Silver Chains, jogo de horror com perspectiva em primeira pessoa da desenvolvedora russa Cracked Heads Games, é todo ambientado em uma enorme e abandonada mansão vitoriana. Os gráficos do jogo, desenvolvido com a Unreal Engine 4, são muito bonitos, e ajudam a tornar todos os ambientes ainda mais assustadores.

Particularmente, adoro boas histórias, e é isto o que Silver Chains nos apresenta. Peter, o protagonista, sofre um acidente de carro, bem diante da grande mansão abandonada. Ao dela se aproximar, inexplicavelmente ele desmaia, acordando logo a seguir dentro da mesma.

Silver Chains

Seguem-se então eventos muitíssimo estranhos, além de assustadores, muitos deles envolvendo o próprio passado do personagem principal, o qual está ligado de forma extremamente forte àquele local, fato este que ele vai descobrindo paulatinamente, enquanto o jogador explora a mansão e seus mistérios.

Vale ressaltar que Silver Chains possui forte foco na exploração e na narrativa, motivos que me levaram a adorá-lo. Um de seus defeitos, entretanto, é sua curta duração: ele pode durar entre 4-7 horas, dependendo do jogador. Uma pena.

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De qualquer forma, Peter vai tendo contato com fantasmas um tanto quanto amigáveis, apesar de assustadores, e também com estranhos relatos a respeito de uma passagem anterior pela tal casa. É de suma importância na trama, também, o fantasma assustador de uma mãe amargurada devido à morte de seus filhos, Ellie e Timmy.

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Este fantasma costuma aparecer em momentos cruciais do jogo (quando algo importante é desvendado ou coletado, por exemplo), e a única “arma” do jogador, então, é se esconder.

Aqui faço até mesmo uma comparação com a franquia Amnesia, da Frictional Games, pois em Silver Chains estamos totalmente desprotegidos em meio ao tétrico ambiente que nos rodeia. Fugir, correr, nos escondermos em armários: isto é tudo o que podemos fazer quando a mãe assustadora aparece em cena. Caso sejamos por ela pegos, é morte na certa.

O jogo conta com alguns puzzles simples, à partir dos quais obtemos então acesso a áreas antes inatingíveis, por exemplo. Aliás, a mansão é cheia de segredos, de passagens secretas, de móveis que podem ser arrastados e revelarem nichos obscuros, etc.

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O jogo de horror também conta com uma trilha sonora bastante apropriada, repleta de sons orquestrais e pianos (aliás, vale ressaltar o belíssimo momento em que o protagonista pode se sentar ao piano e tocar um pequeno trecho do primeiro movimento da Sonata ao Luar, de Beethoven – a bela música acaba, no entanto, trazendo ainda mais horror àquele ambiente estranho e repleto de sombras).

Não faltam elementos que caem ou se soltam conforme passamos, e a velha mansão parece até mesmo viva. Madeiras rangem constantemente, velhas cadeiras de balanço são postas em movimento ao mais leve toque, luzes se acendem e se apagam, e o game inteiro parece conspirar para deixar o jogador extremamente assustado.

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Existem jumpscares em Silver Chains, mas no geral somos brindados com uma quantidade considerável de sustos os mais variados, incluindo elementos fantasmagóricos e, é claro, a presença sempre assustadora e perigosa da mãe amargurada e perseguidora.

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Uma história triste também é revelada, pouco a pouco, à partir de bilhetes e anotações pertencentes a um diário. Uma história que envolve a mulher/mãe, seus dois filhos e seu marido, além de uma criada chamada Tamsin.

Certos rituais foram realizados na assustadora casa, muito tempo atrás, e há inclusive a possibilidade de nos comunicarmos com os seres do outro mundo através de um tabuleiro Ouija. É tudo bem interessante e tenebroso, devo ressaltar, porém sempre dentro do contexto da obra.

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Há, inclusive, uma certa melancolia inerente ao enredo como um todo, a qual engloba todos os moradores que um dia transitaram por aqueles velhos corredores. Há tristeza, há desespero, há saudade e, claro, há a morte, sempre presente, inclusive se mostrando sempre pronta a abocanhar o protagonista, caso este se descuide.

A casa onde tudo acontece não é lá muito grande, verdade seja dita, e o jogo nos apresenta, em determinados momentos, uma certa linearidade, de forma um tanto quanto similar àquilo que observamos em Layers of Fear: somos meio que conduzidos por mãos invisíveis, tentando porta fechada após porta fechada, até que atinjamos alguma aberta que libere nossa passagem para outro assustador cômodo ou ala.

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Silver Chains também oferece ao jogador um monóculo, através do qual é possível que os próximos objetivos sejam rastreados. Obviamente, temos apenas a indicação da posição dos mesmos, e será nosso trabalho (algumas vezes árduo) chegar até o item em questão, através da resolução de puzzles, através da exploração, através de tentativa e erro, etc.

Os cenários são geralmente bem iluminados, apesar das fontes de iluminação geralmente se restringirem a um ponto em específico, deixando tudo o mais na penumbra. Para estes casos, como em Amnesia, contamos com uma prática lanterna, a qual, aliás, utilizamos bastante.

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A ambientação do jogo é fantástica. Uma tempestade furiosa lança raios e trovões com bastante frequência sobre telhados e janelas, e nestes momentos tudo ao redor é iluminado, sendo que muitas vezes podemos nos assustar com nossa própria sombra. Tal tempestade, aliás, acompanha o jogador do início ao final do jogo, e vale ressaltar também que o título conta com referências a rituais de magia e possessão.

A própria morte dos filhos da “mãe assustadora” é algo suspeito. Tal acontecimento deu origem a outra grande tragédia. Erros foram cometidos, e espíritos atormentados ainda perambulam pelos velhos corredores, presos por grilhões invisíveis àquele cenário de tragédia.

Silver Chains

Existem alguns problemas em Silver Chains, infelizmente. Em vários momentos, temos de interagir com elementos do cenário: alavancas, fechaduras de portas, tábuas soltas no chão que devem ser movidas, etc.

E o “prompt” para a devida interação, muitas vezes, não aparece rapidamente, ou então exige que realizemos verdadeiros malabarismos para que ele se apresente. Nestes momentos, não é raro termos de ficar clicando em vários pontos ao redor e/ou movimentando o mouse sem parar, até que a letra “E”, por exemplo (joguei utilizando teclado e mouse), apareça.

Além disso, o jogo, que primou bastante por uma atmosfera tétrica, sinistra, mesmo, bem obscura, desde o início, nos apresenta um final que é meio que um anticlímax. Nos momentos finais de Silver Chains, o jogador tem de lidar com, bem, com algo que não deveria estar ali. Com uma espécie de “jogo de gato e rato”: algo bem chato e que remove totalmente o horror que deveria ali pairar.

Mas no geral, Silver Chains é um excelente título de terror. Um jogo desenvolvido com extremo esmero, que nos apresenta uma narrativa sólida e envolvente, uma ambientação fantástica e assustadora, e personagens verdadeiramente dignos de nota, sejam eles vivos ou mortos.

Silver Chains

O título da Cracked Heads Games apresenta ao jogador excelentes sustos, além da presença de um demônio antiquíssimo que certamente é a causa de todos os dissabores enfrentados por aqueles que um dia ocuparam a velha mansão.

O objetivo final de Peter, o protagonista? Sair de tal local tenebroso. Ele conseguirá? Jogue para saber, mais saiba que a tarefa não será nem um pouco fácil. Lágrimas, aliás, escorrerão em diversos momentos.

Ficha técnica

Título: Silver Chains

Gênero: horror

Desenvolvedora: Cracked Heads Games

Publisher: Headup

Data de lançamento: 06 de Agosto de 2019

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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