Seria Feather um jogo completo, no sentido de apresentar ao jogador objetivos concretos e distintos? Não, esta hipótese pode ser descartada logo de início. Estaríamos aqui lidando com uma espécie de walking simulator, guardadas as devidas diferenças entre os personagens, os ambientes e a situação? Ou com um simulador de voo light, talvez, sem objetivos ou destinos? Ou o jogo não seria nada disto, e sim algo bem diferente?

O fato é que o título, desenvolvido pelo pequeno estúdio australiano Samurai Punk, brinca um pouco com todas estas ideias, e apresenta ao jogador ambientes relaxantes ao extremo, através dos quais é possível voar na pele de um pássaro.

Feather

Sem objetivos, tutoriais ou HUD

Sim, voar, livremente, ouvindo o som do vento conforme aumentamos ou reduzimos o ritmo, mergulhando à partir de alturas vertiginosas em direção ao solo para só no último momento nos elevarmos, adentrar cavernas misteriosas e ainda assim bonitas, e explorar um conjunto de ilhas repletas de montanhas, árvores e outros tipos de vegetação.

Em Feather, não há um objetivo definido. Não temos quests. Não temos missões primárias ou secundárias. Não progresso algum de nosso personagem emplumado. Não temos, a bem dizer, o que fazer, a não ser voar, voar, explorar, explorar. A música e os ambientes, com seus gráficos em low-poly, aliás, formam um conjunto audiovisual realmente capaz de deixar o jogador bastante relaxado. Pelo menos a princípio.

Não há nem tampouco um tutorial: afinal de contas, o pássaro nada mais faz além de voar, piar, rodopiar para os lados e executar backflips. Ele também pode reduzir sua velocidade, bem como pode dar impulsos verdadeiramente estonteantes.

Feather

Trilha sonora, “mundo aberto” e música

O jogo conta com 9 músicas distintas, todas elas compostas por Mitchell Pasmans, e nele temos um mundo aberto no qual somos livres, para ir onde bem entendermos. Mas veja bem: existem limites, apesar do uso do termo “mundo aberto”, aqui nesta análise.

Tente ir muito longe e você será gentilmente convidado a retornar: o pássaro realizará um backflip e começará automaticamente a voar de volta para “casa”. Além disso, o mundo do jogo não é lá tão grande assim: tudo o que temos é um conjunto com algumas poucas ilhas, cada uma delas com suas belezas, obviamente, incluindo rios, lagos, muito verde, flora de diferentes tipos, montanhas enormes, de vez em quando, rochedos, estranhos monumentos, e espécies de portais que fazem com que o jogo troque a música que está tocando no momento, tão logo por eles passemos.

Feather

Uma experiência para poucos

Em Feather, não há morte, não há HUD, não há risco algum. Não há game over, não existe objetivo, e não existe nenhum tipo de mapa ou bússola. Não há, tampouco, uma história, e eu até gostaria de poder compará-lo a alguns jogos nos quais podemos deduzir a narrativa, como por exemplo GRIS e FAR: Lone Sails, mas isto é impossível, pois apenas voamos. Apenas exploramos, sem objetivo algum a não ser, talvez, provocar em nós mesmos o tal relaxamento.

Feather

O foco do título da Samurai Punk é a exploração, a experiência zen ofertada através do conjunto audiovisual bonito, agradável e, de certa maneira, dependendo do humor do jogador, imersivo.

O problema é que a experiência cansa, com o tempo. Você levará cerca de 30-40 minutos para explorar tudo o que o jogo tem a oferecer (no máximo 1 hora – talvez alguns minutos mais).

Feather

Feito isto, muito provavelmente você deixará o jogo de lado e até o desinstalará, uma vez que tudo o que resta é a mesma experiência. Repeti-la à exaustão pode não ser lá muito agradável para grande parcela dos jogadores, e eu diria até que aquilo que a princípio foi relaxante pode começar a se tornar irritante.

Feather

Se Feather contasse com mundos gerados de forma procedural, tenho certeza de que seu fator replay aumentaria bastante. Se ele contasse, por outro lado, com um mundo maior para explorarmos, também poderíamos com ele brincar por mais tempo.

Vale também, entretanto, que ele conta com muito bem vindos ciclos dia/noite, o que pode transformar a experiência radicalmente e fazer com que nele permaneçamos por mais algum tempo.

Feather

Mas infelizmente a experiência é limitada dentro de seu próprio conceito, dentro de um jogo claramente criado para fornecer uma curta e relaxante experiência, ao som de pássaros, sons ambientes também relaxantes e uma música muito bonita, embora também limitada (lembre-se: são apenas 9 faixas). É, talvez, um jogo destinado a uma pequena parcela de pessoas.

Feather

Finalizando

Trata-se de um jogo ruim? Eu diria que não: trata-se apenas de um jogo limitado (não tecnicamente, que fique bem claro), de uma proposta sucinta e voltada a jogadores casuais, que querem apenas relaxar em frente ao computador sem se preocupar com inimigos, com tiros vindos de todos os lados, com informações atrapalhando a exibição dos belos visuais exibidos no monitor, etc.

Feather poderia ser muito melhor caso tivesse sido maior. Caso seus desenvolvedores tivessem ousado. Com um mundo maior, com a já acima mencionada geração procedural, etc.

Feather

Em sua forma atual, eu o recomendaria a você apenas se você for capaz de desconsiderar todos os “contras” que eu citei acima e/ou então em uma bela promoção no Steam (o jogo custa atualmente R$ 20,69). Ou então, caso você esteja em busca de uma experiência relaxante para aproveitar ao final de um dia intenso de trabalho. Para alguns minutos de contemplação e esquecimento, quem sabe.

Ficha técnica

Título: Feather

Gênero: casual, aventura, atmosférico

Desenvolvedora: Samurai Punk

Publisher: Samurai Punk

Data de lançamento: 05 de Abril de 2019

Plataformas: PC, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

Fique com o trailer do game:

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