The Shattering é um jogo eletrônico bastante peculiar. Desenvolvido pelo estúdio polonês Super Sexy Software e publicado pela alemã Deck13, trata-se de uma jornada verdadeiramente instigante e perturbadora.

De uma jornada através da mente despedaçada (como o próprio nome do jogo dá a entender) de um homem chamado John Evans, o qual passou por maus bocados em sua vida.

The Shattering - Game

O título da Super Sexy Software é até mesmo difícil de ser enquadrado em um gênero em específico. Terror? Suspense? Aventura? Walking Simulator? Thriller psicológico?

The Shattering - Game

Tudo depende do pontos de vista, e de como o jogador irá interpretar as diversas situações às quais será exposto, bem como os fantásticos e surreais ambientes e cenários.

The Shattering é um daqueles games que nos balançam. Que nos deixam pensativos, ao atingirmos seu final, tamanha é a força da narrativa, tão grandes são os dramas vivenciados pelo protagonista.

Sobre The Shattering

Em The Shattering, John Evans participa de sessões de hipnose sob o comando de um médico, o Dr. W. Richards. Tais sessões têm por objetivo fazer com que ele reconstrua, digamos, seu passado despedaçado.

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Fazer com que ele se lembre de coisas que ficaram lá atrás, a fim de que, quem sabe, possa seguir adiante. Tais sessões de hipnose, portanto, são os momentos mais interessantes do jogo.

São os momentos em que o jogador controla John com liberdade, podendo ir e vir e interagir com diversos elementos dos cenários, de forma tal a lidar com a memória e com o passado do mudo protagonista.

A história

A narrativa de The Shattering é verdadeiramente soberba. Misteriosa, ela permite que o jogador desvende pouco a pouco os problemas com os quais John, o personagem principal, teve de lidar em seu passado.

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Aliás, fica aqui uma nota em relação aos gráficos em grande parte monocromáticos do game, quebrados aqui e ali por uma ou outra cor, como por exemplo amarelo, azul e vermelho.

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Tais cores funcionam como uma espécie de contraponto, digamos, e elas surgem com muita frequência em momentos chave do título da Super Sexy Software.

Em momentos em que John faz alguma descoberta impactante, por exemplo, ou em alguma determinada situação em que o jogador se depara com determinados “horrores”.

The Shattering - Game

The Shattering, em minha opinião, não foi criado para assustar, apesar de contar com um ou outro momento deveras perturbador. Ele, ao invés disso, tenta passar ao jogador a impressão de estar, muitas vezes, imerso em um pesadelo.

E a predileção pelo branco imaculado, digamos, em grande parte dos ambientes e elementos, torna tudo ainda mais original, além de propenso a deixar o jogador bem mais desconfortável. E, sim: os gráficos do jogo, mesmo assim, são bonitos.

A cada novo mergulho em sua mente, John se depara com mais “problemas”, com mais mistérios a serem desvendados, com mais horrores, também, e não pense você que o jogador é poupado da visão de sangue, em alguns destes mergulhos.

The Shattering - Game

Seres humanos são geralmente representados através de manequins

Tudo contribui, em The Shattering, para criar um clima de extremo suspense. O jogo “brinca”, de certa forma, com o nosso psicológico, destruindo e criando cenários e objetos com enorme frequência. Talvez, para nos dar uma ideia da bagunça que é a mente de John.

Jogando The Shattering

Em certas cenas, aliás, temos de correr em meio a corredores que se desfazem com grande velocidade, em meio a pedaços das paredes e outros objetos sendo lançados para todos os lados.

The Shattering - Game

Trata-se de uma forma excepcional que a Super Sexy Software encontrou para tornar visíveis os problemas de John. De sua psique perturbada. De sua mente verdadeiramente feita em pedaços.

Ao jogarmos, temos de explorar bastante, e o jogo não conta com nenhum tipo de elemento que represente perigo ao jogador. Não há morte, em The Shattering, nem tampouco monstros perseguidores.

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Um dos cenários surreais de The Shattering

Isto é, temos, obviamente, os “monstros” e pesadelos entranhados no cérebro perturbado do personagem principal. Suas fragilidades. Seu passado problemático. Sua infância possivelmente traumática.

O jogador encontra, ao jogar o título sensacional da Super Sexy Software, diversos ambientes que devem ser explorados em buscas de referências que ajudem John a se lembrar de seu passado.

De um passado, talvez, que ele trancou a sete chaves, devido a um certo detalhe que acaba ficando meio que evidente no final da trama.

The Shattering - Game

Podemos interagir com objetos os mais diversos, valendo a pena lembrar mais uma vez que da boca de John jamais som algum se faz audível.

Podemos atender ligações telefônicas, por exemplo, e podemos até mesmo nos confrontarmos com alguns pequenos puzzles, bastante simples, os quais, entretanto, são totalmente explicáveis.

De uma maneira geral, The Shattering é um jogo no qual temos de andar bastante, explorar bastante, interagir com elementos do cenário (quando disponíveis) e voltar, entre um ato e outro, para a sala do Dr. Richards, para ouvirmos, então, algumas elucidações.

O jogo conta com um ritmo bastante cadenciado, e não há nenhum tipo de “urgência”. Nunca somos colocados contra a parede, digamos, nunca temos que encontrar objetos com limite de tempo, nem nada do tipo.

The Shattering - Game

Existem até determinados atos e cenários que se transformam, rápida e drasticamente, de uma maneira um tanto quanto similar àquilo que vimos em Layers of Fear.

Gráficos

Os gráficos do jogo são muito bonitos, com o branco imperando quase sempre, soberano. De vez em quando determinados contrastes aparecem em tela, em tons de azul, vermelho, amarelo, etc.

Tais contrastes representam algo também muito interessante, tanto porque destoam bastante dos ambientes (sendo inclusive bastante atrativos), quanto porque representam geralmente objetos de interesse.

The Shattering - Game

Peças fundamentais para que John resolva o quebra-cabeças no qual sua mente se transformou. Não temos aqui, aliás, nada do tipo: “- Uau! Isto é super, ultra, mega lindo!”.

Entretanto, os gráficos e a predileção pelo branco fazem do jogo algo verdadeiramente único, e em relação ao próprio branco em si, me lembrei até de Superhot.

The Shattering - Game

A trilha sonora do jogo é bem interessante, bem como a sonoplastia. Ouvimos desde Chopin até clássicos dos anos 50 e 60, sendo que um determinado calendário meio que nos faz crer que a infância de John se passou em meio aos anos 70.

Algumas considerações finais

The Shattering é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores surpresas de 2020. Um jogo desenvolvido com grande esmero, com uma narrativa brilhante, instigante e misteriosa.

The Shattering - Game

O título consegue envolver o jogador de uma tal maneira, que este apenas consegue dele desgrudar após finalizar seus cinco atos (ele dura algo em torno de 4 a 6 horas).

Notei alguns pequenos problemas, entretanto, em relação a quedas na taxa de quadros por segundo. Nada muito crítico, entretanto, nem tampouco impeditivo em termos de progressão.

O game, além disso, não conta com legendas em português do Brasil, o que pode prejudicar a experiência de quem não compreende o idioma de William Shakespeare. Infelizmente.

The Shattering - Game

Mas de qualquer forma, estes pequenos detalhes não tiram o brilho do título. E seu final, aliás, é um verdadeiro “soco no estômago”. Imperdível. Recomendadíssimo!

E quanto às cores? Ah, há uma grande surpresa, no final do jogo!

Ficha técnica

Título: The Shattering

Gênero: aventura, thriller, suspense

Desenvolvedora: Super Sexy Software

Publisher: Deck13

Lançado em: 21 de Abril de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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