Em Moons of Madness temos uma história que se passa totalmente em Marte, o famoso Planeta Vermelho. No título, desenvolvido pelo estúdio norueguês Rock Pocket Games e publicado pela Funcom, temos também grandes doses de horror cósmico Lovecraftiano.

Moons of Madness também pode evocar em alguns jogadores lembranças de Dead Space, por exemplo, e até mesmo de Alien: Isolation, no tocante às instalações entre as quais perambulamos.

Moons of Madness

Sobre o horror cósmico de H.P. Lovecraft

Aliás, para melhor introduzir você, leitor, no universo criado pela Rock Pocket Games, vale também a pena falar um pouco a respeito das inspirações do estúdio durante o desenvolvimento de Moons of Madness, essencialmente aquelas ligadas a H.P. Lovecraft e sua obra.

Moons of Madness

Nos contos do autor norte-americano, a humanidade não é nada. Deus não existe, e estamos à mercê de criaturas antiquíssimas e extremamente poderosas, as quais têm lá seus próprios interesses e conhecimento e pouco se importam conosco. Criaturas, aliás, que podem interferir no próprio espaço-tempo e até mesmo acabar com a realidade como a conhecemos.

Contos como, por exemplo, “O Chamado de Cthulhu”, “Nas montanhas da loucura” e “A sombra vinda do tempo” (um de meus contos prediletos de Lovecraft), deixam tudo isto bem claro, sem falar no elemento horror, o qual habita tais escritos de maneira soberba.

Moons of Madness

A história e o horror de Moons of Madness

Em Moons of Madness, temos um prato cheio para quem adora o Cosmicismo de Lovecraft. No papel principal, temos o engenheiro chefe Shane Newehart, o qual é enviado à Marte em uma missão de exploração, juntamente com alguns outros especialistas, incluindo a botânica Inna Volkova, a qual possui papel bastante importante na trama.

Todos estão à serviço de uma organização multinacional conhecida como Orochi, e o jogo começa com Shane em meio a um pesadelo no qual tentáculos podem ser vistos claramente (menção a Cthulhu, obviamente, e logo no início do game).

Shane foi para Marte mentindo para seu pai, dizendo a este último que havia sido enviado para uma missão na Antártida; ao que tudo indica, temos aqui também referências ao conto “Nas montanhas da loucura”, e o título não deixa de incluir, portanto, criaturas meio vegetais, meio animais.

Moons of Madness

Acontece que em Moons of Madness, somos constantemente “bombardeados” com referências ao trabalho de Lovecraft. E isto é ótimo, principalmente se levarmos em consideração o fato de que os trabalhos do mestre do terror geralmente contam com a presença de seres de outros mundos e/ou realidades, além de referências científicas bastante acuradas e menções a viagens no tempo, por exemplo.

Moons of Madness

Este último elemento (viagem no tempo), aliás, não deixa de marcar presenta no título, bem como fendas abertas no tecido da realidade. Shane deve manter tudo funcionando em perfeitas condições, em sua base: este é seu trabalho primário como engenheiro.

Moons of Madness

Solução de problemas e ambientação

E isto se dá, do lado do jogador, através da resolução de uma série de puzzles, os quais variam em dificuldade e em mecânicas. Temos puzzles para o acionamento de mecanismos os mais diversos, puzzles para controle remoto de câmeras, quebra-cabeças para acionamento de motores, etc. Temos até mesmo “puzzles alienígenas”.

Moons of Madness

O jogo conta com uma quantidade enorme deste elemento, e embora seja dito que ele possa ser finalizado em cerca de 8-10 horas, você poderá levar um pouco mais do que isso justamente devido aos tais quebra-cabeças, pois alguns deles realmente são “causadores de problemas”.

A ambientação de Moons of Madness insere o jogador em um cenário que lembra realmente uma base terrestre em outro planeta. Corredores se sucedem e são intercalados por salas repletas de maquinário científico.

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Ao sairmos para fora, ou seja, para a superfície do Planeta Vermelho, somos obrigados a envergar um traje espacial e a ficar de olho no nível de oxigênio do mesmo, sendo que este elemento pode ser reabastecido em estações especificamente construídas para tanto.

O jogo conta com uma superfície marciana belamente retratada: temos toda a poeira vermelha, rochas e tempestades de areia, além de um sol avermelhado sempre nos lembrando de que ainda estamos em nosso Sistema Solar.

Moons of Madness

Moons of Madness coloca o jogador em situações bastante angustiantes, e faz com que este encare pesadelos, outras realidades e também o contato com situações que envolvem criaturas ancestrais conhecidas como “Adormecidos” e “Sonhadores”. Até mesmo o livro Necronomicon faz parte da trama, veja só.

O Planeta Vermelho e seus perigos

Há algo ali em Marte. Algo antigo, maléfico, que desdenha dos interesses humanos. Algo que tem relação com as duas luas do planeta, aliás (Fobos e Deimos), e que não está nem aí para os esforços humanos que visam colonizar o planeta.

Moons of Madness

Trata-se de algo inteligente, mas nem por isso menos letal e/ou perigoso, principalmente porque determinadas pesquisas levadas à cabo por certo membro da equipe de Shane acabam levando a resultados desastrosos. Pesquisas estas, é importante destacar, que têm a ver com elementos encontrados no próprio planeta.

Podemos também pilotar um veículo terrestre sobre a superfície de Marte, além de nela caminhar por curtos períodos. O veículo com o qual viajamos em Marte é o Myrcat: infelizmente, entretanto, nossa interação com tal veículo se resume a ligar seus motores. À partir daí, tudo o que se passa em tela faz parte de uma cutscene, nos levando aos locais desejados.

Moons of Madness

Moons of Madness apresenta ao jogador uma mistura entre ficção científica e terror. Como tal, existem elementos de alta tecnologia com os quais temos de lidar, obviamente, e também existem elementos ancestrais, recém descobertos pela Orochi no Planeta Vermelho.

Antiquidade e jogabilidade

Moons of Madness coloca o jogador na pele de alguém totalmente indefeso. Alguém cuja única “arma” é a fuga: não tente enfrentar nenhuma das ameaças que aparecem ao longo do gameplay, pois você morrerá de maneiras horríveis.

Moons of Madness

Shane possui lá também seus próprios demônios internos, os quais resolvem aparecer com força ainda maior durante sua permanência em Marte. Vale lembrar que sua mãe, Cinthia, é uma renomada pesquisadora, responsável por trabalhos e livros que interessam bastante às organizações Orochi.

Bem, mas voltando ao jogo em si, Shane sofre, fica amedrontado, e sua respiração fica ofegante à simples imagem de algum dos inúmeros horrores que perambulam pelos belos cenários de Moons of Madness.

Ele corre. Ele fica ofegante. Ele grita. De certa forma, tais situações no jogo da Rock Pocket Games nos remetem à franquia Amnesia, e isto é ótimo. A sensação de fragilidade que sentimos ao jogar é algo notável.

Moons of Madness

Algumas considerações finais

Moons of Madness apenas falha, por exemplo, em estabelecer uma ligação mais forte entre o protagonista e os demais membros da Orochi que vivem no Planeta Vermelho. Vale lembrar, aliás, que salvo um determinado momento, jamais temos contato direto com nenhum deles: permanecemos a maior parte do tempo sozinhos, com nossos demônios interiores e exteriores.

Um grau maior de interatividade e de amizade entre Shane e os outros membros, mesmo que somente através do rádio, teria sido muitíssimo bem vindo. Além disso, o jogo seria enormemente beneficiado caso pudéssemos realmente pilotar o veículo Myrcat (veja acima) na superfície marciana.

Vale também lembrar que o título demora um pouco a “engrenar”: você sentirá alguma emoção após cerca de 2 horas de jogo. Mas basta não desanimar nos instantes iniciais para apreciar então um belo jogo com temática inspirada em H.P. Lovecraft.

Moons of Madness

Existe também em Moons of Madness um bug bem chato, o qual altera de vez em quando a resolução pré-definida pelo usuário. Por exemplo, no meu caso, tendo definido como padrão a resolução 1920 x 1080, tive por várias vezes que ajustar novamente as coisas, pois após um “sair e entrar” do jogo, a resolução estava definida para valores bem diferentes (isto aconteceu também, algumas vezes, durante a utilização do comando ALT+TAB, por exemplo).

Moons of Madness

Os puzzles, também (infelizmente), são capazes de quebrar a imersão do jogador. Você está lá, na maior tensão, à espera do que poderá vir ao dobrar a próxima esquina, e é barrado por um puzzle dificílimo, o qual levará bons minutos para ser resolvido. Trata-se de um verdadeiro anticlímax.

Moons of Madness

De qualquer forma, Moons of Madness vale o seu tempo e o seu dinheiro, principalmente se você aprecia bons jogos de terror mesclados com ficção científica. E se você é fã de Lovecraft, então, não espere: adicione o jogo logo à sua coleção.

Ficha técnica

Título: Moons of Madness

Gênero: horror, primeira pessoa, ficção científica, Lovecraftiano

Desenvolvedora: Rock Pocket Games

Publisher: Funcom

Data de lançamento: 22 de Outubro de 2019

Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4

Versão analisada: PC

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