Infelizmente, Subnautica me deixou extremamente assustado, com seus oceanos profundos ao extremo e seus perigos. Tanto é que abandonei o game passado algum tempo. O mesmo não ocorreu, entretanto, com In Other Waters.

O jogo, lançado no último dia 03 de Abril, para PC e Nintendo Switch, é o resultado do trabalho do desenvolvedor Gareth Damian Martin, o qual atua em modo solo em seu próprio estúdio, o Jump Over The Age.

In Other Waters

Gareth, aliás, cuidou da arte, do design, da escrita, da produção e da programação de In Other Waters, enquanto a delicada e calmante trilha sonora ambiental ficou à cargo de Amos Roddy.

Sobre In Other Waters

No jogo de Gareth Damian Martin, somos na verdade a inteligência artificial de um traje subaquático ocupado por uma bióloga (na verdade uma astrobióloga) chamada Ellery Vas. Estamos no planeta Gliese 677Cc (e isto até me lembrou de Elite Dangerous), e mergulhados em um misterioso e vasto oceano.

Tal oceano, aliás, está repleto de vida. De maravilhas as mais diversas, as quais encantam à todo momento a Dra. Vas, que também não deixa de mencionar seu espanto em relação à estranha IA que habita seu traje, com a qual ela chega inclusive a dialogar, em certos momentos.

In Other Waters

O título da Jump Over The Age é uma obra única, ao colocar o jogador no papel de uma IA. No papel de um sistema de computador. No papel de uma “mera” interface, digamos. E isto é sensacional!

Disponível no Steam e no GOG por apenas R$ 29,00 (no híbrido da Nintendo por um pouco mais), In Other Waters literalmente mergulha o jogador em um oceano alienígena. Entretanto, a maneira como o jogo o faz é bastante diferente do que estamos acostumados em games do gênero.

Digamos que, como uma inteligência artificial, controlamos diversos aparatos eletrônicos e sistemas do traje envergado por Ellery Vas. Desta forma, a doutora não é a verdadeira protagonista do jogo, embora converse bastante durante o gameplay (conosco – com a IA de seu traje).

A verdadeira protagonista de In Other Waters é a IA do traje. Uma IA um tanto quanto estranha, estranheza esta percebida até mesmo pela Dra. Vas, a qual chega inclusive a mencionar tal fato, em determinado momento.

In Other Waters

Jogando

O oceano no qual estamos imersos no jogo é imenso. Além disso, a Dra. Ellery Vas acaba percebendo, com nossa ajuda (com o jogador controlando a IA do traje, obviamente), que tais águas estão repletas de vida. De vida alienígena.

Isto encanta a doutora e o jogador, pois percebemos com bastante clareza quando diversos tipos de criaturas passam por nós, quando elas expelem gases, quando elas produzem algum tipo de som, etc.

O que temos sob nosso controle, na verdade, é a interface do traje. Em tela, temos algo bastante minimalista – e bonito! Somos capazes de capturar criaturas as mais diversas para posterior análise, e também somos capazes de utilizá-las como “bombas” (no caso de determinados seres gasosos), por exemplo, para liberar caminho obstruído.

In Other Waters

A elegante e minimalista interface de In Other Waters

Podemos traçar cursos com base em vetores (descobertos após o devido escaneamento da área), e também escanear os arredores em busca de vida extraterrestre. Acabamos nos deparando, assim, com uma série de criaturas diferentes, todas devidamente descritas pela Dra. Ellery Vas.

Temos criaturas, por exemplo, semelhantes a águas-vivas, e também seres que parecem se comunicar, uns com os outros. Temos fauna e flora subaquáticas em grande número, e os dados coletados pelo traje podem posteriormente serem analisados em uma base submersa.

Aliás, vale ressaltar que a Dra. Vas esperava encontrar, em Gliese 677Cc, sua amiga e também cientista Minae Nomura. Porém, a mesma encontra-se desaparecida, e quando chegamos na base, aí nos deparamos com grande bagunça. Um grande mistério.

In Other Waters

Posso dizer também que a busca por Minae Nomura faz parte da aventura, tudo isto enquanto nos aventuramos pelo imenso mar alienígena do misterioso planeta, em meio inclusive a recifes, cavernas (nas quais podemos entrar) e abismos.

A calmaria que encanta

Jogar In Other Waters é uma experiência bastante diferente. Lembra até um pouco daqueles velhos “jogos em texto” (text-based games). O jogo passa o tempo todo uma enorme sensação de calma e leveza ao jogador.

Além disso, sua trilha sonora, a qual faz grande uso de sintetizadores, é soberba. Ela pode inclusive ser adquirida separadamente, tanto no Steam quanto no GOG.

A Dra. Vas faz vívidas descrições daquilo que chega até seus sentidos, através do(a) protagonista do jogo, da IA, a qual está sob nosso controle.

Tal inteligência artificial, aliás, pode até mesmo conversar com a doutora, em determinados momentos. Entretanto, trata-se apenas de curtas respostas: “sim” ou “não” – mas o que se segue a partir daí geralmente é bastante interessante e enriquecedor, em termos de narrativa.

In Other Waters

A aventura da Dra. Ellery é repleta de mistérios e de graça, e mesmo em meio às profundezas, não há nada que assuste o jogador. Não há morte, perigo, dor. Digamos até que grande foco é dado na interação entre a IA (o jogador) e a bióloga.

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos de In Other Waters são simples, porém muito bonitos. Como eu disse acima, o desenvolvedor primou pelo minimalismo. Visualizamos formações rochosas, recifes e outros elementos ao redor na forma de desenhos planos, em 2D.

In Other Waters

Tudo possui um tom verde bastante calmante, eu diria (e isto pode ter sido proposital, chego a supor). Até mesmo a interface do “computador de bordo” do traje de Ellery é bastante esverdeada, com detalhes em amarelo relacionados a botões passíveis de interação ou então a “mostradores”.

A trilha sonora é lindíssima. Às vezes soa até mesmo bastante etérea, eu diria, o que “casa” muitíssimo bem com a atmosfera de In Other Waters, título que coloca o jogador para explorar um oceano repleto de vida diversificada e, o melhor de tudo, antes desconhecida.

Finalizando

Os mistérios que se escondem em tal oceano devem ser descobertos pela bióloga coprotagonista e pela inteligência artificial que habita seu traje. Traje este, aliás, a respeito do qual a doutora sabe muito pouco.

In Other Waters

Temos aqui um indie game extremamente relaxante, bonito, minimalista e cheio de “vida”. Os sons do oceano, aliás, são extremamente vívidos, realistas, mesmo, capazes também de produzir enorme relaxamento caso nos deixemos levar pela fantástica atmosfera de In Other Waters.

Se você gostou do que leu acima, bem, sugiro que dê uma “corrida” no Steam, no GOG ou na Nintendo eShop de sua preferência, e “capture” esta pequena obra prima o quanto antes!

Ficha técnica

Título: In Other Waters

Gênero: aventura, exploração, atmosférico

Desenvolvedora: Jump Over The Age

Publisher: Fellow Traveller

Lançado em: 03 de Abril de 2020

Plataformas: PC, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

Obs: infelizmente, o jogo não conta com localização em português do Brasil – ele está disponível apenas em inglês.

Enquanto isso, fique com o trailer de In Other Waters:

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