Decay of Logos é um RPG desenvolvido por um estúdio português chamado Amplify Creations. Trata-se de um jogo que bebe de fontes tais como, por exemplo, a franquia The Legend of Zelda, de onde vêm as inspirações para o estilo artístico, e Dark Souls, de onde vêm, pelo menos a princípio, inspirações no que tange aos combates.

O jogo é um tanto quanto problemático, devo dizer, e devo também alertar logo de início que as screenshots constantes neste review não são as que eu capturei enquanto jogava: infelizmente, não sei como, perdi todas as imagens que capturei através do F12 do GOG Galaxy. Bem, mas vamos ao jogo em si.

Decay of Logos é uma obra que possui grande ambição, e talvez comecem justamente aqui os problemas pelos quais passará o jogador ao longo da aventura, a qual dura algo em torno de 16 – 17 horas. Seu mundo semiaberto lembra bastante os títulos da renomada From Software, com áreas até que bem grandes porém limitadas.

Decay of Logos

Como protagonista, temos Ada, jovem que insistentemente nos faz recordar de Link, de The Legend of Zelda. O jogo começa com uma vila em chamas, fazendo-nos supor que a garota ali vivia. Aparentemente, seus pais também morreram no ataque, e a missão da garota, à partir daí, será uma missão de vingança, em busca dos responsáveis pela tragédia.

Decay of Logos

Não se trata de uma história lá muito profunda, mas de qualquer forma, ao longo do gameplay, será possível obter diversos trechos da mesma através de diálogos com diversos NPCs.

Decay of Logos conta com gráficos bonitos e agradáveis, isto não podemos negar. No entanto, sofre com diversos problemas de performance (e a máquina na qual o testei  conta com configuração acima dos requisitos recomendados, vale ressaltar).

Experimentei, por exemplo, diversas quedas de quadros por segundo, além de crashes diversos ao longo do gameplay, apesar da desenvolvedora já ter lançado alguns patches desde o lançamento do jogo, no último dia 30 de Agosto.

Decay of Logos

O jogo também, de maneira um tanto quanto estranha, carece de um tutorial (algumas poucas explicações nos são dadas através de espécies de totens), e se quisermos obter todos os detalhes a respeito dos controles, somos obrigados a ir até o menu de configurações.

Os combates de Decay of Logos lembram bem aquilo que vemos na franquia Dark Souls. Infelizmente, entretanto, aqui tudo é bem lento, e até mesmo desengonçado. Aliás, me lembro muito bem que uma das primeiras coisas que me saltaram aos olhos foi justamente a movimentação de Ada: as animações são um tanto quanto estranhas, bem esquisitas mesmo.

E nos combates a coisa não é diferente: temos de bloquear nos momentos certos, atacar com golpes fortes e fracos (sempre de olho na estamina), e utilizar a esquiva. Mas tudo transcorre de forma extremamente lenta – não sou nenhum expert em jogos souls-like, mas sei que geralmente as coisas não acontecem assim, nos mesmos, principalmente nos próprios Dark Souls.

Decay of Logos

Ada parece, digamos, não lá muito confortável com suas armas, e assim sendo, se esquiva, ataca e apara golpes com extrema lerdeza, além de apresentar uma animação um tanto quanto forçada, digamos. Há também um certo atraso nos controles, e você poderá ser pego de surpresa, por diversas vezes, “errando” o parry quando na verdade fez tudo certinho.

O mundo de Decay of Logos é bastante bonito, e até mesmo interessante. Convidativo, eu diria, não fossem os diversos problemas. Não temos, obviamente, até mesmo dado o notório baixo orçamento do jogo, nenhuma experiência digna de um AAA, no que diz respeito aos gráficos nem tampouco no que diz respeito à história e ao gameplay. Acredito que o título da Amplify Creations, o qual levou 3 anos para ser desenvolvido, foi lançado cedo demais, aliás: um pouco mais de polimento teria feito muito bem a ele, creio eu.

Este review de Decay of Logos pode até mesmo soar bastante “intimista”, digamos, uma vez que não possuo muita experiência com jogos do tipo (Souls-like). Porém, o jogo consegue nos frustrar bastante, em diversos momentos.

Várias vezes temos de descansar em acampamentos, e aí, durante a noite, podemos ser atacados por inimigos. O problema é que descansar é a única maneira de nos recuperarmos de alguns efeitos de mortes consecutivas em combate. Algumas vezes, sofremos reduções drásticas em nossos stats, e dependendo do número de mortes, tais reduções chegam a cortar pela metade nossos atributos.

Ora, se já estamos mal, com níveis baixos de vida, etc, a visita de inimigos para nos atacar durante à noite nos acampamentos é bastante danosa, pois acaba com nosso descanso, corta nossa recuperação, e ainda por cima faz com que corramos mais riscos.

Decay of Logos

O jogo também não deixa muito claro como funciona o sistema de evolução. Aliás, tal sistema é uma espécie de mistério, pelo menos para mim: acredito que não entendi muito bem como se dá a evolução em Decay of Logos, e veja que eu já joguei muitos RPGs em minha vida.

Parece que a desenvolvedora resolveu praticar algum tipo de “maldade”, não sei bem ainda ao certo, com os jogadores. Não, na verdade não creio que se trate disso, mas que se trata de algo bastante estranho, isso é. Isto sem falar que a inteligência artificial dos inimigos, inclusive dos chefões, é bastante “inocente”. Ruim mesmo, eu diria, com todas as letras.

Decay of Logos

Geralmente, nos combates, tudo o que temos que fazer (existe até mesmo trava automática nos inimigos – a qual pode ser desativada) é girar ao redor dos inimigos e distribuir golpes curtos alternadamente com golpes mais fortes, sempre tomando cuidado com possíveis contra-ataques (utilizando então a esquiva ou o parry).

Além disso, temos como companion um alce bastante estranho: ele se estressa com bastante frequência, e aí temos de sair em busca de certas frutas específicas para que ele se acalme (ele é também nossa montaria).

Quando estamos longe dele, além disso, existe um comando específico para chamá-lo: mas nem sempre ele atende, e eu confesso que joguei grande parte de Decay of Logos com raiva do tal alce e/ou sem utilizá-lo.

Decay of Logos

O jogo da Amplify Creations também conta com um mundo interessante, vale ressaltar, com diversos puzzles que devem ser resolvidos, os quais ajudam a trazer um pouco mais de alegria ao gameplay. Isto sem falar em velhos maquinários que Ada pode colocar em funcionamento, maquinário este sempre de funcionamento bastante interessante.

Decay of Logos poderia ter sido um jogo muito melhor, tenho certeza, caso tivesse sido mais polido. Há bastante potencial, nele, tanto no que diz respeito à narrativa quanto no que diz respeito ao gameplay. Sem falar na personagem principal, obviamente. Infelizmente, da forma como ele está, recomendo que você o pegue em alguma promoção (não que ele seja caro – ele custa meros R$ 37,99).

GOG.com - Cópia de Decay of Logos gentilmente cedida para review

Ficha técnica

Título: Decay of Logos

Gênero: RPG, Souls-like, aventura

Desenvolvedora: Amplify Creations

Publisher: Rising Star Games

Data de lançamento: 30 de Agosto de 2019

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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