Sou obrigado a confessar que uma das minhas grandes falhas enquanto jogador de videogames foi nunca ter jogado Portal, da Valve. E Lightmatter, do pequeno estúdio dinamarquês Tunnel Vision Games, veio bem a calhar, fazendo com que a vontade de jogar o clássico da empresa de Gabe Newell se fixasse em minha mente.

Mas vamos por partes. Lightmatter é um jogo repleto de puzzles, com perspectiva em primeira pessoa. Os desenvolvedores, além disso, não escondem sua admiração pelo clássico supracitado, e podemos até mesmo dizer que o título é uma grande homenagem a Portal. Nele, temos aquilo que muitos chamam de “o chão é lava”. Nele, as sombras matam. Literalmente.

Game Lightmatter

A história de Lightmatter

No jogo, temos dois sócios, digamos, Virgil e Arthur, os quais construíram uma empresa chamada Lightmatter Technologies e desenvolveram uma tecnologia que dá nome ao jogo: a Matéria Luminosa.

Acontece que durante alguns testes, algo deu errado, e as instalações da empresa meio que sofreram um colapso. Digamos que foi um acidente, e o jogador, na pele de um protagonista sem nome e mudo, acorda então com alarmes soando, no meio de grande caos.

Game Lightmatter

Houve um procedimento de evacuação, aliás, mas o protagonista, desmaiado, acabou ficando para trás, e deve agora então achar a saída da Lightmatter Technologies, a qual fica localizada dentro de uma grande montanha.

Game Lightmatter

A tecnologia desenvolvida pela Lightmatter Technologies, a Matéria Luminosa, tem como uma espécie de efeito colateral provocar sombras que absorvem qualquer tipo de matéria orgânica. Ou seja, se você sequer nelas tocar, é morte na certa (felizmente os checkpoints do jogo são bem generosos).

Durante o gameplay, o jogador é guiado através do rádio pelo CEO da Lightmatter Technologies, Virgil. Um personagem bastante sarcástico, diga-se de passagem, capaz também de protagonizar alguns momentos de humor negro.

Game Lightmatter

Virgil, aliás, não esconde seu desprezo pelo protagonista, e o chama várias vezes de jornalista, de espião, de inspetor de segurança, etc. A “relação” vai até se deteriorando, aos poucos, ao longo do gameplay.

É até mesmo engraçado o modo como o Virgil lida com o personagem principal, principalmente quando demoramos muito para solucionar determinado puzzle.

O misterioso CEO não deixa de “tirar um sarro”, bem de leve, e também não deixa de comentar sobre algumas das peculiaridades pertinentes aos ambientes nos quais nos encontramos.

Referências a Portal não faltam, e existem referências diretas à Aperture Science. Em uma delas, Virgil chega a dizer que os equipamentos da Lightmatter Technologies devem ser bem tratados, de modo oposto ao que fazem os “monstros da Aperture Science“.

Game Lightmatter

Jogando Lightmatter

Basicamente, temos 38 níveis que devem ser atravessados através da busca de locais onde incide luz e da fuga de locais onde as sombras reinam.

Cada nível apresenta um determinado quebra-cabeça ao jogador, o qual deve geralmente ser solucionado através do uso de espécies de torretas de luz, botões que acionam algum dispositivo e corridas e pulos milimetricamente calculados (nos níveis mais adiantados).

Game Lightmatter

O objetivo do protagonista é escapar das instalações que estão entrando em colapso, e para isto, devemos posicionar luzes de maneira tal a espantar as sombras e, assim, formarmos um caminho luminoso e seguro para podermos passar.

Ou então, por exemplo, devemos aproveitar breves brechas luminosas oferecidas por objetos rotatórios e saltarmos com enorme cuidado para evitarmos as sombras que matam rapidamente.

Existem também fontes de luz fixas, é claro, mas geralmente o jogador é quem deve alterar o posicionamento das mesmas. Esteiras, elevadores e demais equipamentos das instalações da Lightmatter Technologies também podem ser utilizadas pelo jogador, seja para seu próprio uso, seja para transportar as torretas luminosas para outros locais de cada “arena”.

Game Lightmatter

Lightmatter muitas vezes faz com que tenhamos de pensar em ângulos diferentes, nos forçando também a usar grandes doses de lógica. O título da Tunnel Vision Games apresenta puzzles bastante desafiadores (exceto em seu último nível), e o “prêmio” é alcançar a porta de saída, indicada sempre por uma seta verde.

É bastante simples entender as mecânicas de Lightmatter: complicados são seus puzzles, os quais requerem grandes doses de paciência e pensamento lógico por parte do jogador.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de Lightmatter são bastante competentes, e o jogo roda tranquilamente em uma ampla gama de configurações. Temos aqui um estilo meio cel-shadding que está bem de acordo com a proposta de Lightmatter, e geralmente, o que temos em frente aos nossos olhos, são ambientes meio “cinzentos”.

Isto no que diz respeito às paredes, portas, cadeiras, mesas e equipamentos, obviamente, pois também temos de nos lembrar dos feixes luminosos, os quais em algumas áreas assumem um outro tom, e também de determinados ambientes (mais adiante no jogo) que recebem uma iluminação meio avermelhada que parece até mesmo nos lembrar de que o perigo é real e está em nosso encalço com ferrenha vontade.

Game Lightmatter

A trilha sonora de Lightmatter pende mais para o eletrônico, e em minha opinião também “casa” muitíssimo bem com a proposta do game.

A atuação de David Bateson como Virgil, aliás, diga-se de passagem, é soberba. E para quem não se lembra, trata-se do mesmo dublador do Agente 47, em Hitman.

Game Lightmatter

Finalizando

Lightmatter é um excelente jogo de puzzle em primeira pessoa. Seu enredo é bastante interessante, e apesar do mudo protagonista, temos a atuação de Virgil, “no background”, fornecendo todo um clima sarcástico, sombrio e até mesmo engraçado, ao game.

Talvez a única falha do jogo da Tunnel Vision Games esteja em seu final. O que temos aí é algo que esquece totalmente os quebra-cabeças e obriga o jogador a correr e saltar entre sombras e luzes a altíssima velocidade, tendo sempre que usar grande precisão nos pulos (sem esquecer, vale lembrar mais uma vez, da velocidade – afinal de contas, as sombras não perdoam).

O próprio final em si, além disso, é bastante insosso, eu diria: temos uma simples narração em uma tela branca, e nada mais. Logo em seguida sobem os créditos.

Game Lightmatter

De qualquer forma, Lightmatter é um título essencial para quem aprecia games de puzzle em primeira pessoa. Para fãs de Portal. Para jogadores que se divertiram, por exemplo, com The Talos Principle (esse eu joguei).

O jogo é curto: leva algo em torno de 4 a 6 horas para ser finalizado. Mas a experiência que ele proporciona (exceto seu final) é bastante gratificante. Eu recomendo!

Obs: há também uma versão demonstrativa disponível na página do jogo no Steam.

Ficha técnica

Título: Lightmatter

Gênero: aventura, puzzle, primeira pessoa

Desenvolvedora: Tunnel Vision Games

Publisher: Aspyr Media

Data de lançamento: 15 de Janeiro de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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