e a Raven Software, sendo que a Machine Games tem sido a responsável pelos títulos mais recentes da mesma, incluindo o recém lançado Wolfenstein: Youngblood (em parceria com a Arkane Studios, da série Dishonored e do último Prey, dentre outros).

A série, como sabemos bem, é bastante conhecida por apresentar ao jogador uma jogabilidade sólida, elementos marcantes de um shooter tradicional e ambientações com base na história, devidamente alterada, obviamente.

Wolfenstein: Youngblood

Temos histórias em realidades alternativas, onde os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial e dominaram o mundo inteiro com mãos de ferro, contando inclusive com a utilização de tecnologias até mesmo um tanto quanto estranhas aos olhos do mundo atual, porém totalmente eficientes (e muitas vezes mortais), dentro do contexto das obras.

Wolfenstein: Youngblood, aliás, é o primeiro jogo cooperativo da franquia. Nele, em 1980, podemos jogar como uma das filhas de B. J. Blazkowicz, Jess e Soph, ao lado de um amigo ou tendo como companheira a inteligência artificial do game.

Blazko, aliás, encontra-se desaparecido, e suas filhas vão então até a dominada Paris, ou Neu-Paris, como a Cidade Luz passou a ser chamada pelo Terceiro Reich, a fim de tentar encontrá-lo e, de quebra, matar centenas e centenas de nazistas.

Wolfenstein: Youngblood

No começo de tudo, Jess e Soph viviam no Texas, na América liberta, ao lado de sua mãe. Isto até que recebem uma visita do FBI, com uma determinada tarefa que deve ser executada com a máxima urgência. Tudo indica, também, que B. J. Blazkowicz encontra-se em algum lugar de Neu-Paris, e este é um motivo adicional para a viagem das duas irmãs.

Jess e Soph contam também com armaduras especiais, as quais lembram bastante do Nanosuit de Crysis, incluindo uma habilidade bastante útil que faz com que elas fiquem invisíveis por curtos períodos de tempo, facilitando abordagens mais furtivas, ou stealth.

Wolfenstein: Youngblood

Ao chegarem a Neu-Paris, as duas irmãs são colocadas em contato com a Resistência, e passam então a caçar nazistas enquanto participam de missões primárias e secundárias. Aqui vale ressaltar um primeiro ponto negativo do jogo: ele é curto. Tudo o que temos principalmente são missões que exigem o “hacking” de computadores presentes em 3 torres e distritos dos nazistas (Brother 1, Brother 2 e Brother 3).

Somando-se a isso a missão inicial e a batalha final contra o grande chefão do game, temos algo em torno de 5 a 6 missões. Com isto em mente, vale a pena ressaltar que você levará em torno de 15-20 horas, dependendo do seu estilo de jogo, para finalizar Wolfenstein: Youngblood.

Wolfenstein: Youngblood

A sinergia entre as duas irmãs é essencial: até mesmo para abertura de portas é necessária a ação coordenada e em conjunto das duas, esteja você jogando com um amigo ou com a IA do jogo. E entra em cena também em Wolfenstein: Youngblood uma mecânica bastante interessante, chamada “Shared Lifes”, ou “Vidas Compartilhadas”, a qual vale tanto para o gameplay na companhia de um jogador real quanto para o gameplay na companhia da inteligência artificial.

Wolfenstein: Youngblood

Cada personagem tem o poder de reviver o outro, quando este último encontra-se prestes a morrer e paralisado. Caso faça isto a tempo, nenhuma “Shared Life” é gasta. Agora, caso o reavivamento não seja realizado, uma “Vida Compartilhada” é gasta.

O mesmo vale para você: se você for revivido a tempo, nenhuma “Shared Life” será gasta. Porém, em caso contrário, uma unidade irá para o beleléu. Temos 3 “Vidas Compartilhadas”, sendo que o “estoque” pode ser reabastecido em várias caixas espalhadas pelo mundo do jogo. Porém, caso você deixe todas as 3 unidades se esgotarem, e entre em um estado de pré-morte (paralisia total), então é game over.

Wolfenstein: Youngblood

Wolfenstein: Youngblood também traz um mundo um tanto quanto aberto, e suas missões podem ser abordadas na ordem que o jogador bem entender. Além disso, há agora uma maior verticalização nos cenários, o que permite que combatamos à partir de sacadas, apesar de que o inverso também é verdadeiro: inimigos podem também despejar verdadeiras saraivadas de balas sobre nós, posicionados estrategicamente acima de nossas cabeças.

Podemos também entrar em diversos edifícios, ir de um para o outro através dos telhados, e subir e descer escadarias: trata-se de elementos que tornam o jogo ainda mais amplo e dinâmico no que diz respeito a este lado “mundo aberto”.

Wolfenstein: Youngblood

Tudo bem que existem limites, mas gostei bastante destas novas liberdades na franquia, principalmente devido ao fato de que elas não mexem em nada na experiência bastante old school que temos com o shooter: tudo continua brutal.

Temos vida limitada, armadura, inimigos aos montes, incluindo supersoldados, cães explosivos, robôs parecidos com o Exterminador do Futuro sem sua pele humana e até mesmo verdadeiros colossos mecânicos, os tais “Citadels”.

Wolfenstein: Youngblood

As duas irmãs, devido a seus trajes especiais, podem ficar invisíveis e assim chegar sorrateiramente por trás dos inimigos (para quem adora ação stealth). Entretanto, por mais que tal habilidade seja evoluída (mais detalhes abaixo), nunca é o bastante, e é muito fácil os inimigos nos notarem e soarem o alarme, dando então início à carnificina que tanto adoramos. Acontece que a duração da invisibilidade é sempre bem baixa, e o jogador pode ser pego de calças curtas em situações nem um pouco agradáveis (além de perigosas). Isto sem falar que nada elimina o barulho que fazemos ao caminhar.

Wolfenstein: Youngblood

A Machine Games e a Arkane Studios também introduziram alguns elementos em Wolfenstein: Youngblood que trazem um quê de RPG à série. Agora, inimigos possuem níveis, assim como nossos próprios personagens.

Pontos de experiência são ganhos conforme vamos realizando missões primárias e secundárias, e as armas podem ser personalizadas de diferentes maneiras, com “Silver Coins” coletadas nos cenários ou então ganhas em missões.

Armas também podem ser personalizadas de maneira tal a aumentar a precisão, o nível de dano, redução do tranco, etc, embora sejam poucas as opções disponíveis para cada uma das cerca de 5-6 armas que constam em nosso arsenal, sem contar com as poderosíssimas e de uso específico “Kraftwerk” (diesel, laser, electric, etc).

Wolfenstein: Youngblood

Com este sistema de níveis, veio um problema (que talvez nem seja um problema para você, verdade seja dita): é necessário um certo nível de grinding, agora, para realizar as missões. Caso você esteja, por exemplo, no nível 15, e queira realizar missões de nível 20, é suicídio na certa. A melhor coisa a se fazer, nestes casos, é participar de sidequests e evoluir os personagens, até chegar ao ponto de poder encarar as missões principais de nível mais alto. Caveiras sobre os inimigos ou então no “Journal”, ao lado do nome da missão, indicam morte quase certa, portanto, todo cuidado é pouco.

A base da Resistência fica nas catacumbas de Paris, e é lá que podemos entrar em contato com diversos NPCs para obtermos missões secundárias até que interessantes. É lá, também, que encontramos Abby, amiga das garotas, a qual conta sempre com alguma novidade.

É possível também desbloquear diversas estações do metrô em Paris, a fim de realizar viagens rápidas e facilitar, assim, a locomoção dos personagens. Tudo isto é também acessível à partir da base da Resistência, nas catacumbas.

Aliás, vale ressaltar que a Bethesda pretende manter o jogo sempre fresco (pelo menos por um tempo), com novo conteúdo sendo adicionado frequentemente. Abby, à partir da última atualização do título, pode oferecer ao jogador novas missões secundárias e também desafios semanais. Trata-se de uma ótima maneira de manter o interesse no game, pelo menos para aqueles que desejam retornar à Paris dominada pelos alemães.

Wolfenstein: Youngblood

As desenvolvedoras e a publisher de Wolfenstein: Youngblood ousaram bastante, com a troca de protagonista, verdade seja dita. Infelizmente, entretanto, Jess e Soph são vazias, superficiais, e mais parecem estar em uma viagem de férias do que em missões perigosíssimas enfrentando nazistas sanguinários. Uma cena em especial, por exemplo, deixa isto bem claro: é quando as duas são vistas através das câmeras de elevadores, dançando alegremente ao som de músicas características dos anos 80.

Isto enquanto estão prestes a encarar desafios dificílimos. Nazistas de diversos tipos, incluindo soldados de armadura que representam verdadeiras esponjas de balas, sem falar em drones e nos  enormes Citadels.

O jogo não consegue estabelecer uma ligação forte entre o jogador e as protagonistas, nem mesmo em momentos mais íntimos, desprovidos de ação e repletos de diálogos. Nem mesmo nas inúmeras cutscenes. Parece que estamos no controle de meros “joguetes”, de simples robôs, sem emoção além de algo que beira o fingimento ou então uma grande dose de descuido adolescente.

B. J. faz falta, apesar de eu entender perfeitamente que Wolfenstein: Youngblood foi concebido desde o início para ser uma experiência diferente, cooperativa, sempre com dois personagens principais no campo de batalha.

Wolfenstein: Youngblood

O jogo faz uso da engine id Tech 6 , da id Software, e conta com gráficos muito bonitos, inclusive nas áreas internas, geralmente repletas de maquinário nazista no qual vale sempre a pena dar uma boa olhada. Infelizmente, porém, como em RAGE 2, em determinados momentos há uma certa demora no carregamento das texturas, porém em contrapartida temos ótimos efeitos de iluminação.

Existem também alguns problemas relacionados a quedas bruscas na taxa de quadros por segundo (FPS), sem que, no entanto, exista motivo algum plausível para tal. É algo bastante estranho: você está em alguma viela, caminhando, e de repente percebe certas “engasgadas”, várias quedas de FPS: e isto sem que nada esteja acontecendo.

Existem também problemas relacionados à inteligência artificial da outra irmã (controlada pelo jogo): ela cisma em morrer sempre nos piores momentos do combate, e vale ressaltar que estamos aqui falando de um shooter violentíssimo, com batalhas acirradas, repletas de explosões e inimigos de diversos tipos.

Pior: a outra irmã, quando não controlada por um jogador real, muitas vezes simplesmente se esquece de nos reviver, fazendo com que tenhamos então de gastar uma “Shared Life” (veja acima) ou então com que sejamos levados ao temido game over.

Além disso, outro problema infeliz é a distância entre os checkpoints, o que pode acabar nos obrigando a percorrer o mesmo longo caminho, dependendo do caso, de maneira enfadonha e lamentável. Isto sem falar na enorme semelhança entre locais e missões.

Wolfenstein: Youngblood

Tomemos como base, por exemplo, as 3 grandes missões do jogo: Brother 1, Brother 2 e Brother 3. Os ambientes de tais bases são quase que idênticos, e os objetivos são sempre os mesmos: arrancar as chaves de segurança de certos comandantes, à força (após enfrentar verdadeiras hordas de inimigos sanguinários), ativar computadores nazistas e abrir caminho para que Abby, à partir das catacumbas, os “hackeie”.

Em minha opinião, temos aqui um exemplo de uma certa preguiça por parte dos desenvolvedores, e não sei se o preço mais baixo do jogo tem a ver com isto, ou se é o fato de que muito foi falado a respeito de Wolfenstein: Youngblood ser uma sequência standalone de Wolfenstein II: The New Colossus.

Vale também lembrar que, sendo um jogo pensado logo de início para ser jogado de forma cooperativa, Youngblood não conta com pausa, mesmo que você esteja jogando sozinho, na companhia da IA. Você até pode tentar pausar o jogo, por sua própria conta e risco, mas a ação continuará, e você poderá morrer rapidamente.

Wolfenstein: Youngblood

Wolfenstein: Youngblood é um interessante e divertido shooter cooperativo. Violentíssimo, até, eu diria. Trata-se de um jogo que deve ser encarado com cautela, entretanto, devido à presença de mecânicas que não funcionam muito bem quando juntas.

Além disso, o FPS é um tanto quanto desequilibrado no que diz respeito aos combates (a dificuldade é grande mesmo nos níveis mais fáceis), e o jogador poderá se sentir frustrado ao ter de encarar um certo nível de grinding quando tudo o que queria era matar alguns nazistas e ouvir gritos de dor ecoando ao longe. A ação é enorme, verdade seja dita, mas também temos os problemas acima mencionados.

Ficha técnica

Título: Wolfenstein: Youngblood

Gênero: FPS, Ação, Cooperativo

Desenvolvedora: Machine Games, Arkane Studios

Publisher: Bethesda Softworks

Data de lançamento: 25 de Julho de 2019

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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