Those Who Remain (site oficial) é o mais recente título desenvolvido pelo estúdio português Camel 101. Trata-se de um jogo de horror psicológico com perspectiva em primeira pessoa, cuja publicação ficou à cargo da Wired Productions.

O jogo lida com temas bastante atuais, além disso, como por exemplo bullying. Ele também conta com suporte ao sistema Razer Chroma, o que ajuda a deixar o gameplay mais divertido, caso você possua um teclado e/ou mouse da Razer com suporte ao mesmo.

Those Who Remain

Sobre Those Who Remain

Confesso que estava bastante ansioso pelo jogo, principalmente devido ao elemento “luz versus escuridão” nele presente. Devido ao fato de que ele porventura tivesse algum tipo de semelhança com  Alan Wake, por exemplo.

Infelizmente, entretanto, minha ansiedade se transformou em decepção pouco tempo após começar a jogar Those Who Remain. O jogo possui sérios problemas, problemas estes que podem fazer com que muitos jogadores o abandonem com bastante facilidade.

O novo título da portuguesa Camel 101 conta com boas ideias, e até mesmo com uma boa premissa. Infelizmente, a execução não é lá das melhores, e todo o trabalho do estúdio acaba se transformando em um verdadeiro martírio para o jogador.

Those Who Remain

Those Who Remain conta com checkpoints muito distantes um dos outros, o que pode resultar, é claro, na obrigatoriedade de refazermos longos trechos. Novamente.

E sem necessidade, caso um sistema melhor de salvamento se fizesse presente. Acredite em mim: muitas vezes você fez quase tudo o que precisava para progredir mas acaba tendo um infeliz encontro mortal com um dos demônios do jogo.

Those Who Remain

Neste caso, é provável que você tenha de coletar todas as provas, todos os documentos, todas as chaves, novamente, em um processo exaustivo e bastante chato, até, “apenas” para ser capaz de progredir. Passando novamente “por cima” de tudo o que fez anteriormente.

Those Who Remain

Basicamente, Those Who Remain parte de boas premissas mas se perde em meio a uma trama que não “agarra” o jogador e também em meio a uma jogabilidade travada e até mesmo antiquada – acredite: você não pode pular nem tampouco se agachar.

O fato de não sermos capazes de nos agacharmos, aliás, é uma grande falha, em minha humilde opinião, pois como somos capazes de interagir com diversos elementos nos cenários, talvez fôssemos capazes de nos escondermos de demônios debaixo das mesas. Mas divago.

A história

Em Those Who Remain, toda a ação acontece em uma cidade chamada Dormont. Temos como protagonista um homem atormentado chamado Edward. O jogo começa com o mesmo tecendo alguns comentários a respeito de perdas, visualizando retratos antigos, e coisas do tipo.

Those Who Remain

Edward chega a pegar em uma arma, em determinado momento, mas desiste ao receber uma mensagem de texto de sua amante, Diana.

Bem, a tal mensagem de texto fornece o nome de um Motel nas redondezas, e é para lá que o protagonista se dirige. Ao chegar lá, entretanto, Edward não encontra Diana, e o Motel encontra-se também completamente vazio.

Those Who Remain

Tudo parece bastante estranho, e não demora muito tempo até que o protagonista perceba que deve permanecer sempre na claridade. Isto após receber uma estranha chamada telefônica cuja voz feminina apenas diz: “- Fique na luz”.

Those Who Remain

Edward se depara, então, com misteriosas figuras negras de olhos brilhantes, as quais jazem na escuridão dos arredores. É morte certa nos arriscarmos a adentrar em seus domínios, portanto, tudo deve ser feito em meio à presença de luz.

O jogo também conta a história de Annika, uma jovem que supostamente sofreu um acidente de bicicleta e caiu de um penhasco. Ela é, digamos, um dos elementos-chave de Those Who Remain.

Céu ou Inferno?

O título também coloca nas mão do jogador o dever de “julgar” determinados personagens importantes na trama, enviando-os então para o inferno, condenando-os, assim, ou então perdoando-os.

Isto é bastante estranho, também: temos de realizar verdadeiras investigações a respeito dos porquês de cada caso. A respeito de cada personagem em julgamento, a fim então de sermos capazes de mandá-los para o inferno ou para os céus, condenando-os ou perdoando-os.

O jogo não deixa bem claro, entretanto, o porquê deste “poder” ter sido concedido ao protagonista, a não ser, é claro, o fato de que todos estes elementos são apresentados a ele através do espírito atormentado da jovem Annika.

Infelizmente, como já dito acima, é preciso explorar bastante cada cenário, e isto até que não seria um problema caso os checkpoints fossem mais próximos.

Obs: ou caso existisse a possibilidade de salvarmos o jogo manualmente.

Jogando

A jogabilidade é um pouco “travada”, e a interface de usuário também não ajuda muito. Vale lembrar que Those Who Remain conta com legendas em português do Brasil, também. Este é um ponto extremamente positivo.

Those Who Remain

Retornando ao jogo em si, mais precisamente à jogabilidade, bem, digamos que temos aqui algo com uma jogabilidade um tanto quanto ultrapassada. Se você jogou o primeiro Amnesia (não o desmerecendo, que fique bem claro), vai entender o que estou dizendo.

Nada de agachamentos, nada de pulos, sendo que muitas vezes existe espaço no cenário para ambos: obstáculos que poderiam ser mais facilmente ultrapassados caso fôssemos capazes de pular ou de nos agacharmos.

Além disso, grande parte do game se resume a buscar por documentos e pistas, além de chaves, chaves estas que liberarão o acesso a novas áreas e permitirão, portanto, o nosso progresso.

Existem algumas cutscenes em Those Who Remain. Entretanto, elas são bastante sofríveis. Entenda: os gráficos do game são apenas “passáveis”, e o mesmo se aplica às tais cutscenes.

Além disso (e este é um ponto positivo), existem momentos em que somos transportados para um outro plano, para o mundo dos espíritos, digamos. Aí, tudo está meio que distorcido, e aí também devemos buscar por pistas e por soluções para os diversos puzzles do game.

Those Who Remain

Sim, Those Who Remain conta com puzzles, para a alegria dos fãs do gênero. Alguns deles são bastante simples, como por exemplo girar manivelas que controlam determinado fluxo de água na ordem correta.

Outros são mais intrincados, e exigem “viagens” entre o plano dos vivos e o plano dos mortos, valendo lembrar que há também um determinado demônio, no game, capaz de nos perseguir em ambos os “universos”.

Those Who Remain

Tal demônio, aliás, vale ressaltar, possui corpo feminino e uma cabeça que se parece com uma mão segurando uma lâmpada. Seu olhar é “luminoso”, digamos, o que sugere que ele também pode acabar com as figuras da escuridão que nos matam tão logo adentremos seus domínios.

Algumas considerações finais

É necessário, em Those Who Remain, acender toda e qualquer lâmpada que aparecer à nossa frente. Ligar todo e qualquer interruptor. Acionar geradores. Acionar faróis de carros. E assim por diante.

Isto sob pena de sermos pegos pelas criaturas da escuridão, as quais, infelizmente, e contrariando todo o meu hype, nada têm a ver com os seres maléficos que vimos em Alan Wake.

Those Who Remain possui lá seus bons momentos, como por exemplo as viagens para o mundo estranho dos espíritos, onde temos de resolver partes de quebra-cabeças.

Ele tem lá também seus momentos que fazem com que nosso sangue gele nas veias, mas infelizmente, o conjunto como um todo é extremamente falho em sua execução.

Isto sem falar no dublador de Edward: insosso, sem emoção, incapaz de impor algum tipo de incremento à narrativa, a qual já não é das melhores. Enfim, não recomendo o jogo.

Ficha técnica

Título: Those Who Remain

Gênero: Terror Psicológico, Horror

Desenvolvedora: Camel 101

Publisher: Wired Productions, WhisperGames

Lançado em: 28 de Maio de 2020

Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4

Versão analisada: PC

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