Existem alguns jogos eletrônicos que são capazes de nos tocar profundamente, mesmo com poucas palavras e com o uso de protagonistas nem um pouco convencionais. Este é o caso de Lost Ember, título do estúdio alemão Mooneye.

Lost Ember, aliás, é um projeto bastante ambicioso, e se levarmos em consideração o fato de que a Mooneye Studios é composta por apenas 5 integrantes (Tobias Graff, Pascal Müller, Maximilian Jasionowski, Matthias Oberprieler e Sinikka Compart), tudo fica mais interessante (e impressionante) ainda.

Lost Ember

História

O jogo custa atualmente 52 Reais no Steam, e apresenta ao jogador a história de uma loba que, ao longo da narrativa, explora um mundo belíssimo, repleto de cor, de vida e de movimento, a fim de descobrir o que aconteceu com uma antiga civilização, conhecida como Yanranas.

Lost Ember

A tal loba, protagonista do jogo, é na verdade a reencarnação de uma mulher chamada Kalani, outrora membro da tal antiga civilização. Tal mulher cometeu alguns “erros” durante sua vida, digamos, e devido a isto, não pôde ascender a uma espécie de paraíso denominado por seu povo como Cidade da Luz.

Ela acabou se tornando, assim, uma “Brasa Perdida”, ou Lost Ember, sendo que o destino reservado a todos aqueles nesta situação é reencarnar novamente, na Terra, porém na pele de algum tipo de animal selvagem. E é assim que Kalani acaba renascendo como uma loba.

Lost Ember

Lost Ember é um jogo focado na exploração e na narrativa. Temos de percorrer o lindíssimo mundo criado pela Mooneye Studios na companhia de uma espécie de “ponto luminoso”, o qual conversa conosco frequentemente e foi, também, em sua vida pregressa, um Yanrana.

Por algum motivo, entretanto, tal espírito encontra-se impossibilidade de ir para a tal Cidade da Luz, e se questiona o porquê disto diversas vezes durante o gameplay.

Um mundo, diversas perspectivas

Uma das coisas mais bacanas no jogo é o fato de que nossa loba é capaz de possuir o corpo de qualquer animal que vê pela frente, seja ele um animal terrestre, um animal aquático ou um pássaro.

Lost Ember

Assim, podemos observar os belíssimos visuais do game à partir de diferentes perspectivas. É muito bacana sobrevoar planícies sensacionais na pele de um pássaro qualquer, observar belos e verdejantes campos e ouvir o barulho do vento, assim como é muito interessante e bonito visualizar cenários aquáticos na pele de um peixe qualquer.

Este “poder”, digamos, inerente à loba, é uma importantíssima ferramentas que Lost Ember proporciona ao jogador, necessária para alcançarmos pontos de outra maneira inatingíveis. Por exemplo, em determinados momentos podemos ter o nosso caminho bloqueado por uma parede.

Lost Ember

Entram em ação, então, espécies de tatus, os quais podem ser possuídos e permitirem, assim, que o jogador cave túneis e ultrapasse o obstáculo em questão.

Simples assim, porém muito divertido e dinâmico. Vale ressaltar que a protagonista pode retornar à sua forma original sempre que assim desejar, aliás.

Uma história contada paulatinamente

Vale destacar que grande parte da história do jogo é contada através do espírito “ponto de luz” que nos acompanha o tempo todo (e que fala bastante, também), e também através de memórias que podemos encontrar, ao longo de nossa jornada, as quais são ativáveis conforme pressionamos o botão “Y” (joguei com o controle do Xbox 360).

Lost Ember

Neste caso, entram em ação cutscenes que contam um pouco do passado, com personagens que já se foram, incluindo a própria protagonista, ainda em sua forma humana, antes de sua morte.

Dentro do contexto do jogo, aliás, é até mesmo interessante destacar que Kalani não era de todo má, e tinha lá seus bons momentos, fazia lá suas boa ações, e agia, em diversos momentos, movida pelo amor.

Lost Ember

É tarefa do jogador, portanto, descobrir pouco a pouco o que aconteceu, enquanto perambula por um mundo repleto de belezas e de visuais estonteantes.

Gráficos lindíssimos

Lost Ember nos apresenta um mundo lindíssimo. Temos gráficos verdadeiramente belíssimos, e o “pacote” oferecido ao jogador oferece inclusive suporte, no PC, ao Nvidia Ansel, para a captura de screenshots com vários extras muito mais do que bem vindos.

O jogo é bastante linear, apesar da grandiosidade majestosa dos cenários. Existem motivos, entretanto, para a exploração, dentro de certos limites: dezenas de itens colecionáveis, os quais contam um pouco mais a respeito da antiga civilização que outrora habitou aquelas paragens.

Em Lost Ember, temos planícies verdejantes, montanhas altíssimas e belíssimas, lagos e cachoeiras estonteantes e uma vegetação geralmente colorida ao extremo, repleta de cores e nuances, capaz de fazer com que o jogador literalmente fique boquiaberto, embora o jogo não penda para o fotorrealismo.

Lost Ember

É muito bacana, também, contar com a habilidade de possuir o corpo de outros animais: a brincadeira assume, nestes momentos, outro aspecto. Por exemplo, a visão que temos de um peixe dentro d’água é diferente da visão que temos de um belo pássaro voando em meio a imponentes montanhas. E assim por diante.

Algumas considerações finais

Lost Ember pode parecer, em muitos momentos, mais um walking simulator do que qualquer outra coisa. Mas isto fica em cheque quando nos damos conta de que exploramos seu belo mundo na pele de diversos animais diferentes quase sempre em busca de memórias/cutscenes interessantes, sempre em busca de mais informações, sempre em busca de resolver o grande mistério proposto pelo jogo desde o início.

Mistério este que está ligado, vale destacar, ao destino da loba protagonista e de seu misterioso espírito companheiro de jornada, o qual muitas vezes tece comentários bastante interessantes sobre diversos acontecimentos.

O jogo estimula a exploração, entretanto, ao forçar o jogador a ir sempre em frente, ao forçá-lo a possuir o corpo de outros animais para poder progredir, ao apresentar belezas à distância que podem ser plenamente atingíveis.

Lost Ember

Trata-se de um belíssimo trabalho. De um excelente indie game, desenvolvido por um estúdio, vale lembrar mais uma vez, composto por apenas 5 pessoas.

É apenas um tanto quanto estranha a movimentação de alguns animais, como por exemplo alguns que se parecem com pequenas capivaras: eles parecem deslizar pelo chão, ao invés de caminharem.

De qualquer maneira, vale também a pena mencionar o fato de que, enquanto na pele de tais seres, podemos comer e até mesmo fazer “coisas bobas”, como por exemplo deitar de lado. Tudo isto, obviamente, nada agrega à narrativa e/ou à jornada de Kalani. Trata-se apenas de pequenas brincadeiras.

Lost Ember

As cutscenes que mostram um pouco da antiga civilização à qual a loba outrora pertenceu também são muito interessantes, além de revelarem, aos poucos, um pouco mais a respeito da história de Lost Ember.

Se você aprecia jogos focados em exploração e narrativa, não deixe de conferir este belíssimo trabalho. Lost Ember, além disso, conta com uma lindíssima trilha sonora, quase sempre acompanhada de piano e companheira ideal para a jornada da loba que visa alcançar o paraíso no qual seu povo acreditava.

Ficha técnica

Título: Lost Ember

Gênero: aventura, ação, exploração

Desenvolvedora: Mooneye Studios

Publisher: Mooneye Studios

Data de lançamento: 22 de Novembro de 2019

Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4

Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest