Confesso que tenho grande apreço por filmes de terror asiáticos. Já em relação a jogos eletrônicos asiáticos, confesso que não conhecia nenhum. Isto até me deparar com Pulang: Insanity (página no Steam), desenvolvido pelo estúdio OZYSOFT, sediado na Indonésia.

Desenvolvido em Unity, o primeiro trabalho da OZYSOFT é uma verdadeira joia rara pertencente ao gênero do horror. Pulang: Insanity, foi lançado no último dia 13 de Março, para PC, através da loja da Valve, e infelizmente pode ter passado “batido” pelo radar de muitos jogadores. O indie game surpreende, verdadeiramente, apesar de um ou outro problema pontual.

Pulang: Insanity

Um dos perturbadores desenhos da filha do protagonista

A história de Pulang: Insanity

O título de terror pega carona no folclore da própria Indonésia, país situado no sudeste da Ásia. Segundo os desenvolvedores, eles também buscaram inspirações em “fatos reais” ocorridos na Ilha de Bornéu; eles também citam um serial killer indonésio, vale lembrar, como uma das inspirações para os eventos vistos no jogo.

No game, temos algo chamado ritual “Pesugihan” e entidades maléficas (no game) conhecidas como Djinn.

Obs: fiz uma pesquisa rápida e pude averiguar que o termo acima também se refere aos “Gênios”, conforme os conhecemos através da mitologia árabe.

Pulang: Insanity

Bem, voltando ao jogo e ao ritual “Pesugihan”, trata-se de uma espécie de pacto, digamos, com entidades maléficas, com a finalidade de obter-se ganhos materiais, em grandes quantidades.

O protagonista do jogo, Rudiansyah, ou simplesmente Rudi, é um homem que passou por grandes dificuldades financeiras em determinado ponto de sua vida (documentos in-game sugerem que todos os eventos descritos acontecem em 2010).

Em certo momento, ele realizou, então, o tal ritual “Pesugihan”, e através do mesmo, conseguiu não apenas resolver suas pendências financeiras, mas também ganhar muito, muito dinheiro, dinheiro este que lhe conferiu diversas regalias, digamos, na vida (mansões, carros, etc).

Pulang: Insanity

Acontece que o ritual, o pacto com as tais entidades maléficas, requer um certo número de sacrifícios de vidas humanas, de tempos em tempos. E infelizmente, a própria filha de Rudi, Ayunda Nissa, acabou morrendo (segundo o jogo sugere, devido ao ritual – ela se suicidou).

Uma jogo e uma estética peculiar

Pulang: Insanity é um jogo muito bonito. Ele também está repleto de referências ao país de seus desenvolvedores, e inclui desde máscaras penduradas em paredes, passando pela opção de jogarmos em indonésio (Bahasa Indonesia), até estatuetas e outros ornamentos.

Pulang: Insanity

É difícil não se assustar…

Nas telas de loading do game, também, geralmente observamos figuras femininas envergando trajes típicos asiáticos que se assemelham bastante a quimonos.

Pulang: Insanity

Em determinado ponto do gameplay, também somos “convidados” a caminhar por uma soturna vila indonésia, à noite, em meio a uma enorme ventania e observando, de tempos em tempos, corpos pendurados em árvores e outros “adereços aterrorizantes”.

O jogo possui toda uma atmosfera oriental, digamos assim, a começar pela grande casa de Rudi, o protagonista. Não faltam também textos em indonésio (eles existem, e aos montes), seja em placas espalhadas pelo caminho, seja em bilhetes ou cartas passíveis de serem encontrados.

Obs: tudo pode ser devidamente traduzido para o inglês.

Pulang: Insanity

Em Pulang: Insanity, o jogador é imerso em ambientes que transpiram terror. Menções a outras mortes suspeitas também podem ser encontradas, na forma de bilhetes ou recortes de jornais bastante perturbadores.

Isto sem falar, obviamente, nos desenhos de Nissa com os quais nos deparamos vez ou outra: ela chega até mesmo a mencionar um determinado “amigo imaginário”, veja só, e a desenhá-lo (sua aparência é, também, muito perturbadora).

Pulang: Insanity

Jogando

O game se foca bastante em criar uma atmosfera envolvente e perturbadora. Ao extremo. Recomendo firmemente que você jogue durante a noite e com o uso de headsets, para uma melhor experiência.

Pulang: Insanity conta com perspectiva em primeira pessoa, mas existe uma determinada sequência (bastante perigosa, aliás) em que a câmera muda para terceira pessoa.

Pulang: Insanity

Com enorme frequência visualizamos fantasmas e outras criaturas/situações estranhas. Pedaços de panos sugerindo corpos enrolados são vistos rapidamente sendo puxados para dentro de alguma sala.

Choros e gritos de crianças são ouvidos em diversos momentos, e aqui um bom headset fará toda a diferença do mundo, para que você consiga localizar com precisão a origem do som.

Ao melhor estilo dos ótimos filmes de horror asiáticos, de vez em quando topamos com aparições de arrepiar os cabelos, as quais são capazes até, dependendo da situação, de matar o protagonista. Nestes momentos, então, o último checkpoint é carregado.

Muitas vezes, além disso, as aparições chegam bem perto de Rudi, o protagonista, e nestes casos é possível mais de um desfecho (mas não vou dar spoilers aqui).

Pulang: Insanity

Vale também lembrar que, assim como na franquia Amnesia, o personagem principal é extremamente frágil: ele não empunha nenhum tipo de arma. Tudo o que ele pode fazer é fugir.

Além disso, ele tem em seu poder uma lanterna (que pode ser substituída por um velho candeeiro em determinados pontos do gameplay): tudo para iluminar seu caminho em meio aos perigos que espreitam na escuridão.

Gráficos e trilha sonora

Digamos que Pulang: Insanity seja um indie game AA. Desenvolvido em Unity, como já dito acima, ele conta com gráficos bastante competentes, capazes realmente de criar toda uma atmosfera de terror.

Pulang: Insanity

As texturas são OK, e os efeitos de iluminação, partículas e sombras, em conjunto, também conseguem levar o jogador literalmente “à loucura”, digamos, à medida em que este observa cada vez mais elementos gráficos assustadores sendo postos em ação por “mãos invisíveis”.

Os efeitos de pós-processamento também ficaram muito bacanas, e o jogo, com tudo isto, não é pesado: ele é capaz de rodar em uma ampla gama de computadores, além de permitir que o jogador ajuste diversos parâmetros gráficos em suas configurações.

A trilha sonora de Pulang: Insanity é bastante ambiental, e consegue deixar o jogador verdadeiramente perturbado, durante boa parte do tempo. Ela também está à venda, separadamente, vale ressaltar.

Obs: a trilha sonora também faz parte, juntamente com um artbook, da “Lunatic Edition” do game.

Pulang: Insanity

Os efeitos sonoros também estão de parabéns, principalmente nos momentos em que os “famigerados” jump scares acontecem.

Algumas considerações finais

Pulang: Insanity não tenta se centrar meramente em jump scares. Não! De maneira oposta, ele foca na criação de uma ambientação perturbadora ao extremo, principalmente quando estamos fora de casas e de outros edifícios.

Pulang: Insanity

Tal ambientação, digamos, é formada por um conjunto de elementos: gráficos, trilha sonora, sonoplastia, jogabilidade e enredo.

As vilas, acredite em mim, são bastante assustadoras, principalmente devido ao fato de que perambulamos por elas à noite, e figuras estranhas ao extremo podem ser vistas, vez ou outra, se esgueirando pelos cantos.

Isto sem contar com os corpos dependurados, com as luzes tremulantes e com os labirintos que estas vilas formam, muitas vezes.

O jogo, além disso, possui todo um jeitão old-school, tanto no que diz  respeito à utilização do inventário quanto no que diz respeito à forma como abrimos as portas e gavetas (lembra bastante de Amnesia: The Dark Descent): temos de realizar o movimento de abrir e fechar, conduzindo o símbolo de uma mão exibido em tela.

Pulang: Insanity

E para você ter uma ideia, para usar a lanterna, é preciso abrir o inventário (com a letra “I”) e então selecioná-la. Caso você pressione “X”, por exemplo, acidentalmente, para guardar a mesma, será necessário repetir todo o processo, para que seu caminho seja então iluminado novamente.

Um problema bastante complicado, entretanto, existe no título da OZYSOFT: os checkpoints são muito distantes um do outro, e não existe nenhum tipo de comando para salvar o progresso de tempos em tempos.

Além disso, em determinados momentos, o áudio das falas some totalmente, tudo isto enquanto você observa perfeitamente as legendas sendo exibidas, em tela. E ao subir ou descer escadas, em alguns momentos parece que o protagonista simplesmente desliza, ao invés de caminhar/andar.

Pulang: Insanity

Notei também alguns crashes um tanto quanto inexplicáveis, mas os desenvolvedores estão trabalhando à todo vapor, e diversos updates já foram lançados: acredito que em breve tais problemas sejam resolvidos.

De qualquer forma, Pulang: Insanity é um grande jogo de horror. Um jogo repleto de misticismo e com um enredo interessantíssimo. Trata-se de uma verdadeira joia indie, a qual não pode passar desapercebida pelo seu radar. Recomendadíssimo!

Obs: há também uma demo gratuita disponível na página do jogo no Steam, vale lembrar.

Ficha técnica

Título: Pulang: Insanity

Gênero: terror, horror

Desenvolvedora: OZYSOFT

Publisher: OZYSOFT, WhisperGames, Mayflower Entertainment

Lançado em: 13 de Março de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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