Alex Hutchinson foi o diretor criativo de grandes jogos de mundo aberto, como por exemplo Assassin’s Creed III e Far Cry 4. Agora, atuando também como diretor criativo na Typhoon Studios, ele nos apresenta o espetacular Journey to the Savage Planet, título publicado pela 505 Games.

Journey to the Savage Planet conta com algumas pitadas de metroidvania, aliás, é importante destacar desde o início. Ele também nos oferece um enorme planeta alienígena, pronto para ser explorado à vontade, da forma que quisermos, com missões principais e secundárias que podem ser também encaradas na ordem que bem desejarmos. Mas vamos começar pelo princípio.

Journey to the Savage Planet

A história de Journey to the Savage Planet

No papel de um protagonista mudo e sem nome, que tem como companheira uma inteligência artificial cheia de humor (muitas vezes ácido – verdadeiramente imperdível), o título da Typhoon Studios literalmente “joga” o protagonista em uma missão um tanto quanto, digamos, suicida.

O personagem sem nome é enviado a um planeta distante chamado AR-Y 26. Como funcionário de uma empresa chamada Kindred Aerospace, a qual se orgulha em ser a “4ª Melhor Empresa de Exploração Espacial” da terra, ele é enviado quase que sem equipamento algum, e só com o combustível necessário para a ida. Veja só.

Journey to the Savage Planet

O jogo é extremamente hilário, e nossa IA companheira, chamada Eko, não cansa de tirar o sarro da nossa cara, e também das situações hilárias (algumas angustiantes, devo dizer) pelas quais passamos. Digamos também que o jogo ri de si mesmo, e isto é ótimo.

Journey to the Savage Planet

O interior da Javelin

Em AR-Y 26, o papel do jogador é explorar o planeta, para tentar descobrir se ele serve para abrigar uma futura tentativa de colonização humana. E segundo Martin Tweed, CEO da Kindred Aerospace, a verdade mesmo é que faltou dinheiro para a empreitada, porém eles não hesitaram em enviar o personagem principal, mesmo sabendo que só haveria combustível para a ida.

Somos brindados com bom humor, de altíssima qualidade, a todo momento, em Journey to the Savage Planet. Eko não cessa com suas piadinhas, fala bastante, e brinca até com nossa morte: a cada morte, um clone nosso é impresso na impressora de nossa nave defeituosa, a Javelin. Ela até recita poesia, veja só: tudo tendo como mote a nossa morte!

Journey to the Savage Planet

E acredite: você morrerá bastante, em Journey to the Savage Planet. Mas não há motivo para pânico: aos poucos, pontos de teletransporte/renascimento vão sendo desbloqueados, em diferentes partes do planeta, e podemos então assim evitar a locomoção através de longas distâncias.

Journey to the Savage Planet

Os objetivos de nossa presença em AR-Y 26 são vários, e incluem também explorar e catalogar a fauna e a flora do planeta, além de obter material necessário para consertar nossa nave (sem falar no combustível). É o próprio Martin Tweed quem menciona isso tudo logo no início, aliás. Afinal de contas, retornar à Terra deve estar sempre na mente do mundo protagonista.

Jogando Journey to the Savage Planet

O jogo é divertidíssimo. A superfície do planeta alienígena está repleta de plantas e animais os mais estranhos possíveis, todos geralmente amigáveis (existem alguns hostis, é claro).

Journey to the Savage Planet

O jogador deve obter diversos elementos básicos para que seja possível imprimir, na impressora 3D da Javelin, uma série de equipamentos e upgrades: alumínio, carbono, silício, etc. Tudo isto, bem, pode ser obtido também através da destruição das criaturas que habitam AR-Y 26.

Muitas vezes chega a dar dó de matar alguma das simpáticas criaturinhas do planeta alienígena, como por exemplo os saltitantes “Bafarinhos”. Mas é uma necessidade, portanto, eu, pelo menos, não hesitei nenhuma vez em utilizar minha pistola de plasma, a qual também pode receber upgrades muitíssimo bem vindos.

Estranhamente, e isto é algo também percebido pelo CEO da Kindred Aerospace (através de mensagens que recebemos através do computador arcaico de nossa nave), o planeta parece ter abrigado uma antiga e misteriosa civilização.

Journey to the Savage Planet

Elementos os mais diversos, construções, templos e gigantescas estruturas podem ser explorados pelo jogador, e tudo isto até mesmo chega a fazer parte de missões primárias e secundárias.

O protagonista é ajudado, em tudo isso, por itens passíveis de construção em sua impressora 3D. Temos jetpacks, diversos upgrades para nossa pistola de plasma, melhorias no traje para que possamos carregar sementes e plantas explosivas e ácidas, e assim por diante.

Journey to the Savage Planet

Temos até um gancho capaz de “grudar” em pontos específicos posicionados estrategicamente em rochas e outros elementos do cenário, os quais permitem que atravessemos longas distâncias. Aliás, exploração é um dos elementos principais de Journey to the Savage Planet.

Explore bastante e você irá melhorando aos poucos, se tornando então capaz de avançar, catalogar e subir a alturas vertiginosas, tendo então a boa sorte de poder observar gigantescas e majestosas construções alienígenas.

Nos perguntamos até, em determinados momentos, e após determinada mensagem recebida de Martin Tweed, se o planeta poderá realmente um dia ser habitado pela humanidade.

Journey to the Savage Planet

Tudo isto, veja bem, nos é passado com muito bom humor. Eko não perde uma oportunidade de nos avacalhar, por exemplo, e somos até mesmo obrigados a preencher pesquisas no computador da Javelin: uma delas para avaliar nossas condições mentais. Todas estas pesquisas são também extremamente hilárias.

A Typhoon Studios criou algo extremamente coeso e interessante. Nós nos sentimos obrigados a explorar aquele belíssimo mundo alienígena, com seus diferentes biomas e criaturas.

Journey to the Savage Planet

Tudo é muito bonito, e o jogo, no PC (versão que testei), roda maravilhosamente bem, com tudo no máximo (em uma máquina que atende com grande folga aos requisitos mínimos – os recomendados não constam na página do game na Epic Games Store).

Gráficos e trilha sonora

Journey to the Savage Planet conta com gráficos muito bonitos. Lindíssimos, eu diria. Tudo é bastante colorido, também, e em muitos momentos, os ambientes, cenários e criaturas beiram o surreal.

Journey to the Savage Planet

Escaneando flora e fauna

No planeta AR-Y 26, sempre é dia, e isto contribui bastante para deixar bem claro ao jogador a qualidade gráfica do game. Suas texturas. A iluminação e as partículas.

Não se trata de um jogo muito exigente em termos de hardware (como já dito acima), e uma GTX 660 já é capaz de dar conta do recado, segundo consta na página do título na Epic Games Store.

Além disso, contamos com muita verticalização, em Journey to the Savage Planet. Temos verdadeiras ilhas suspensas, cada uma delas com suas respectivas (boas ou más) surpresas, e muitas vezes temos de calcular saltos com enorme precisão, até mesmo em meio a verdadeiros rios de lava.

A trilha sonora do jogo, bem… digamos que ela é apenas comum. Isto não é um problema, entretanto, uma vez que ela é verdadeiramente (e de propósito, creio eu) relegada a segundo plano, geralmente audível em volumes baixos, e permitindo assim que o jogador preste bastante atenção nas belezas que o cercam e nos sons da estranha natureza através da qual está perambulando.

Journey to the Savage Planet

Em meio a tudo isto, observamos imponentes construções alienígenas cujos cumes desaparecem nas alturas, em meio às nuvens (aliás, encontramos tecnologia alienígena em diversos momentos e cenários).

Algumas considerações finais

Journey to the Savage Planet é um título imperdível para quem aprecia exploração, plataforma, metroidvanias e altíssimas doses de humor, muitas vezes bastante ácido.

Journey to the Savage Planet

O jogo faz piada com ele mesmo, através de nossa assistente Eko; e com seus gráficos lindíssimos e ambientes extremamente convidativos, somos levados a empreender verdadeiras jornadas de exploração em terra que muitas vezes podem abrigar elementos amigáveis ou hostis (ou ambos, ao mesmo tempo).

Se você gosta de jogos no estilo de No Man’s Sky, aliás, este é um título imperdível. Até mesmo porque, aqui, não encontramos as dificuldades apresentadas no título da Hello Games no tocante à exploração, à coleta de recursos, etc.

Journey to the Savage Planet

Creio que temos aqui uma das grandes joias de 2020 na indústria de jogos eletrônicos. Um game desenvolvido por um estúdio pequeno, porém com muito esmero e amor, além de enorme criatividade.

Se você gostou do que leu acima, dê uma conferida na Epic Games Store: Journey to the Savage Planet custa apenas R$ 57,00.

Ficha técnica

Título: Journey to the Savage Planet

Gênero: ação, exploração, espacial

Desenvolvedora: Typhoon Studios

Publisher: 505 Games

Data de lançamento: 28 de Janeiro de 2020

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest