Starlink: Battle for Atlas foi lançado em 16 de Outubro de 2018, para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. O jogo chegou sem fazer muito alarde, infelizmente, o que é uma pena, pois ele pode ter ficado fora do radar de muita gente, em meio a tantos outros grandes lançamentos.

Trata-se de um título desenvolvido pela Ubisoft Toronto, e que faz uso da engine Snowdrop, da Massive Entertainment (ou Ubisoft Massive), a mesma engine utilizada, aliás, em The Division 2, dentre outros títulos.

Toys-to-life

Criado para ser mais um game pertencente ao estilo Toys-to-life, no qual naves de brinquedo são utilizadas em conjunto com o jogo eletrônico, e onde modificações nas mesmas (pilotos, armas, fuselagem, etc) são automaticamente refletidas naquilo que vemos em tela, Starlink: Battle for Atlas, no entanto, conta com versões digitais (como a utilizada neste review) que funcionam perfeitamente sem as miniaturas, o que pode até mesmo ser considerado um ponto positivo, pois torna o gameplay mais dinâmico.

Além disso, edições físicas e miniaturas para um jogo como este podem acabar ficando bastante caras no Brasil, e eu nem mesmo sei dizer se é fácil encontrar tais versões por aqui e/ou se é preciso depender única e exclusivamente de importações.

Starlink: Battle for Atlas

O jogo chegou ao PC no último dia 30 de abril de 2019, e confesso que ele me deixou bastante impressionado. Não estamos aqui falando apenas de um mero “jogo de navinha”, nem tampouco de um título que pode/deve ser experimentado apenas por crianças: o game da Ubisoft conta com diversas complexidades interessantes e capazes de elevar a diversão a níveis surpreendentes.

Semelhanças podem ser encontradas com No Man’s Sky, aliás, mas diferentemente do título da Hello Games e sua geração procedural, aqui temos planetas, alienígenas, fauna, flora e visuais belíssimos, todos “feitos à mão”, de maneira bastante especial e única, o que acaba transformando a jogatina em algo verdadeiramente impressionante.

Starlink: Battle for Atlas

O vilão Grax

Um enredo nada profundo

Tudo começa quando o cientista Victor St. Grand, após fazer contato com um alienígena que acabou caindo acidentalmente na Terra, cria a iniciativa Starlink, a qual acaba levando à construção de uma nave chamada Equinox, nave esta que vai, então, até um sistema chamado Atlas, localizado nas Plêiades, com foco na exploração e na busca por recursos.

Acontece que St. Grand é capaz de criar um tipo de combustível bastante cobiçado, chamado Nova, e a nave acaba sofrendo um ataque de um grupo de alienígenas conhecido como Legião Esquecida. St. Grand acaba sendo então raptado e a tarefa do restante do grupo, à partir daí, é lutar para salvá-lo ao mesmo tempo em que combate a Legião e seu líder, o perigoso vilão Grax, no sistema inteiro.

Temos 7 planetas para explorar livremente: Ashar, Haven, Kirite, Sonatus, Necrom, Tundria e Vylus. A equipe da Equinox conta com 7 membros, alguns dos quais são também pilotos: Mason, Calisto (uma brasileira, veja só), Hunter, Judge, Razor, Shaid e Levi.

Starlink: Battle for Atlas

A história, apesar de bacana, não é muito profunda. Ela é até bastante rasa, eu diria, apesar de em alguns momentos me lembrar de Mass Effect, principalmente no que diz respeito às intenções da Legião (quem não se lembra dos Reapers?).

Também não é possível estabelecer laços fortes com nenhum dos personagens, em momento algum: parece que o foco da Ubisoft aqui foi deixar de lado a profundidade do enredo e se focar em outros elementos, como os combates, as próprias naves, a luta entre a Aliança e a Legião (veja mais abaixo), etc. E, bem, não podemos dizer que ela errou a mão. Muito pelo contrário.

Starlink: Battle for Atlas

Na versão digital que utilizei neste review, estão disponíveis as naves Zenith, Pulse, Neptune e Lance, além dos pilotos Mason, Chase (Calisto), Levi, Hunter, Razor e Judge. É possível adquirir mais pilotos, naves e armas para a sua “coleção” através de microtransações, mas sinceramente, não sei se o investimento vale a pena, uma vez que o conteúdo presente na versão digital de Starlink: Battle for Atlas dá conta do recado muito bem.

Armas, combinações e combos

Cada piloto, além disso, conta com um ataque especial. Mason, por exemplo, é capaz de deflagrar um “ataque orbital” (à partir de um canhão presente na Starlink, em órbita) devastador, muitas vezes capaz de solucionar rapidamente situações que estavam se tornando um tanto quanto complicadas.

Mas um dos grandes baratos do jogo está ligado às armas e às diversas formas de utilizá-las. Podemos alternar entre várias armas à qualquer momento, bastando para tanto pausar o game. Aí, então, temos armamento capaz de causar tipos diferentes de dano, como por exemplo fogo, gelo, cinético, gravitacional, vórtice, sobrecarga estática, etc.

Starlink: Battle for Atlas

Cada asa pode contar com uma arma diferente equipada, e é aí que a brincadeira se torna muito interessante, além de divertida. Diferentes inimigos podem ser mais suscetíveis a determinado elemento.

Por exemplo, inimigos de fogo podem ser combatidos com armas de gelo, e vice-versa. E a inteligência artificial de nossa nave até avisa quais tipos de armas são mais indicadas contra os variados tipos de inimigos com os quais nos deparamos.

Starlink: Battle for Atlas

Também é possível criar combos muito bacanas, utilizando combinações de diferentes armas. Fogo e gelo simultaneamente, por exemplo, dependendo da constituição do inimigo, pode resultar em choque térmico, enquanto gelo + armas cinéticas causa o efeito “estilhaçamento”.

Já armas com efeito de vórtice gravitacional deixam os inimigos presos dentro de uma espécie de invólucro energético, e aí podemos disparar rajadas de fogo contra tal invólucro, criando então um verdadeiro inferno para os inimigos presos temporariamente, dada a combinação de elementos e a paralisia temporária (estamos aqui falando, aliás, de dano cumulativo).

Starlink: Battle for Atlas

Estudar cada inimigo com atenção e recordar as combinações corretas de armas em encontros posteriores requer um pouco de treino e atenção, mas com o tempo, e com a ajuda da IA das naves, é possível dominar o sistema e causar grandes estragos em meio às hordas da Legião.

Este tal “combate elemental” acaba adicionando uma camada estratégica bastante interessante em Starlink: Battle for Atlas, uma vez que muitas vezes não basta sair atirando pura e simplesmente: é necessário estudar os inimigos e determinar então com exatidão qual armamento surtirá melhor efeito.

Starlink: Battle for Atlas

Além disso, a evolução de cada piloto está diretamente ligada à evolução de cada arma: conforme você utiliza cada uma delas, pontos de experiência são ganhos para as mesmas, e é assim que o personagem principal vai evoluindo – conforme evolui suas armas.

Também existe uma série de modificadores e amplificadores que podem ser instalados em cada uma das armas em utilização, os quais são capazes de melhorar diversos atributos das mesmas, como por exemplo cadência de tiro, nível de dano, tempo de recarga, etc. Ou seja, mais uma vez é importante ressaltar que não temos aqui apenas um “mero jogo de navinha”.

Mundos variados e belíssimos

O jogo conta com mundos verdadeiramente interessantes. Belíssimos, eu diria, com fauna e flora distintas, além de paisagens deslumbrantes. Existem semelhanças, obviamente, com No Man’s Sky: é impossível não nos lembrarmos deste jogo ao jogarmos Starlink.

Mas aqui os visuais são tão caprichados, fogem tanto daquela mesmice geralmente vista na geração procedural, que constantemente observamos em tela um verdadeiro espetáculo. Temos, verdadeiramente, animais e vegetação alienígenas, muitas vezes beirando o surreal, com cores vivas ao extremo, inclusive.

Starlink: Battle for Atlas

Em cada planeta, podemos atualizar uma espécie de enciclopédia (e ganhar pontos de experiência ao fazer isto) escaneando diversos animais presentes nos mesmos, através dos sensores de nossa nave. Com isto, podemos conhecer não apenas seus nomes, mas também seus hábitos e outras informações interessantes.

O espaço é seu: explore

Enquanto nos planetas, os combates acontecem com nossa nave flutuando rente ao chão, como uma espécie de “hover”, como uma espécie de veículo flutuante de WipeOut.

Mas também podemos ativar os hiperpropulsores à qualquer momento, e sobrevoar os planetas à partir de alturas maiores (muito útil quando desejamos nos deslocar à grandes distâncias). Vale lembrar que também estamos aqui falando a respeito de um “jogo de mundo aberto”: é possível explorar o sistema de Atlas livremente.

Starlink: Battle for Atlas

Podemos entrar ou sair de qualquer planeta, à qualquer momento, e o mais bacana de tudo é que a transição acontece em tempo real, sem loadings, sem esperas. Ao entrar ou ao sair, podemos inclusive observar a fuselagem de nossa nave em chamas, atravessando a atmosfera, as nuvens se afastando ou se aproximando rapidamente, o espaço ou o terreno abaixo se aproximando cada vez mais, etc. É muito bonito, além de emocionante: muito marmanjo pode ficar boquiaberto em tais momentos, afinal de contas, quem nunca sonhou em viajar pelo espaço desta maneira?

Starlink: Battle for Atlas

Vale também lembrar que podemos explorar o espaço livremente, incluindo cinturões de asteroides e destroços de naves espalhados por vários pontos. É sempre bom ficar de olho nestes destroços, aliás, pois muitas vezes eles contêm loot valioso.

No espaço também acontecem combates, vale lembrar. Diversas vezes somos removidos do hiperdrive por bandidos e piratas em busca de nossa carga, e aí a diversão é ainda maior do que quando estamos rente ao chão dos planetas.

Participamos, em tais momentos, de verdadeiros dogfights, com inimigos disparando frases de efeito pelo rádio ao mesmo tempo em que tentam acabar com a nossa raça. É uma pena, entretanto, que tais naves inimigas não representem grandes desafios: abatê-las é bastante fácil, creia-me.

Legião, Aliança e estratégia

Em Starlink: Battle for Atlas devemos combater a Legião, a qual pretende destruir completamente cada um dos planetas do sistema, utilizando para tanto unidades conhecidas como Primordiais e Extratores.

Extratores, aliás, causam grande devastação na região em que são “plantados”, ao minerar em busca de Electrum, mineral que é a principal moeda do jogo, além de ser bastante cobiçado, obviamente, pela Legião.

Vale destacar que à partir de determinado momento no jogo, somos introduzidos a mecânicas muito interessantes, que adicionam ainda mais camadas estratégicas ao jogo, o qual acaba ficando então mais divertido e complexo.

Starlink: Battle for Atlas

Devemos combater a Legião em todos os planetas de Atlas, e para tanto, devemos construir estruturas as mais diversas, como por exemplo observatórios, refinarias (que garantirão o Electrum para que possamos adquirir/comprar itens os mais diversos – imprescindível também no momento de tais construções), arsenais, etc.

Forças da Legião costumam ocupar grandes espaços nos planetas, e nós devemos combatê-las com afinco para reduzir sua presença nos mesmos de maneira tal a enfraquecer a própria Legião e seu líder, Grax.

É muito divertido construir postos avançados após derrotarmos ninhos de Pestes (um dos tipos de inimigos mais comuns no game), sendo que também acabamos sendo obrigados a convencer habitantes locais a fazer parte da nossa Aliança, a qual vai então se tornando cada vez mais forte e presente, lutando com ferocidade contra a Legião.

Há até mesmo uma seção que pode ser consultada à qualquer momento na Carta Celeste, a qual fornece um panorama geral (incluindo percentuais) a respeito da presença da Aliança e da Legião em cada Planeta. Limpar todos os planetas faz parte de nossa missão, e para isto devemos convocar o maior número possível de postos avançados e habitantes locais para nossa Aliança.

Toda esta questão de postos avançados, arsenais (que enviam expedições para combater as forças da Legião com frequência) e observatórios (que ajudam a descobrir a presença de inimigos nos planetas) acaba representando uma grande camada estratégica e de RPG em Starlink: Battle for Atlas: saímos do jogo de nave, nestes momentos, e temos de conversar com alienígenas pacíficos, realizar missões para eles, atualizar postos avançados, etc.

Quando observamos os vários planetas de Atlas através da Carta Celeste, podemos perceber vastos territórios nos mesmos envoltos em brumas ou em vermelho: isto significa que a Legião está aí presente, minerando em busca de Electrum, com seus Primordiais e seus Extratores.

Nossa missão é acabar com essa “festa” toda, destruindo os inimigos e suas estruturas, limpando a área (que permanece corrompida enquanto as forças inimigas nelas estiverem), e participando de divertidos combates durante os quais podemos testar diferentes tipos de armamento e desencadear combos sensacionais.

Starlink: Battle for Atlas

O jogo acaba não forçando o jogador em direção alguma, apesar de haver uma missão principal. Você é totalmente livre para ir onde e bem desejar, e este é um ponto extremamente positivo, em minha opinião.

O jogador pode optar por focar na Aliança, por exemplo, varrendo as forças da Legião dos planetas em Atlas, antes de partir para a missão principal. Ou então, existem diversas missões secundárias que podem ser obtidas em postos avançados. Aliás, é imprescindível evoluir bastante antes de partir para desafios maiores, como os grandes Couraçados.

Os vários planetas de Atlas também contam com diversas construções sob o domínio das forças de Grax, e libertá-las faz com que seus antigos donos retornem e se juntem à nossa Aliança. Ou seja, é uma forma de reforçar nossa presença e reduzir a presença da nefasta Legião.

Obs: vale lembrar que a versão para Switch de Starlink: Battle for Atlas conta com missões extras relacionadas e também com o personagem Fox McCloud, de Star Fox. Isto sem falar também na presença de outros personagens conhecidíssimos pelos fãs da icônica franquia, como por exemplo Slippy, Falcon e Peppy.

Starlink: Battle for Atlas

Finalizando

Este é um jogo, de qualquer maneira, divertidíssimo, capaz de proporcionar muitas horas de diversão a todos os fãs de games com temática espacial. Capaz de agradar imensamente a quem aprecia combates entre naves e algumas doses de RPG e estratégia.

Starlink: Battle for Atlas, além disso, conta com gráficos lindíssimos, além de espetaculares cutscenes em CGI. Cada planeta visitado representa um espetáculo e tanto, um verdadeiro colírio para os olhos, com paisagens e cenários de cair o queixo, e tudo isto em um jogo, no PC, extremamente bem otimizado e com requisitos recomendados até que bastante modestos. Recomendadíssimo!

A cópia de Starlink: Battle for Atlas utilizada neste review foi gentilmente cedida pela Nuuvem, a maior loja de jogos digitais para PC da América Latina. Lá você pode encontrar não apenas Starlink: Battle for Atlas, mas também uma série de outros games, incluindo muitas ofertas bacanas. O catálogo da loja é enorme, e inclui inclusive jogos ativáveis no Steam e no Uplay.

Ficha técnica

Título: Starlink: Battle for Atlas

Gênero: ação, aventura, espacial

Desenvolvedora: Ubisoft Toronto

Publisher: Ubisoft

Data de lançamento: 16 de Outubro de 2018 (PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch) / 30 de Abril de 2019 (PC)

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

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