2019 é um ano verdadeiramente dourado para a Capcom. A empresa lançou o ótimo remake de Resident Evil 2 e, no último dia 08 de Março, o espetacular e redondinho ao extremo Devil May Cry 5, jogo que marca o retorno da famosa franquia rainha dos hack ‘n slashes, em grande estilo.

Trata-se de um verdadeiro sonho para os fãs da franquia, aliás, que esperaram 10 anos por um novo jogo da série. Para se refestelar com a matança desenfreada e frenética de demônios. DMC 5 é o quinto título da franquia canônica, desconsiderando aqui o reboot DmC: Devil May Cry, de 2013, produzido em parceria com a Ninja Theory (a mesma empresa responsável pelo também ótimo Hellblade: Senua’s Sacrifice). DMC 5 foi desenvolvido pela equipe principal da franquia, é também importante ressaltar logo de início.

Devil May Cry 5

Em DMC 5, temos um novo demônio, Urizen, o qual traz grande destruição a Red Grave City e promove uma verdadeira invasão de forças demoníacas à terra, transformando tudo em um verdadeiro caos. Urizen está dentro de uma árvore demoníaca, a Qliphoth, a qual tem raízes espalhadas por toda a cidade e se alimenta de sangue humano, deixando o demônio cada vez mais poderoso.

Devil May Cry 5

A história acontece muitos anos após os eventos vistos em Devil May Cry 4, com a presença dos já conhecidíssimos personagens Dante, Nero, Trish e Lady, além dos estreantes V e Nico (Nicoletta Goldstein), sócia de Nero na agência móvel Devil May Cry, a qual desenvolve e aprimora armas e equipamentos. Muita coisa é finalmente explicada em Devil May Cry 5. Muitas revelações são também feitas, e a trama conta com alguns plot twists bem interessantes e impactantes.

O jogador controlará Nero, Dante e o enigmático V ao longo de 21 missões (considerando o prólogo), cada um deles com suas respectivas e diferentes mecânicas, o que pode também acabar complicando as coisas para os novatos.

Mas não se preocupe: tudo é muito bem explicado, e existe sempre uma área de testes, chamada de “Vazio”, onde cada arma, golpe e combo pode ser testado e ensaiado. Na verdade, o que temos são 3 estilos diferentes de jogar, e Dante talvez seja o mais completo e complexo dos três, devido à variedade de armas de fogo que ele vai ganhando ao longo do jogo, incluindo a espetacular bazuca Kalina Ann II (sem contar com as tradicionais Ebony e Ivory), devido também à grande variedade de espadas e outras armas brancas que ele utiliza, e também devido aos estilos diferentes de abordagem aos combates que o jogador pode selecionar em tempo real, os quais se adequam a diferentes estilos de jogo e de situações, priorizando, por exemplo, a movimentação rápida, as espadas, a defesa ou as armas de fogo.

Devil May Cry 5

Ah, e eu já ia me esquecendo: Dante também pode fazer uso de seu famoso Devil Trigger. Acredite: jogar com o famoso Dante pode ser um tanto quanto complicado, a princípio, mas assim que você pega o jeito, o gameplay se torna extremamente prazeroso, e o encadeamento de combos resulta em uma verdadeira carnificina, em um verdadeiro espetáculo para os olhos e os ouvidos.

Destaque para a nova arma de Dante, a Cavaliere, uma espécie de motocicleta criada com partes metálicas de um demônio derrotado, a qual se divide em duas peças e funciona mais ou menos como lâminas duplas, com o devido e empolgante som de uma moto potente acelerando.

Nero, por sua vez, conta com sua espada Red Queen e com o revólver Blue Rose, os quais também são capazes de promover grande matança em meio a hordas enormes de demônios sedentos pelo sangue do personagem. Ele também perdeu seu braço demoníaco, e agora conta com próteses desenvolvidas por Nico, os Devil Breakers.

Devil May Cry 5

Cada Devil Breaker é uma arma, aliás, com habilidades diferentes. Existem vários deles (Overture, que explode os inimigos, Helter Skelter, que quebra a proteção dos demônios, etc), os quais podem ser adquiridos na lojinha da Nico, mediante o uso de orbes vermelhos (não se preocupe: microtransações estão presentes em Devil May Cry 5, mas é possível jogar tranquilamente sem adquirir nada com dinheiro de verdade – bastam os orbes vermelhos ganhos durante o gameplay).

Devil May Cry 5

Os Devil Breakers ficam armazenados em uma espécie de pente, e o jogador não pode escolher qual será utilizado a seguir, tão logo iniciada uma missão. A ordem dos mesmos no tal pente é definida previamente, e durante o gameplay as próteses vão sendo “gastas” na sequência.

Todos os Devil Breakers também contam com um modo secundário de utilização: eles podem ser explodidos, o que permite então que Nero escape de algum momento mais complicado ou cause mais destruição.

V, por outro lado, é o mais misterioso dos três personagens jogáveis, e uma novidade muitíssimo bem vinda. Além de recitar poemas, ele não luta diretamente. Mas é capaz de evocar 3 demônios que combatem por ele, sob seu comando. Funciona mais ou menos assim: o jogador deve manter V à distância das lutas, pois ele é extremamente frágil, contando apenas com um cajado que, durante os combates, não é lá de muita valia.

Devil May Cry 5

V, então, é capaz de evocar 3 demônios: Shadow, que já apareceu no primeiro jogo da série, Grifo e Pesadelo, um colosso enorme e poderoso, capaz de ataques devastadores. É necessária uma certa dose de estratégia no manejo de V, pois o jogador deve ao mesmo tempo se manter à distância do combate e, enquanto observa tudo o que acontece, controlar remotamente os 3 demônios. Além disso, há um detalhe bem bacana aqui: Shadow, Grifo e Pesadelo são incapazes de matar os inimigos.

Devil May Cry 5

Eles apenas os deixam meio atordoados, e o jogador deve, então, fazer com que V vá até eles e os finalize com seu cajado. Deu para perceber como tal mecânica é interessante e capaz de variar bastante a jogatina e a experiência como um todo, não?

Creia em mim: jogar com V pode ser também bastante divertido, principalmente para quem adora encarar um desafio a mais, dada a fragilidade do personagem e o tal “controle remoto” de seus demônios, o que exige atenção e estratégia, como já dito acima.

O enredo de Devil May Cry 5 é cheio de avanços e retrocessos no tempo, e é um dos mais bacanas que já vi na série. Eu diria até que estamos diante da melhor história em um DMC, até o momento. A franquia é conhecida por seus momentos exagerados e por seu humor bastante escrachado. A Capcom, entretanto, resolveu dar uma maneirada aqui, e temos uma história bem mais séria e até mesmo com momentos repletos de drama, palcos para grandes emoções, verdadeiramente.

Devil May Cry 5

Existem algumas missões onde podemos escolher o personagem com o qual desejamos jogar (Nero, Dante ou V), mas elas são poucas, e durante a maior parte do tempo o jogo é quem decide, certamente interligando e tornando tudo coeso dentro do contexto da narrativa.

Talentos os mais diversos podem ser adquiridos na loja da Nico ou em estátuas espalhadas ao longo dos caminhos do jogo. Tais talentos, ou habilidades, são adquiridos para cada arma em específico, seja ela de fogo ou não, e muitos deles possuem vários níveis de evolução, resultando em ataques mais poderosos ao longo do tempo.

Devil May Cry 5

Na verdade, o que temos aqui são combinações e golpes, para utilizarmos durante o gameplay e encadearmos combos diversos, a fim de atingir altas pontuações de estilo, como já é de praxe na série (D, C, B, A, S, SS e SSS, o mais alto). SSS, aliás, é o rank de estilo que grande parte dos jogadores almeja obter, através de combinações mirabolantes e fantásticas de combos, mas isto requer uma grande dose de treino e paciência.

Devil May Cry 5

Graficamente falando, DMC 5 é um verdadeiro espetáculo. Desenvolvido na RE Engine, a mesma de Resident Evil 2 Remake e Resident Evil 7: Biohazard, o jogo é de um primor gráfico de cair o queixo. Temos cutscenes maravilhosas, também, as quais não apenas exibem mais da história, mas também nos apresentam a cenas espetaculares, lindíssimas mesmo.

Demônios, chefes (sempre enormes e surpreendentes), armas, explosões e efeitos estão em um patamar de qualidade verdadeiramente assustador (positivamente). A direção de arte de Devil May Cry 5 está de parabéns, e as expressões faciais são de um realismo impressionante.

Devil May Cry 5

Os cabelos, principalmente os de Dante, possuem um aspecto bastante realista, e os cenários e ambientes estão de parabéns, desde fases em que atravessamos prédios e construções em ruínas até missões nos subterrâneos demoníacos. Sai de cena aquele visual meio japonês do quarto capítulo da franquia e o que temos então é algo que prima mais pelo realismo. Temos algo bastante ocidental, em DMC 5, o que, a meu ver, é bastante positivo.

Temos que destacar também a trilha sonora do game, a qual é verdadeiramente espetacular. Trata-se de um conjunto fabuloso que mistura orquestração, música eletrônica e muito rock and roll. Tudo, obviamente, dependendo do personagem em cena e da situação.

É impossível não se empolgar e tentar dar o máximo de si, por exemplo, ao lutar com Dante e ouvir aquele som maravilhoso, com direito a vocais guturais e tudo. A vontade que temos, realmente, é de fatiar o máximo de demônios possível, e encadear o maior número de combos que pudermos. É sensacional, acredite.

Tudo isto (trilha sonora e gráficos) acaba formando um conjunto audiovisual estupendo, capaz de entusiasmar tanto os fãs antigos da franquia quanto os novatos, valendo lembrar que o jogo pode ser também apreciado por quem nunca jogou nenhum dos títulos anteriores (recomendo jogá-los, entretanto), pois na tela inicial é permitido o acesso a um vídeo que conta toda a história da série, até os momentos atuais. É, a Capcom pensou em tudo.

Devil May Cry 5

É interessante observar, ao longo do jogo, como Nero e Dante acabam deixando suas diferenças de lado e unindo forças em prol de um bem comum. Isto fica mais evidente ainda nas missões finais do game, mas eu estaria publicando spoilers se comentasse mais a este respeito, portanto, vou deixar que você descubra por si mesmo.

Apesar de se tratar de um jogo linear, DMC 5 conta com missões secretas cuja entrada pode ser descoberta pelo jogador ao longo do gameplay. Tais missões possuem um limite de tempo, é importante ressaltar, porém, uma vez descobertas, podem ser acessadas à qualquer momento à partir do menu inicial.

A linearidade não é um problema, entretanto, e quem já jogou algum game da franquia sabe disto muito bem. Muitas vezes somos encerrados em espécies de arenas, fechadas por selos vermelho sangue, momentos então em que temos de enfrentar hordas “terríveis” de demônios.

Hordas, muitas vezes, compostas por demônios de diversos tipos, um mais poderoso que o outro. Trata-se, obviamente, de excelentes momentos para testarmos nossas habilidades e aprimorarmos nosso estilo, desencadeando combos e mais combos e dando cabo dos inimigos com enorme violência.

Devil May Cry 5

A versão de Devil May Cry 5 que recebi da Capcom para testes foi a versão para PC. Posso dizer que o jogo está extremamente bem otimizado, e consegui rodá-lo a 60 frames por segundo sem maiores problemas. Tudo transcorreu tranquilamente durante esta agradável experiência, e gostaria de ressaltar mais uma vez que os gráficos estão incríveis. Ah, o jogo também conta com um recurso que já está se tornando comum em diversos títulos: um “modo fotografia” completo, para a captura de belíssimas screenshots.

Talvez o único problema do game seja sua duração: finalizei-o em cerca de 16 horas (me divertindo bastante), e apesar de podermos repetir cada uma das missões, não existem muitos motivos, pelo menos a princípio, para retornarmos ao jogo depois dos momentos finais (também é possível jogar novamente as missões com personagens diferentes, vale ressaltar – as missões que permitem a escolha, que fique bem claro).

Além disso, um novo modo de jogo também é liberado após a finalização da campanha: “Filho de Sparda”, uma espécie de modo mais “hard”, digamos. Portanto, o fator replay aqui é algo que depende também das prioridades e desejos de cada jogador.

Isto tudo deve mudar, é claro, com a checada do modo Palácio Sangrento (Bloody Palace) no próximo dia 01 de Abril de 2019, conforme já anunciamos por aqui. E fazendo aqui uma pequena digressão: que final, meu Deus! Simplesmente fantástico!

DMC 5 é uma verdadeira carta de amor da Capcom aos fãs desta incrível franquia. Repleto de ação frenética, chefes assustadoramente enormes e “bonitos”, personagens já conhecidos (porém ainda extremamente carismáticos) e novidades muitíssimo bem vindas, o jogo tem tudo para agradar a uma ampla gama de jogadores.

Devil May Cry 5

Jogadores em busca de ação incessante, de um enredo, por incrível que pareça (lembre-se, estamos falando a respeito de um hack ‘n slash), instigante e até com certas doses de drama, e de gráficos primorosos. Os plot twists na trama, além disso, dão um toque especial a tudo, e podem realmente surpreender a maioria dos jogadores. É jogar para crer. Este é, sem sombra de dúvidas, o melhor Devil May Cry já lançado.

Ficha técnica

Título: Devil May Cry 5

Gênero: ação, hack ‘n slash

Desenvolvedora: Capcom

Publisher: Capcom

Data de lançamento: 08 de Março de 2019

Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One

Versão analisada: PC

Obs: o jogo não conta com dublagem em português, mas possui legendas em pt-BR.

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