Hype. Ah, como ele é capaz de nos pregar peças, não é? Mas vamos devagar. Eu aguardava com enorme ansiedade por Someday You’ll Return (página no Steam), jogo da desenvolvedora checa CBE software.

A CBE software, aliás, é uma desenvolvedora independente composta por apenas duas pessoas, Jan Kavan e Lukas Medev. E seu mais recente título é um jogo de horror psicológico ambientado nas florestas da Morávia.

Someday You'll Return

Eu mencionei o hype, acima, devido ao fato de que eu aguardava por um jogo mais focado no terror e no suspense, e com menos “ação”. Por algo mais assustador, estilo Amnesia, e menos, digamos, Daymare 1998.

Someday You'll Return

Mas de qualquer forma, Someday You’ll Return não é um jogo ruim. Pelo contrário. Ele é, isto sim, um jogo complexo. Grande, Difícil. E se você possui dificuldades com o inglês, bem, é importante frisar que o título conta apenas com legendas em checo e em inglês.

O novo título da dupla responsável por J.U.L.I.A.: Among the Stars conta com uma mistura de diversos elementos, incluindo crafting, herbalismo, aventura e, é claro, horror psicológico.

Sobre Someday You’ll Return

O jogo demora um pouco para “engrenar”. Os dois primeiros capítulos funcionam como uma espécie de tutorial, apresentando ao jogador as mecânicas do jogo e, também, um pouco de seu enredo, além da personalidade de Daniel, o protagonista.

Someday You'll Return

Estamos na República Checa, em uma belíssima floresta. Mais precisamente, nas florestas da Morávia. Someday You’ll Return é um título de horror com um ritmo bastante lento, cadenciado, meio que “pingando”, a conta gotas, oferecendo horror intercalado com belezas e diversos outros elementos.

Temos um pai desesperado em busca de sua filha desaparecida, e temos também um ambiente belíssimo para explorar (OK, muitas vezes a beleza é substituída por elementos de pesadelo, caos, terror, mesmo).

Someday You'll Return

Trata-se, também, de um jogo difícil. Difícil no sentido de exigir muita exploração por parte do jogador, além de contar com diversos puzzles capazes de fritar muitos neurônios.

Aguarde por algo em torno de 15 a 20 horas de gameplay, o que é um “alívio”, digamos, em tempos em que experiências bastante curtas são lançadas, muitas vezes custando o mesmo que o jogo da CBE Software.

Tudo bem, não podemos julgar o valor de uma obra atrelados à sua duração, eu apenas tentei definir um ponto para comparação e precificação: Someday You’ll Return custa atualmente R$ 59,39, no Steam.

Someday You'll Return

Mas fique avisado mais uma vez: trata-se de um jogo bastante difícil. Complexo. Muitas vezes estonteante. E, infelizmente, com muito mais ação (incluindo ação furtiva) do que eu gostaria.

A história de Someday You’ll Return

Someday You’ll Return conta a história de Daniel, um pai em busca de sua filha, Stela, a qual desapareceu misteriosamente.

Someday You'll Return

Tudo começa a ficar bastante estranho já à partir do momento em que chegamos à enorme e belíssima floresta e travamos contato com uma misteriosa senhora idosa, a qual gargalha loucamente após trocar conosco algumas palavras.

Isto, aliás, acontece após Daniel conversar através do celular com sua ex-esposa, Ida, e perceber que ela também desconhece o paradeiro de Stela.

O protagonista, aliás, conhece muito bem o local no qual se encontra (sem spoilers, ok?), local este ao qual havia jurado nunca mais retornar.

Someday You'll Return

No título, à partir daí, começa então uma verdadeira “caçada”, tendo como objetivo encontrar qualquer vestígio ou rastro de Stela.

Someday You'll Return

Daniel, em sua jornada, lidará com seus sentimentos ligados à paternidade, além de uma certa recusa em aceitar determinados eventos de seu passado. Ele mesmo retorna, durante sua busca, a locais já conhecidos, o que fica bem claro para o jogador, aliás.

NPCs ao longo da trama também são bastante interessantes, alguns deles dando a entender que o personagem principal possui certos “esqueletos no armário”, digamos.

Algo também muito bacana no jogo é o fato de encontrarmos vários QR Codes espalhados pela antiquíssima floresta, os quais funcionam corretamente se apontarmos a câmera de nosso smartphone para os mesmos.

Someday You'll Return

Lidando com herbalismo

Somos então levados a mapas das localizações exatas às quais os códigos em questão se referem, podendo assim descobrir mais a respeito dos locais sendo visitados.

A velha floresta conta inclusive com um antigo mosteiro, também velho conhecido do protagonista, sendo que o jogo também lida com mitos antigos, alguns datando do século IX.

A Besta

Há uma Besta, em Someday You’ll Return. Uma criatura que é até difícil de caracterizar, uma vez que parece possuir características humanas mas muitas vezes age como um animal, chegando a grunhir.

Someday You'll Return

Ela persegue Daniel, algumas vezes, causando grande pavor no protagonista (e no jogador, enorme ansiedade). Tais perseguições são sempre acompanhadas de elementos estranhos, como por exemplo arames e pontas de ferro brotando das paredes, os quais são capazes de ferir (e até matar) o personagem principal.

Jogando Someday You’ll Return

O gameplay de Someday You’ll Return é bastante interessante. Entretanto, me decepcionei um pouco com o jogo, como disse no primeiro parágrafo (quando comentei a respeito do hype).

Pois, obviamente, eu esperava por uma experiência mais centrada no horror, e com menos, digamos, momentos de ação.

Someday You'll Return

Existem até mesmo momentos em que temos de agir furtivamente, nos movendo lentamente e agachados, sob pena de sermos encontrados por certas “entidades demoníacas” que nos matam em questão de segundos.

O jogo pode frustrar bastante alguns jogadores, também, devido ao enorme número de detalhes com os quais temos de lidar, incluindo puzzles complicadíssimos. Além disso, ele não é nada linear.

Someday You'll Return

Daniel bem rapidamente se encontra meio que perdido em meio à imensa e fantástica floresta, sem seu celular e seu GPS. Algumas vezes, parece até que “algo” tenta guiar o protagonista.

Someday You’ll Return também lida com temas delicados, como por exemplo paternidade, um protagonista que sente muitas vezes que abandonou sua família, e também com uma certa leviandade por parte do mesmo em relação à sua ex-esposa.

Someday You'll Return

Daniel também é extremamente arrogante, grande parte do tempo, a tal ponto que chega a irritar o jogador (e isto não é ruim, veja bem – faz parte da personalidade do protagonista).

Herbalismo

Em diversos momentos temos de lidar com herbalismo, no título. Isto após criarmos, através de seu sistema de crafting, a devida mesa para tal.

Someday You'll Return

Feito isto, podemos colher plantas as mais diversas e criarmos também poções as mais diversas, com várias finalidades, incluindo antídotos contra envenenamento.

O sistema permite que sigamos receitas à risca, macerando plantas, extraindo suas raízes, misturando-as, cortando-as, e lançando-as em uma panela para o devido cozimento. É algo bastante interessante e bonito, além de instigante e completo. Nota 10, aqui!

Gráficos, áudio e trilha sonora

Desenvolvido na Unreal Engine 4, Someday You’ll Return conta com gráficos belíssimos. Lindíssimos, verdadeiramente. O jogo representa um espetáculo visual de encher os olhos.

A floresta da Morávia é lindíssima, no game. Árvores são reproduzidas com enorme nível de detalhes. Troncos, flores, folhas e cogumelos, além de outros representantes da bela flora do local, foram todos recriados com altíssimo nível de detalhes.

Tudo é bastante primoroso, graficamente falando, no novo jogo da CBE Software, e impressiona bastante saber que trata-se do trabalho de apenas duas pessoas. De dois desenvolvedores indie extremamente talentosos, com certeza.

Someday You'll Return

Além disso, a iluminação da floresta, a qual conta com ciclos de dia e noite (a noite é verdadeiramente assustadora, no jogo), é fantástica, e o sol se imiscuindo por entre as copas das árvores é um espetáculo e tanto, incluindo seus reflexos e a dificuldade de enxergar caso para ele olhemos diretamente. O mesmo pode ser dito da água – diversos e belos riachos atravessam a linda floresta.

Consegui jogar com tudo no ultra, a 60 frames por segundo, sem qualquer problema, sem qualquer queda: o jogo rodou “liso”.

A trilha sonora também é lindíssima, apenas é uma pena a desenvolvedora não ter feito uso da mesma com maior frequência: grande parte do tempo, tudo o que temos é o silêncio avassalador.

Claro, fora de momentos de perigo, de momentos em contato com a escuridão perigosa, ouvimos claramente o farfalhar das folhas, os sons dos pássaros ao redor, o barulho chamativo da água.

Gráfica e sonoramente falando, também, Someday You’ll Return é um verdadeiro espetáculo.

Fiquei um tanto quanto decepcionado, entretanto, com o trabalho de dublagem do protagonista. Achei o dublador bastante fraco: mais parece que ele está lendo um mero texto em sua frente do que atuando, verdadeiramente.

Someday You'll Return

Algumas considerações finais

Someday You’ll Return é difícil, disto não restam dúvidas. Jogadores mais afoitos provavelmente desistirão dele muito rapidamente. É necessária muita exploração, além de enorme atenção a detalhes.

Detalhes muitas vezes pequenos que, lá na frente, farão toda a diferença do mundo. Além disso, para um jogo de horror psicológico, creio que ele conta com ação demais.

Someday You'll Return

Tudo bem, alguns jogadores poderão até mesmo não enxergar problema algum neste detalhe, mas eu aguardava por algo um pouco diferente. Por algo mais sutil.

Por algo mais sombrio, mais às escuras, mais “dark”, digamos. Se eu fosse você, aguardaria por uma promoção, no Steam, para então adquiri-lo.

A CBE Software também avisou que o jogo será lançado para consoles (Xbox One e PS4), até o final de 2020. De qualquer forma, trata-se de um jogo muito interessante.

Ficha técnica

Título: Someday You’ll Return

Gênero: aventura, horror, psicológico

Desenvolvedora: CBE Software

Publisher: CBE Software

Lançado em: 05 de Maio de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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