Devil’s Hunt é um hack ‘n slash baseado no livro Equilibrium, de Paweł Leśniak. O jogo trata a respeito da eterna guerra entre as forças do Céu e do Inferno, entre a Luz e as Trevas, entre o Bem e o Mal, entre Anjos e Demônios.

História

Como protagonista temos Desmond Pearce, filho de um grande empresário, o qual acaba se suicidando (meio que “acidentalmente”, diga-se de passagem, em um acidente automobilístico) e indo parar, literalmente, no inferno.

Devil's Hunt

O motivo do suicídio? Da raiva? Do ódio extremo que resultou na velocidade enorme imposta ao veículo e no consequente acidente? Bem, Desmond encontrou sua noiva, Kristen, na cama com seu melhor amigo, Embry.

Clichês à parte, temos em Devil’s Hunt uma história bastante interessante, valendo lembrar também que o jogo bebe de várias fontes, como por exemplo Devil May Cry, Darksiders e até mesmo Dante’s Inferno (no que diz respeito às fases em que perambulamos pelos domínios de Lúcifer).

Desmond, aliás, faz um pacto com o Diabo e se torna, assim, um Carrasco: ele deve matar, na Terra, todos aqueles que Lúcifer desejar, por qualquer motivo que seja. Existem, digamos, duas pedras no sapato de Desmond. Dois “fiscais”/superiores: Sawyer (pelo menos a princípio) e Serrote, ambos membros poderosos e pertencentes à elite dos Carrascos do Diabo.

Devil's Hunt

Sawyer, aliás, lembra bastante um Assassino, de Assassin’s Creed, com seu ar misterioso, sua roupagem e seu modo de agir, enquanto Serrote, que na Terra representa o papel de lutador de MMA, pende mais para o lado agressivo, brutamontes, vilanesco, mesmo.

Desmond é conhecido, entre anjos e demônios, como o “Salvador e Destruidor”. Ele é alguém aguardado tanto por seres do céu quanto do inferno. Alguém capaz de deixar que as forças do inferno invadam a terra ou então capaz de impedir tal, digamos, odioso processo.

A história do game não é muito profunda, e nem precisa ser, diga-se de passagem. Confesso, entretanto, que ainda quero conferir, se possível, o livro acima mencionado, no qual tudo se originou, inclusive porque, no final do jogo, temos a clara impressão de que muito mais ainda está por vir. Seria, quem sabe, o gancho para uma sequência de Devil’s Hunt?

Devil's Hunt

O fato é que o primeiro jogo da Layopi Games esbanja carisma, pelo menos a princípio. Existem boas ideias, aqui, existem diversos conceitos e mecânicas bacanas, embora alguns dos personagens principais, como Desmond, Kristen e Embry, por exemplo, não sejam lá muito carismáticos: nova 9, entretanto, para Lúcifer, Sawyer e Serrote – estes sim personagens carismáticos e com uma boa atuação de voz.

O jogo

O jogo possui gráficos muito bonitos (foi desenvolvido com a Unreal Engine), e também possui grandes problemas, a respeito dos quais comentarei mais abaixo. Devil’s Hunt apresenta ao jogador um inferno verdadeiramente terrível, repleto de demônios e criaturas atormentadas (daí minha lembrança de Dante’s Inferno – veja acima).

Devil's Hunt

O título da polonesa Layopi Games faz com que o jogador “passeie” e combata demônios de vários tipos em diversos locais do inferno, sempre “belamente” retratados. Existem rios de lava, construções em ruínas, corpos despedaçados para todos os cantos, torres altíssimas, cavernas repletas de perigos e passarelas que vão de um ponto a outro sobre enormes abismos.

Lúcifer, aliás, é retratado de forma sensacional: ele possui tatuagens e um rosto até um tanto quanto humano, não fossem expressões de zombaria e maldade que ele frequentemente assume.

Os combates em Devil’s Hunt são um tanto quanto desinteressantes, entretanto. Existem algumas árvores de habilidades, chamadas em Devil’s Hunt de “Escolas”, com poderes especiais que podem ser destravados, sendo que podemos alternar entre tais variados estilos de luta à qualquer momento durante os combates.

Devil's Hunt

A trilha sonora do jogo, além disso, é muito bacana, com boas pitadas de guitarras, aqui e ali, principalmente durante os combates, ajudando a criar um clima bastante interessante para a carnificina em tela.

Escolas, habilidades e almas

Bem, as árvores de habilidades não contam com habilidades e poderes que chamem a atenção, e além disso, o foco do jogo é no combate corpo a corpo, ou melee (apesar de existirem habilidades que lançam facas à distância, por exemplo, dentre outras semelhantes).

Devil's Hunt

Assim sendo, era de se esperar a presença de combos avassaladores, de habilidades absurdamente poderosas e destrutivas, mas isto não acontece, nem tampouco é possível intercalar uma sequência com a outra, o que acaba tornando os combates, além de simples demais, um tanto quanto decepcionantes.

O jogo é bastante linear, vale lembrar, mas isto não é um problema no que diz respeito a representantes do gênero hack ‘n slash. Em relação às habilidades acima mencionadas, vale lembrar, existe a “Escola do Carrasco”, a “Escola do Vazio”, a “Escola Profana”, e assim por diante.

Devil's Hunt

Cada uma destas “escolas”, ou “estilos”, conta com ataques e poderes diferentes, sendo que o jogador pode alternar entre eles à qualquer momento, valendo a pena ressaltar que Desmond pode destravar novas habilidades através do gasto de almas.

Sim, inimigos mortos rendem almas para o protagonista (ele as consome), e é assim também que sua energia vital, sua “vida”, é restabelecida. Existem também chefões em Devil’s Hunt, mas estes são poucos, assim como pouca é a variedade de inimigos.

Devil's Hunt

Além disso, derrotar um chefão, mesmo na dificuldade normal, não é lá muito difícil: basta apenas um pouco de paciência e de atenção a seus padrões de ataque, para que eles sejam vencidos dentro de algum tempo.

Gráficos

Os gráficos de Devil’s Hunt, no geral, são muito bonitos. O título também não exige uma máquina “da Nasa” para rodar, e mesmo nas configurações mais altas (Épico), tudo roda de forma fluida e tranquila. Pelo menos, durante a maior parte do tempo (veja abaixo).

Devil's Hunt

É um fato, entretanto, que as animações faciais são bastante, digamos, toscas, para não dizer risíveis: Desmond, por exemplo, parece uma marionete malfeita quando fala, e Kristen, então, quando tenta expressar emoções parece estranhamente robótica (mais parece que estamos vendo uma boneca malfeita em tela).

Portanto, não espere por animações faciais de boa qualidade em Devil’s Hunt, infelizmente. Exceto pelo próprio Capiroto, em um ou outro momento, esqueça deste elemento neste jogo, ou melhor, esqueça por um alto nível de qualidade em animações faciais em DH.

Devil's Hunt

Há um outro problema em Devil’s Hunt (dentre diversos outros): o jogo não conta com Vsync, pelo menos a princípio. E quem joga no PC (como eu) sabe que tal recurso, embora seja capaz de causar problemas de desempenho dependendo do jogo e da configuração da máquina, é algo presente em, digamos, 99,99% dos jogos eletrônicos existentes por aí. Confesso que me surpreendi bastante, aqui. Mas vamos lá.

Existe uma “solução”:

Como ativar o Vsync em Devil’s Hunt

Na verdade, a opção está “escondida” em um arquivo .INI. Você precisa navegar, em seu PC, até a pasta abaixo (o jogo deve chegar aos consoles apenas em 2020):

C:\Users\SEU_USUARIO\AppData\Local\DevilsHuntUnreal\Saved\Config\WindowsNoEditor

Obs: lembre-se de substituir “SEU_USUARIO” pelo seu usuário no Windows.

Dentro da pasta “WindowsNoEditor”, existe um arquivo chamado “GameUserSettings.ini” (sem aspas, obviamente). Abra-o com um editor de textos qualquer e em seguida localize a linha “bUseVSync=False”. Altere-a para “bUseVSync=True“. Salve o arquivo e feche-o.

Devil's Hunt

O diabo em pessoa

Obs: faça todos os procedimentos acima com o jogo fechado, ok?

Minha pergunta, no entanto, é: por que a desenvolvedora do jogo não tornou a configuração do Vsync acessível através dos menus do jogo?

Problemas e mais problemas

Devil’s Hunt conta com alguns problemas que chegam a irritar bastante. Além da animação facial um tanto quanto tosca e da “ausência de Vsync” (veja acima), o jogo apresenta algumas pequenas quedas na taxa de quadros por segundo, em momentos onde tal não deveria acontecer. O fato é que ao jogarmos o hack ‘n slash, temos uma certa sensação de que estamos jogando algo desenvolvido com um baixo orçamento.

Em diversos momentos, aliás, temos falas sem legendas (o jogo possui legendas em português do Brasil), além de diversos “crashes”, apesar da Layopi Games já ter lançado um patch para o título.

Obs: em relação ao problema acima, o inverso também ocorreu comigo – legendas em tela sem nenhuma fala/som.

Há momentos, aliás, em que a tela de habilidades meio que “trava” o jogador: você tenta sair de lá, com o controle e com o mouse, e não consegue – nada faz efeito, e então, o que resta, é simplesmente o CTRL+ALT+DEL + Finalizar Tarefa.

Devil's Hunt

E se você, por qualquer motivo que seja, resolve dar um ALT + TAB para conferir, digamos, seu email, pode se surpreender ao retornar a Devil’s Hunt e perceber que todo o som do jogo desapareceu. Do nada. Isto aconteceu comigo por diversas vezes, e em algumas delas, só consegui resolver o problema encerrando o game. Felizmente, os checkpoints do game são bastante frequentes/próximos.

Eu também esperava algo mais, digamos, “demoníaco”, quando Desmond finaliza os inimigos. Tudo bem que ele arranca cabeças, etc e tal, mas tudo cessa aí. Eu aguardava por tripas voando para todos os lados, para violência extrema, etc: afinal de contas, estamos falando de um jogo onde o protagonista é alguém que assinou um pacto com o Diabo para atuar como seu Carrasco na Terra.

Outros pequenos probleminhas também irritam bastante: quando pausamos o game, somos obrigados, por diversas vezes, a utilizar o mouse para navegar entre os menus, pois o controle simplesmente não funciona (utilizei o controle do Xbox 360).

Desmond também pode ativar, assim que seu medidor de fúria (preenchido conforme mata inimigos) se enche, sua forma demoníaca. Assim, ele se torna mais poderoso, assume a forma de uma criatura com chifres e tem sua movimentação acelerada.

Devil's Hunt

Entretanto, tal movimentação é travada: a menos que existam inimigos ao seu redor, à sua frente, etc, você não consegue sair do lugar. E vale lembrar que tal forma dura por pouco tempo, também.

A inteligência artificial dos inimigos, além disso, nem sempre é boa. Em várias situações, me deparei com inimigos, inclusive subchefes, que simplesmente ficavam parados, recebendo meus golpes, um atrás do outro, até serem mortos.

Finalizando

Com tudo isto em mente, fica um tanto quanto difícil recomendar Devil’s Hunt, pelo menos com seu “preço cheio”. No entanto, eu preciso elogiar bastante a desenvolvedora do game: trata-se de uma história original, bem interessante, e de um jogo com boas ideias, além de divertido quando não nos deparamos com seus problemas.

Perambular e combater no inferno, além disso, é extremamente divertido e, bem, o jogo custa R$ 75,45. Novos patches devem ser lançados, aliás: não creio que a Layopi Games deixará o jogo neste estado, principalmente porque trata-se de seu primeiro trabalho, baseado em um livro escrito por seu fundador.

Devil's Hunt

Se você aprecia jogos do gênero, aguarde por uma promoção, ou então por novos patches, corrigindo os problemas acima citados. Devil’s Hunt tem seus momentos divertidos, é bonito, e precisa, apenas, de mais polimento, de mais patches contendo correções de bugs. De mais atenção por parte de seus desenvolvedores.

Ficha técnica

Título: Devil’s Hunt

Gênero: hack ‘n slash, ação, aventura

Desenvolvedora: Layopi Games

Publisher: 1C Entertainment

Data de lançamento: 17 de Setembro de 2019

Plataformas: PC (Xbox One, Nintendo Switch e PlayStation 4 em 2020)

Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest