LUNA The Shadow Dust, assim como o recente Florence, é um daqueles títulos que você finaliza e fica triste: a experiência foi sensacional demais, para acabar assim tão rápido. Os gráficos eram lindíssimos. A ambientação e a trilha sonora eram espetaculares. Tudo foi belo, e agora resta a saudade.

Lindo game. Belíssima experiência. Ok, nada que um novo playthrough não resolva, obviamente, mas nunca será igual à primeira vez.

O estúdio

Desenvolvido pela pequena Lantern Studio, sediada na China, o jogo é o resultado impressionante do trabalho de apenas quatro desenvolvedores: Beidi Guo (diretor de arte), Fox (gerente de projeto), Wang Guan (programador) e Wang Qian (responsável pela lindíssima trilha sonora – vendida separadamente, vale lembrar).

LUNA The Shadow Dust

A torre

Segundo consta na própria descrição do título no Steam, em LUNA temos cenários totalmente pintados à mão. Além disso, são:

12 fotogramas por segundo, 3 camadas por fotograma. Mais de 250 animações e 20 minutos cinematográficos“.

LUNA The Shadow Dust

Cada minuto jogando LUNA The Shadow Dust é puro deleite. Pura emoção. O jogo da inspiradíssima Lantern Studio não deixa também de buscar inspirações no folclore chinês (em seus momentos finais), e representa uma aventura que deve ser vivida com extrema atenção a todos os seus deliciosos detalhes.

A história de LUNA The Shadow Dust

No jogo,temos dois protagonistas. Dois personagens jogáveis. Um garoto chamado Üri e uma estranha criatura que lembra um pouco uma ovelha, chamada Layh.

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Üri acorda em um deserto escuro e tem diante de si uma estranha porta. Algo que parece levar ao nada. Ledo engano, e aos poucos o garoto observa uma enorme torre se formar. Uma torre cujo topo ele não consegue enxergar, tão alta ela é.

A torre é escura, assim como escuro se tornou o mundo, após uma estranha e possivelmente maléfica matéria escura ter dele se apossado, lançando sombras sobre tudo e todos.

LUNA The Shadow Dust

LUNA The Shadow Dust conta com gráficos e animações que remetem às obras do Studio Ghibli, e isto é muito bacana. Tudo é repleto de enorme mistério, e a torre é, na verdade, uma espécie de “central de puzzles”. Resolver cada um dos puzzles, em cada uma das salas, é necessário para que o jogador galgue cada vez mais degraus em direção ao topo.

LUNA The Shadow Dust

É possível alternar entre os dois personagens jogáveis à qualquer momento, sendo que a torre está dividida em diversas salas, conforme mencionado acima. Cada sala representa um quebra-cabeças a ser resolvido, e cada um destes conta com lindíssimas animações.

A história do jogo é contada inteiramente sem diálogo algum. Não existe nenhum tipo de texto, legenda ou fala em LUNA, exceto pela aparição bastante frequente de um estranho e incompreensível dialeto, talvez um dos últimos resquícios de uma antiga civilização.

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Üri, o garoto, não sabe muito bem o que faz ali: tudo o que ele sabe, e isto é firmemente impresso na mente do jogador ao longo do gameplay, é que deve prosseguir a fim de lidar com as sombras e, quem sabe, fazer com que elas abandonem o mundo.

Luz versus Sombras

LUNA The Shadow Dust oferece ao jogador uma estranha porém lindíssima história sem palavras. A interpretação de tudo o que acontece em tela fica por sua conta, mas eu posso dizer uma coisa: é inegável o fato de que existe uma grande ameaça vinda de algo sombrio, a qual deve ser combatida com a utilização de luzes, nos momentos certos.

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Tanto é que em diversos puzzles somos obrigados a iluminar certas áreas do cenário, as quais revelam então belíssimas figuras (lembre-se: todas pintadas à mão).

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Puzzles diversos contam com mecanismos intrincados e bonitos, os quais quando postos em movimento apresentam cenários e/ou imagens de tirar o fôlego.

Isto sem falar que o jogo consegue passar ao jogador uma impressão bastante forte a respeito da própria iluminação em si: “momentos luminosos” são sempre acompanhados de majestosa trilha sonora.

Quando resolvemos um puzzle, ou parte dele, a trilha sonora e a luz invadem a tela, muitas vezes revelando “pinturas escondidas” verdadeiramente maravilhosas.

LUNA The Shadow Dust

Jogando LUNA The Shadow Dust

Durante o jogo, nem sempre as sombras são maléficas. Layh, a pequena criatura e companheira do garoto, pode utilizar sombra projetadas em paredes ou em outros elementos do cenário como plataformas, dependendo da situação, e assim alcançar pontos de outras maneiras inatingíveis.

É possível também, durante o gameplay, que você seja capaz de alternar entre diferentes perspectivas de um mesmo cenário, seja utilizando portas, seja utilizando mecanismos os mais diversos, seja utilizando os contrastes entre as sombras e as luzes.

LUNA The Shadow Dust

E isto é fantástico, pois deixa claro também o quão genial é o level design de LUNA The Shadow Dust; sem falar que tudo fica muito mais divertido, quando isto acontece – e mais desafiador, também.

Os puzzles são geralmente bastante engenhosos, apesar de um ou outro ser simples demais. Antigas e misteriosas máquinas podem entrar em operação sob nosso comando. Podemos colocar em operação velhos relógios, e tudo isto dentro do contexto da história. E assim por diante.

Digamos que o título da Lantern Studio faz grande uso dos puzzles para contar uma história. Uma história sem palavras. Nem mesmo nos menus do jogo, vale ressaltar, existem letras, veja só – todas as opções são representadas por símbolos. Apenas.

LUNA The Shadow Dust

A aventura, aqui, muitas vezes assume ares surreais, com o protagonista chegando a viajar para outras dimensões, no tempo ou até mesmo para o espaço sideral.

É justamente durante esta viagem para o espaço sideral (nosso retorno à velha torre se dá apenas após resolvermos um puzzle, aqui) que temos uma grande surpresa: mas você terá de jogar para descobrir, ok?

LUNA The Shadow Dust

Em determinados momentos, somos também obrigados a lidar com elementos como água, terra, ar e fogo, para justamente resolver algum puzzle que liberará acesso à uma sala mais acima na grande torre obscura na qual estamos inseridos.

Temos aqui um sensacional point-and-click repleto de cutscenes imperdíveis. Sério: o jogo conta com muitas cutscenes, ao longo de suas 3 a 5 horas de duração, e todas elas são lindíssimas e contam um pouco mais a respeito daquele belo mundo que tentamos iluminar através da resolução dos diversos quebra-cabeças.

LUNA The Shadow Dust

Em alguns momentos, também, os dois protagonistas são separados: cada um deles vai para partes distintas do cenário, e temos então de utilizá-los de maneira tal a resolver pedaços diferentes do mesmo puzzle.

LUNA The Shadow Dust

Layh quase sempre é enviado para áreas distantes, ou então para fora da torre, pois é incapaz de manipular alavancas, switches e outros tipos de mecanismos mais intrincados, obviamente.

Já Üri fica com a parte intelectual, digamos, e tem de ajudar seu amigo da melhor forma possível a fim de que ambos possam progredir, quase sempre através de portas que liberam acesso a andares superiores/novas salas-puzzle.

Algumas considerações finais

LUNA The Shadow Dust é uma fantástica aventura com fortíssimas doses de surrealidade. Aqui, temos uma luta entre sombras e luz representada de diversas maneiras, de formas também muitas vezes extremamente delicadas, sutis.

LUNA The Shadow Dust

Temos também, por incrível que pareça, uma história de sacrifícios, sacrifícios que vão muito além daquilo que esperaríamos ao olharmos pela primeira vez para um “simples” point-and-click.

A direção de arte do jogo é fenomenal. Temos aqui um verdadeiro espetáculo para os olhos, sem falar nas inúmeras e belas cutscenes: tudo desenhado à mão, é sempre bom lembrar.

LUNA The Shadow Dust

A Lantern Studio está de parabéns, e se eu tivesse algo de negativo a dizer sobre o jogo, eu só diria que alguns puzzles poderiam ser mais, digamos, complicados.

Mas este pequeníssimo detalhe não tira o brilho desta majestosa obra. Deste point-and-click que é, além de divertido, um verdadeiro presente para nossos olhos e ouvidos.

E o final da aventura, então! Bem, ela é simplesmente fantástica! Apenas jogue!

Ficha técnica

Título: LUNA The Shadow Dust

Gênero: aventura, casual, point-and-click, puzzle

Desenvolvedora: Lantern Studio

Publisher: Coconut Island Games, Application Systems Heidelberg

Data de lançamento: 13 de Fevereiro de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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