A história fora do mundo digital de Ghost of a Tale remonta a 2013, quando o jogo arrecadou no IndieGoGo o equivalente a cerca de 220 mil reais, através da participação de quase 1.190 backers.

O título foi então lançado em 2016 no Steam e no GOG, em Early Access (Acesso Antecipado), e em Março de 2018 os jogadores finalmente puderam colocar as mãos na versão final de Ghost of a Tale, este indie game extremamente carismático e charmoso.

Vale lembrar que o game do pequeno estúdio independente SeithCG está atualmente disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One, mas a versão que eu analisei foi a versão para computadores, gentilmente cedida pela Nuuvem.

Ghost of a Tale

Confesso que este jogo passou desapercebido pelo meu “radar”, e é muito provável que isto tenha acontecido com muita gente. Com muitos de vocês leitores, inclusive. E infelizmente, pois trata-se de um trabalho fenomenal.

Um estúdio verdadeiramente pequeno

A SeithCG é uma desenvolvedora verdadeiramente pequena, composta por uma equipe com apenas 5 pessoas. No estúdio, trabalham Lionel Gallat (que já trabalhou na Dreamworks e na Universal como animador), o qual é o responsável pela arte de Ghost of a Tale, e também Paul Gardner, game designer e escritor.

Também compõem o estúdio o programador Cyrille Paulhiac, o compositor Jeremiah Pena e o designer de som Nicolas Titeux. Sim, trata-se de uma pequena equipe, mas também de um time que foi capaz de elaborar uma pequena e verdadeira obra de arte.

Ghost of a Tale

A história de Ghost of a Tale

Em Ghost of a Tale, entramos na pele do pequeno e carismático ratinho Tilo, um menestrel, o qual foi preso e separado de sua esposa, Merra. Merra, por sua vez, se recusou a cantar para um determinado Barão, como forma de protesto contra um regime opressor que se instaurou no reino em que ela e seu esposo viviam.

Tudo o que Tilo “recebeu como pagamento”, à partir daí, foi escuridão e prisão: o pequeno e extremamente simpático camundongo acorda em uma cela, sozinho e separado de sua amada, tendo então de lidar com o pesadelo causado por ratos de maior estatura capazes de matá-lo em pouquíssimos segundos.

Ghost of a Tale

Aliás, este início de jogo me lembra um pouco até da franquia The Elder Scrolls, da Bethesda, em cujos títulos sempre começamos a jogar à partir de algum cenário no qual estamos presos. Mas divago.

Voltando ao título da SeithCG, Tilo descobre que alguém deixou em sua cela, de forma totalmente misteriosa e inexplicável, a chave da mesma, juntamente com uma carta. Tal carta é assinada por alguém que se autointitula apenas “S”. Estranho, não?

Ghost of a Tale

Pois bem, à partir daí, entramos em um “jogo de gato e rato” extremamente bem desenvolvido. Tilo precisa deixar a prisão de Dwindling Heights e subir até o topo do castelo no qual se encontra, para se encontrar com o misterioso “S”.

A misteriosa Chama Verde e um regime opressor

É mencionada, logo no início, algo que poderíamos denominar como uma espécie de “Força do Mal”: a Chama Verde. É também mencionada uma grande guerra, travada entre os ratos de maior estatura, espécies de ratazanas (os grandes inimigos de Tilo no game), e a tal Chama Verde, sendo que estes últimos saíram então vitoriosos.

Tais seres instauraram à partir de então um regime extremamente opressor, o qual possui inclusive enorme desprezo pelos ratos de menor estatura, como Tilo, e também por outras criaturas do mundo.

Infelizmente, o jogo pouco diz a respeito da misteriosa Chama Verde, valendo também a pena destacar que há sempre grandes quantidades de textos, bilhetes e documentos para lermos (eles apenas desconsideram a tal “Força do Mal”, infelizmente).

Ghost of a Tale

No esconderijo

Talvez seja algo proposital, digamos, e Ghost of a Tale aborde apenas um pedaço de uma história que seja, talvez, muito maior. Mas isto não desmerece o título da SeithCG, não tira seu brilho de maneira alguma.

Os grandes ratos, as tais “ratazanas”/guardas, são os grandes inimigos de Tilo no jogo, e existem até mesmo banners com o emblema do regime dominante, os quais o pequenino rato pode queimar com sua vela, às escondidas, como uma forma de protesto.

Jogando Ghost of a Tale

Ghost of a Tale mistura elementos de RPG com aventura e ação. Além disso, o título conta com altíssimas doses de ação stealth (ou ação furtiva).

Tilo é extremamente frágil, e não dispõe de arma alguma. O máximo que ele consegue é coletar pequenos gravetos e garrafas e jogá-los em direções as mais diversas, a fim de atrair os guardas para locais distantes de alguma passagem através da qual ele precisa passar.

O game também oferece um sistema de progressão, como todo bom RPG, e as diversas vestimentas que Tilo pode envergar também conferem vantagens extras, como por exemplo aumentar sua estamina.

Ghost of a Tale

Quando eu disse acima que jogar Ghost of a Tale é jogar um “jogo de gato e rato”, bem, eu não estava mentindo. Nem um pouco. Temos aqui um belo exemplar de jogo de ação stealth: faça barulho e perseguições quase sempre mortais serão então contra você empreendidas.

Tilo até pode correr, e existem baús, barris, cômodas e móveis os mais diversos nos quais ele pode se esconder, mas quando mais de um guarda se junta à perseguição, a coisa pode ficar bem feita muito rapidamente.

Tilo morre após poucos golpes recebidos, e sua fragilidade diante dos grandes guardas é notória. Mas não fique tão assustado assim, pois a inteligência artificial dos inimigos não é lá muito aprimorada, e se você conseguir dosar sua estamina adequadamente, muito provavelmente encontrará esconderijos adequados antes que seja enviado para o reino dos mortos.

Ghost of a Tale

O jogo conta com uma mecânica de saves muito interessante: você pode salvar seu progresso à qualquer momento, porém, desde que esteja dentro de um esconderijo; de um barril, por exemplo.

O castelo é enorme, e existem calabouços, catacumbas, esgotos, áreas exploráveis localizadas fora dele repletas de vegetação, áreas internas nas quais é fácil perceber o belo trabalho realizado com as sombras e com a iluminação, etc.

Existem também, em Ghost of a Tale, personagens amigáveis, como por exemplo o ferreiro, o qual inclusive vende mapas de diversas áreas do castelo, mediante o pagamento de alguns florins.

Tais mapas, diga-se de passagem, são de suma importância, pois é muito fácil nos perdermos no enorme emaranhado de salões, corredores, escadas e pátios.

Ghost of a Tale

O protagonista pode caminhar bem devagar, e aqui vai um aviso, ou melhor, uma recomendação: caso jogue Ghost of a Tale no PC, utilize um controle (no meu caso, utilizei um controle do Xbox 360): é extremamente vantajoso contar com a sensibilidade dos analógicos.

Ghost of a Tale

Com um controle, podemos “dosar” de forma bastante adequada a velocidade do protagonista, valendo também a pena lembrar que os guardas são alertados por qualquer ruído que fazemos, ou seja, é sempre melhor permanecer “na surdina”. Andar bem devagar, mesmo, bem lentamente.

É importante também destacar o level design do jogo: o grande castelo é composto por diversas salas, corredores e um grande pátio, além de escadas, torres, muralhas, calabouços, subterrâneos, etc. Tudo isto pode ser acessado através de diversos caminhos, sendo interessante também dizer que existem sempre vários atalhos à disposição de Tilo.

Ghost of a Tale

É uma bela jornada, esta de Ghost of a Tale. Em diversos momentos, aliás, somos expostos a vislumbres do mundo lá fora, sempre belíssimo e convidativo, valendo a pena destacar também que o jogo conta com um ciclo dia/noite extremamente bem vindo (Tilo é capaz inclusive de empunhar velas, para iluminar seu caminho).

Gráficos e trilha sonora

Os gráficos do game são extremamente charmosos. Bonitos demais. O título faz uso do motor gráfico Unity, e também devido a isto ele me surpreendeu bastante, apresentando, no PC, por exemplo, 60 frames por segundo “cravados” e ambientes e modelos encantadores.

Ghost of a Tale

Há também um “photo mode” (modo fotografia), para a captura de screenshots com a utilização de filtros e “firulas” diversas. As animações do game também são extremamente sofisticadas, e em vários momentos parece que temos em mãos uma “cutscene jogável”, tão belo é aquilo que observamos em tela.

Ghost of a Tale

A trilha sonora, totalmente orquestral, também é lindíssima, e “casa” muitíssimo bem com o ambiente e com o escopo apresentado pelo jogo da SeithCG. Apenas achei que deveriam ter dado uma maior atenção aos efeitos sonoros, principalmente nos momentos em que nos esgueiramos entre inimigos, corredores, calabouços e celas.

Ghost of a Tale

O simpático protagonista, Tilo

Algumas considerações finais

Ghost of a Tale, infelizmente, não conta nem com legendas nem com áudio em português do Brasil, o que pode complicar bastante a vida daqueles que possuem dificuldades com o idioma de William Shakespeare.

Além disso, o charmoso game de vez em quando apresenta alguns glitches bastante estranhos quando acessamos o “photo mode” ou então quando acessamos nosso inventário.

Ghost of a Tale

No caso do “modo foto”, somos “apresentados ao subterrâneo”: a câmera de vez em quando vai para baixo do solo, estranhamente. Já no caso do inventário, vez ou outra nos deparamos com stuttering, algo um tanto quanto chato, venhamos e convenhamos.

De qualquer forma, temos aqui um indie game extremamente divertido e simpático, além de bastante desafiador. A história de Tilo e suas perambulações em busca de sua amada esposa é extremamente digna de nota, e é verdadeiramente impressionante o que uma equipe com apenas 5 desenvolvedores conseguiu atingir.

O jogo impressiona, encanta, diverte, desafia, emociona. Recomendadíssimo.

Banner - Nuuvem - Review

Obs: na Nuuvem, o jogo custa apenas R$ 47,49, e você pode ativá-lo no Steam.

Ficha técnica

Título: Ghost of a Tale

Gênero: RPG, ação stealth, aventura

Desenvolvedora: SeithCG

Publisher: SeithCG

Data de lançamento: 13 de Março de 2018

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest