Trüberbrook, ou Truberbrook, é um belo point-and-click ambientado em 1967, em uma pequena cidade homônima bastante isolada, no meio das montanhas, na Alemanha. Tudo começou à partir de uma campanha muito bem sucedida no Kickstarter, a qual atingiu sua meta em cerca de 30 horas. Um feito e tanto, não?

Truberbrook

O jogo será lançado amanhã, 12 de Março de 2019, para PC, e deve chegar aos consoles PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One no próximo dia 17 de Abril.

Desenvolvido pelo estúdio alemão btf e publicado pela também alemã Headup (a mesma de Silver Chains, cujo preview foi publicado recentemente aqui no XboxPlus), o título esbanja carisma e charme, principalmente devido à seus cenários totalmente feitos à mão.

Truberbrook

E com “feitos à mão” quero dizer isto mesmo: todos os cenários do jogo foram criados mediante a utilização de papel, papelão, madeira, cola, tesouras, etc. Cada cena do game contou com seu próprio e individual tratamento, e até mesmo a iluminação utilizada foi a do mundo real. Variações e condições climáticas diferentes, além disso, também contaram com elementos do mundo real: até neve de verdade foi utilizada, veja só!

Truberbrook

Ainda em relação ao processo de criação do jogo, vale mencionar que os modelos dos personagens foram introduzidos no mesmo através de uma técnica chamada fotogrametria, e a partir daí foram então utilizadas iluminação e sombras em tempo real, além de efeitos os mais diversos, incluindo partículas.

Truberbrook

O jogo da btf nos apresenta a uma mistura de mistério e aventura, tudo isto em uma cidadezinha bastante pitoresca e ao mesmo tempo repleta de fatos e personagens misteriosos (muitos deles engraçados, também). O jogo conta com influências de Arquivos X, Twin Peaks e até mesmo Star Trek, sendo que existem também inúmeros puzzles, todos eles, entretanto, não muito complicados. O foco, aqui, é realmente a história, a narrativa.

Como protagonista temos o cientista norte-americano Hans Tannhauser, o qual chega a Trüberbrook esperando obter um pouco de paz e tranquilidade em suas férias, após ter ganho a viagem de graça em uma espécie de concurso (concurso para o qual, aliás, ele não se lembra de ter adquirido nenhum ticket – e começam aí os mistérios).

Truberbrook

O título brinca com várias ideias interessantes e divertidas, algumas delas ligadas a laços de amizade, além de física, mecânica quântica e ciência no geral. Como já dito acima, o foco do jogo é na narrativa e os puzzles não são lá muito intrincados. Também não espere por muita profundidade no tocante à abordagem científica além de explicações mirabolantes para fatos e coisas que, bem, por hora existem apenas em obras sci-fi.

Isto é natural se considerarmos a natureza do jogo, um adventure leve, apropriado para todas as idades e com personagens e situações que muitas vezes beiram o caricato. Truberbrook também conta com um sistema de diálogos bem simples, o qual, entretanto, pode muitas vezes ser essencial na resolução dos puzzles, além de ser capaz, em determinados momentos, de alterar o rumo da história. Isto é perceptível até mesmo no final do jogo, sendo que aí podemos perceber claramente que existe mais de um desfecho possível: tudo depende das nossas escolhas.

Truberbrook

Jogar o game não é nada complicado: é como em qualquer point-and-click. Basicamente, devemos andar e explorar todos os cenários em busca de elementos com os quais seremos então capazes de interagir ou pesquisar mais a respeito, isto sem falar nos NPCs com os quais devemos dialogar, obviamente. E fica aqui de antemão um aviso: muitos dos diálogos são verdadeiramente muito legais.

Bem, Tannhauser, ao chegar à pequena cidade alemã, se hospeda em uma pacata e antiga hospedaria, e aí acaba descobrindo que é também o único hóspede na estranha e bela cidade, a qual, no entanto, ganhará vida durante um determinado evento que acontecerá em determinado dia, à noite, com a presença de artistas diversos, barracas, um hilário velho marujo que tem medo d’água, e até mesmo um show completo com uma estranha banda, o qual podemos assistir na íntegra (a música é bem down, digamos – mas é muito bacana).

Truberbrook

Todo o mistério do jogo começa em determinada noite, quando o protagonista acorda e percebe que há alguém mexendo em sua mala, bem no meio do quarto. Tal pessoa, um homem, acaba fugindo, enquanto uma voz um tanto quanto fantasmagórica é ouvida claramente, dizendo: “- Por favor, me ajude”. Tannhauser a partir de então se vê às voltas com uma misteriosa corporação chamada Millenium Cooperative e acaba sendo preso para interrogatório, tendo então de passar por diversos testes (o jogador deve escolher dentre várias opções) para provar que é um “humano de verdade”.

O jogo brinca com elementos como realidades alternativas e viagens no tempo, por exemplo, e não esconde que a ficção científica está em seu cerne. O misterioso Lazarus Taft é outro personagem importante em Trüberbrook, um personagem, aliás, que acaba meio que acompanhando o protagonista durante grande parte do gameplay, funcionando como uma espécie de “quest giver”, digamos.

Truberbrook

Há uma aura de mistério em todo o jogo, mistério este que acaba aumentando conforme avançamos e conhecemos outras áreas da misteriosa e bela Trüberbrook, como por exemplo o pântano, a central de observação meteorológica, a casa na árvore e um posto de observação no alto das montanhas, bastante frequentado por alpinistas.

Truberbrook

A cidade de Trüberbrook também conta com seus próprios “fantasmas”, além de pessoas que desaparecem misteriosamente desde que uma velha mina foi desativada. Tannhauser chega a visitar tal mina, vale ressaltar, e nesta visita, ele deve também resolver um puzzle bem interessante, o qual envolve o manejo de elementos pertencentes a várias civilizações do passado, como por exemplo a egípcia. Isto sem falar em inscrições em latim e em velhas runas germânicas.

Truberbrook

Talvez um pequeno probleminha em Trüberbrook seja tentar introduzir na narrativa elementos grandiloquentes demais para seu escopo, uma vez que o jogo dura em média 8-10 horas e algumas coisas podem acabar ficando sem explicação. Além disso, existem atrasos em alguns comandos, ou momentos em que eles simplesmente não funcionam, como por exemplo o “ESC” para pausar o jogo e o “I” para acesso ao inventário.

Truberbrook

Mas não devemos, apenas por tal motivo, desconsiderar toda a beleza e o charme do jogo. Sim, ele é charmoso demais. Belo demais. Simpático demais! Misterioso e divertido demais, sem contar com o fato de que seus puzzles não atrapalham o gameplay. Tudo é bastante orgânico, tudo está muito bem implementado, tudo tem um porquê.

Aliás, vale ressaltar que o game foi indicado a quatro categorias no “German Video Game Awards”:

  • Best German Game;
  • Best Youth Game;
  • Best Staging;
  • Best Innovation;

Trüberbrook, com seus cenários únicos, com seus personagens muitas vezes caricatos, com o bom humor presente em várias situações e locais, com os diálogos com múltiplas opções de escolha por parte do jogador, os quais muitas vezes resultam em deliciosos momentos, com sua temática sci-fi misturada com mistério, além de seu fortíssimo “climão”, em minha opinião, de Arquivo X, principalmente, (saudoso seriado), esbanja qualidade e esmero.

Hans Tannhauser, o protagonista, chega à pequena cidade meio que perdido, e à princípio desconfiado, acaba se metendo em aventuras empolgantes, misteriosas e repletas de referências a ficção científica. Ele, que a princípio é bastante cético, homem de ciência que é (com a cabeça até mesmo um tanto quanto fechada), acaba seguindo pistas que o levarão a descobertas alucinantes, o colocando também em contato com organizações e personagens bastante perigosos e/ou estranhos.

Truberbrook

A pequena Trüberbrook também esconde segredos que a interligam a fatos e acontecimentos oriundos de realidades bem diferentes da nossa, e isto, por si só, já torna toda a aventura bastante digna de nota, sem falar que Tannhauser evolui, ao longo da narrativa, de maneira tremenda, passando de um frio cientista a um amigo leal. De um cético a alguém de mente aberta. É notável a evolução do personagem principal ao longo da história, e os momentos finais do jogo são também muito bacanas, principalmente por serem passíveis de levar a desfechos diferentes.

O jogo todo passa uma impressão bem forte, é importante ressaltar, de que estamos em uma espécie de “outro mundo”, em uma espécie de “realidade alternativa”. É como se a pequenina cidade perdida no meio das montanhas estivesse alheia à tudo o que acontece no restante do mundo, inclusive a Guerra Fria, o que reforça ainda mais os elementos “mistério” e “sobrenatural”, se é que você me entende.

Fica aqui também uma nota importante a respeito da dublagem do game: ela é realmente sensacional. É verdadeiramente notável, aliás, notar o “sotaque alemão” de diversos dos personagens, enquanto eles falam inglês. Além disso, vale ressaltar que existem opções de áudio em inglês e em alemão, mas o português ficou de fora, infelizmente. E isto pode representar um problema caso você tenha dificuldades com o idioma, infelizmente.

Truberbrook

Truberbrook é um point-and-click verdadeiramente interessantíssimo, além de bonito e único, devido a todo o trabalho manual realizado no que diz respeito aos cenários. Talvez ele fosse ainda melhor caso tivéssemos mais cenários, mais locais para visitarmos, etc: mas infelizmente não foi desta vez. Quem sabe em alguma futura porém por enquanto improvável continuação, não é? Vamos torcer!

O jogo, em sua versão para PC, pode ser adquirido através do Steam e do GOG.

Ficha técnica

Título: Trüberbrook

Gênero: aventura, point-and-click

Desenvolvedora: btf

Publisher: Headup

Data de lançamento: 12 de Março de 2019

Plataformas: PC (12/03/2019), PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch (17/04/2019)

Versão analisada: PC

[Atualizado] Acaba de ser divulgado o trailer de lançamento de Truberbrook. Confira abaixo:

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