Desenvolvido pelo estúdio italiano One-O-One Games e publicado pela alemã Daedalic Entertainment, The Suicide of Rachel Foster é um jogo bastante peculiar.

O título, lançado no último dia 19 de Fevereiro, para PC (e em breve para consoles), é uma mescla de vários elementos. Temos em mãos um walking simulator com pitadas de drama e também de terror (bem leve) e suspense.

Podemos nele até mesmo encontrar algumas semelhanças com What Remains of Edith Finch e Gone Home, por exemplo.

The Suicide of Rachel Foster

Digamos que o terror, em The Suicide of Rachel Foster, é sempre “sugerido”: nada é escancarado ao jogador, neste quesito. Portas se abrem e se fecham sozinhas, por exemplo: mas quem sabe não foi o vento, que ulula fortemente lá fora e se imiscui por entre frestas e vãos?

Um pouco da história de The Suicide of Rachel Foster

O jogo da One-O-One Games é uma obra bastante curiosa, com grande foco na narrativa e que lida com temas bastante sensíveis, como suicídio, por exemplo.

Ambientado em 1993, no estado norte-americano de Montana, o título tem como protagonista a jovem Nicole Wilson, a qual retorna à sua antiga moradia, onde passou sua infância e parte da adolescência, para, digamos, desenterrar velhos segredos do passado.

The Suicide of Rachel Foster

Nicole não chega ao grande hotel, o Timberline, com este objetivo em mente, mas acaba sendo arrastada a ele devido a uma série de acontecimentos em cascata. Aqui entra, inclusive, uma grande tempestade de neve que a impede de deixar o hotel durante alguns dias.

The Suicide of Rachel Foster

Nicole tinha em mente se encontrar, no local, com um advogado (o Sr. Jenkins), o qual no entanto não pôde chegar ao local antes que as estradas se tornassem intransitáveis.

A personagem principal também acaba mantendo contato, através de um estranho celular, com um homem chamado Irving, membro da FEMA (Agência Federal de Gestão de Emergências, ou Federal Emergency Management Agency), o qual chega inclusive a fornecer diversas dicas e sugestões, ao longo do gameplay.

The Suicide of Rachel Foster

A relação de Nicole com Irving, aliás, vai se tornando cada vez mais próxima, com este último, vale ressaltar, passando a agir cada vez mais estranhamente, dando a entender, inclusive, que sabe muito mais do que aquilo que diz.

O passado vem à tona

Bem, Nicole está presa, no Hotel. The Suicide of Rachel Foster é dividido em 9 capítulos, ou dias (a quantidade de dias, vale lembrar, que a protagonista passará no velho hotel, fechado há mais de dez anos).

Temos aqui um jogo bastante atmosférico, capaz verdadeiramente de provocar medo em alguns jogadores mais sensíveis. Mas é importante frisar que este não é o objetivo, claramente: obviamente, o importante aqui é contar uma história extremamente dramática e triste.

The Suicide of Rachel Foster

Uma história que envolve Nicole e seus pais, Leonard e Claire, além de Rachel Foster, que ajuda a compor o nome do jogo e é personagem crucial na trama, apesar de morta.

Nicole deixou o grande hotel, de propriedade de seus pais, dez anos antes dos eventos exibidos no jogo. Na verdade, Nicole deixou o grande hotel com sua mão, Claire, após descobrirem que Leonard mantinha um caso com uma jovem de 16 anos (Rachel Foster), filha de um pastor local.

The Suicide of Rachel Foster

O fato, obviamente, pegou a comunidade de surpresa, e tudo acabou piorando bastante. Rachel acabou desaparecendo e sendo logo em seguida encontrada: morta, no fundo de um penhasco.  E tudo apontava para suicídio.

Jogando The Suicide of Rachel Foster

O jogo é bastante atmosférico,  e mantemos contato com o misterioso Irving, através do grande celular, quase que o tempo todo. O grande Timberline Hotel é muito bonito, além de grande, sem contar com suas várias áreas “secretas”.

O game, que tem perspectiva em primeira pessoa, nos coloca no controle de uma protagonista desprovida de qualquer arma e equipamento além de uma velha lanterna dínamo (a qual apenas funciona enquanto pressionamos continuamente um botão – no caso, o botão direito do mouse) e um microfone parabólico, obtido à partir das coisas largadas no local por um grupo de caça-fantasmas.

The Suicide of Rachel Foster

Acontece que diversas teorias foram “tecidas”, digamos, a respeito da morte e/ou do suicídio de Rachel Foster, e a própria protagonista chega a se deparar com alguns elementos e momentos um tanto quanto perturbadores, envolvendo a falecida e/ou lembranças e elementos a ela ligados.

Jogar The Suicide of Rachel Foster envolve bastante investigação e diálogo (com Irving). Temos muito material para ler, inclusive, e o jogo não conta, infelizmente, com legendas em português do Brasil: portanto, fica aqui o alerta se você não domina o idioma em questão.

The Suicide of Rachel Foster

Nicole nutre, digamos, muita raiva por seu pai. Ela ainda não aceitou (e, afinal de contas, quem aceitaria?) a monstruosidade que ele cometeu, e vale também a pena destacar que Rachel, quando encontrada, no fundo do penhasco, estava grávida de 9 semanas.

É, temos aqui um jogo que lida, verdadeiramente, com temas bastante sensíveis, como por exemplo suicídio e pedofilia. Ambos os temas são tratados, entretanto, de maneira bastante sutil e cuidadosa pelo título da One-O-One.

Porém, não fica claro em nenhum momento se Rachel gostava de Leonard ou se havia algum tipo de imposição/uso de força por parte deste último (não que isto reduza a gravidade do crime cometido – de maneira alguma).

The Suicide of Rachel Foster

Terror? Walking Simulator?

Digamos que The Suicide of Rachel Foster misture ambos os gêneros, de uma forma bastante centrada, cuidadosa. Isto sem falar no drama, obviamente.

No drama que destruiu duas famílias e que fez com que uma filha que antes idolatrava seu pai passasse a odiá-lo (e quem pode tirar dela a razão, diante dos fatos)?

The Suicide of Rachel Foster

O “problema” é que nem tudo é “preto no branco”, digamos. Nem tudo é o que parece, à primeira vista, e o game conta com algumas reviravoltas bastante interessantes, envolvendo a falecida Rachel, Nicole, seu pai e sua mãe.

O próprio Irving, o misterioso personagem que se comunica constantemente com Nicole pelo antigo telefone celular, é um grande mistério, sendo que ele também é quem fornece, misteriosamente, algumas peças-chave para a resolução de diversos quebra-cabeças.

O game não conta com puzzles, vale frisar. O máximo que temos de fazer é pressionar alguns botões, encontrar acessos para recônditos misteriosos, encontrar determinados quartos mediante o uso de placas indicatórias, e só. Tudo transcorre de forma bastante tranquila, neste quesito.

The Suicide of Rachel Foster

Algumas considerações finais

The Suicide of Rachel Foster conta com gráficos belíssimos. Eles são quase que fotorrealistas, posso garantir a você, e ajudam bastante a fornecer ao jogador uma enorme impressão de suspense, no sentido de que temos a nítida impressão de que esta presos e perambulando dentro de um velho e abandonado hotel, cheio de andares, alas e quartos.

Obs: jogue, preferencialmente, à noite, e utilizando um bom headset.

Infelizmente, há um pequeno contrassenso no final do jogo. Um pequeno “porém”, digamos, que vai contra tudo aquilo que jogamos e vivenciamos até então.

The Suicide of Rachel Foster

Digamos que a Nicole são apresentadas duas opções, e o jogador pode então optar por uma ou outra. Uma delas vai de encontro à própria personalidade de Nicole, uma garota aparentemente de bem com a vida, satisfeita consigo mesma, forte e destemida.

Mas lembre-se: trata-se de uma decisão a ser tomada pelo jogador, e você pode muito bem fugir desta opção, digamos, “errônea”.

Durante o jogo todo, aliás, somos confrontados com leves sugestões da presença da finada Rachel Foster. Tudo é bastante sutil, entretanto, e nunca sabemos bem ao certo em quem confiar, valendo também a pena lembrar que um grupo de caça-fantasmas já esteve ali no hotel, movido pelo burburinho gerado em torno da triste história do velho hotel e de seus antigos proprietários.

The Suicide of Rachel Foster

Existem também algumas reviravoltas bastante interessantes (e impactantes) na trama, as quais causam grande impressão (negativa) em Nicole, a qual, vale lembrar mais uma vez, encontra-se sozinha em um local isolado pela neve.

Obs: confesso que, a princípio, eu esperava por um hotel nos mesmos moldes daquele que vimos em “O Iluminado”, de Stephen King – mas o Timberline Hotel está bem longe disto tudo.

The Suicide of Rachel Foster

Eis aqui um jogo para ser jogado sem pressa, mas fica no entanto, mais uma vez, o aviso: o final pode decepcionar algumas pessoas.

Aliás, justamente nos momentos finais, existem diálogos “sem áudio”. Explicando melhor: temos as legendas (em inglês) na tela, sabemos que os personagens estão conversando, porém nenhum áudio é perceptível. Infelizmente.

Mas trata-se de um jogo muito bem feito, devo dizer, capaz de entreter você por algo entre 4 a 6 horas. Durante os 9 dias que Nicole passa no enorme Timberline Hotel.

Ficha técnica

Título: The Suicide of Rachel Foster

Gênero: aventura, walking simulator, suspense, terror

Desenvolvedora: One-O-One Games

Publisher: Daedalic Entertainment

Data de lançamento: 19 de Fevereiro de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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