Darksiders, de 2010, foi um excelente jogo, um espetacular hack ‘n slash com pitadas de RPG. Tivemos aí o início de uma franquia de sucesso que teve, é claro, seus altos e baixos. Darksiders II, de 2012, foi um jogo mediano, talvez pelo fato da Vigil Games ter tentado ousar demais e entregado ao jogador um game enorme, com um enorme mundo para ser desbravado, além de toneladas de loot. Ele acabou se tornando, é verdade, bastante cansativo.

Darksiders III, de 2018, até que foi um bom jogo: uma pena, entretanto, a Gunfire Games tê-lo transformado em uma espécie de mistura entre os gêneros Souls-like e hack ‘n slash. E finalmente, em 2019, quase 10 anos após o primeiro título da franquia, temos em mãos Darksiders Genesis, o jogo que conta com Strife (Conflito) como um dos personagens jogáveis. A espera foi longa, mas será que valeu a pena?

Jogando Darksiders Genesis

Darksiders Genesis, na verdade, é uma prequel. Sua história acontece antes dos eventos vistos no primeiro Darksiders, lá em 2010. Aqui, temos como personagens jogáveis War (Guerra) e o aguardadíssimo Strife (Conflito).

Darksiders Genesis

O jogo, ao contrário de seus antecessores, conta com uma perspectiva isométrica, algo bem parecido com aquilo que vemos, por exemplo, em Diablo III. Confesso que torci o nariz logo de cara para tal mudança implementada pela desenvolvedora Airship Syndicate e pela publisher THQ Nordic, atual detentora dos direitos sobre a IP. Mas o jogo não é ruim, que fique bem claro desde o início.

Tudo bem que ainda temos muita pancadaria e muitos demônios para massacrar, além de puzzles para resolver e chefes enormes para derrotar. Entretanto, toda a grandiosidade dos acontecimentos acaba meio que se perdendo devido à diminuta perspectiva, digamos, além do tamanho bastante reduzido dos personagens principais e dos inimigos comuns.

Darksiders Genesis coloca War e Strife em meio a uma grande conspiração. Lúcifer está tramando algo bastante ruim para o tão almejado equilíbrio que o Conselho das Chamas deseja manter.

O Rei dos Demônios a princípio parece estar em “sociedade” o demônio Samael, e o Conselho, sabendo da situação, portanto, envia Guerra e Conflito para resolver a situação.

Darksiders Genesis

Tudo isto em uma jornada repleta de demônios dos mais variados tipos, de muita pancadaria e finalizações violentíssimas (que certamente seriam muito melhor apreciadas em um jogo nos moldes dos anteriores, e não com perspectiva isométrica), etc.

É possível alternar entre qualquer um dos 2 Cavaleiros do Apocalipse à qualquer momento, e vale lembrar que cada um deles conta com suas respectivas vantagens e desvantagens, além de armas e habilidades únicas.

Darksiders Genesis

War, por exemplo, é um verdadeiro destruidor. Um oponente temível e ameaçador, bastante apropriado para combates à curta distância. Seu irmão Strife, por outro lado, é mais frágil e bem apropriado para combates à longa distância, devido ao uso de suas duas pistolas.

Cada um dos Cavaleiros conta com suas armas clássicas: War possui a enorme e poderosa espada Devoradora do Caos, enquanto Strife possui as pistolas Misericórdia e Redenção.

Darksiders Genesis

Strife, vale ressaltar, também é capaz de combater à curta distância, mas eu confesso que passei a maior parte do tempo jogando com War, devido à sua maior força e resistência. E eu que estava ansiosíssimo para ver Strife em ação, veja só!

Em Darksiders Genesis, entretanto, verdade seja dita, Strife pode ter 2 tipos de munição em suas pistolas, além de contar com a possibilidade de equipar novos tipos de projéteis conforme vai evoluindo. Isto acaba trazendo ao título um certo elemento twin-stick shooter que fica muito bacana, diga-se de passagem.

Os dois cavaleiros também podem fazer uso de seus cavalos, os quais podem ser invocados à qualquer momento, ajudando então bastante no momento de percorrer longos trechos dos mapas do jogo, ao longo das 16 missões de Darksiders Genesis.

Darksiders Genesis

Os chefões do jogo, vale também a pena destacar, são bastante desafiadores, além de enormes. Os mapas geralmente são grandes, e alguns deles podem ser revisitados pelo jogador, em busca de almas, orbes e outros itens de interesse (ou seja, mais loot).

Aliás, vale a pena destacar que é importante explorar bastante, e inclusive revisitar mapas anteriores, a fim de encontrar e desbloquear novas e extremamente úteis habilidades, as quais podem fazer falta em algum futuro momento crucial, digamos.

Gráficos e trilha sonora

Não há nada de especial no quesito “gráficos”. Entretanto, é interessante mencionar o fato de que os gráficos de Darksiders Genesis são bonitos, e também de que estamos falando, aqui, de um jogo que é, dentro da franquia, algo como uma espécie de spin-off. De um jogo que é, também, algo com um orçamento bem menor que um verdadeiro AAA.

O que eu quero dizer, é que não há nada demais nos gráficos de Darksiders Genesis. O jogo é muito bonito, verdade seja dita, e em determinados momentos, chegamos até a nos surpreender com belíssimos efeitos e texturas, além de cenários.

Darksiders Genesis

No entanto, não se trata de nada que já não vimos em dezenas e dezenas de outros games atuais. Isto não é um demérito, entretanto, uma vez que não considero o quesito “gráficos” como ponto determinante na hora de avaliar se um jogo é bom ou não. 

Já a trilha sonora do título da Airship Syndicate é lindíssima, contando com bela orquestração e corais, tudo com um toque bastante sinistro, bastante apropriado à proposta do jogo e aos ambientes nos quais estamos imersos.

Algumas considerações finais

Darksiders Genesis conta com um mapa bastante problemático, que não ajuda em nada. Não contamos com um minimapa em tela, por exemplo, e se quisermos visualizar o tal mapa, temos de pressionar o botão de pausa.

Além disso, o mapa não exibe a posição do personagem ativo no momento, e eu confesso que joguei a maior parte do tempo sem sequer utilizá-lo: ele é, basicamente, inútil, do jeito em que se encontra.

Darksiders Genesis

Além disso, Darksiders Genesis conta com alguns bugs estranhos no que diz respeito à câmera: ela chega a travar em determinado ponto, de vez em quando, não acompanhando a movimentação do personagem em uso no momento, e obrigando o jogador a encerrar o game e recarregar o último checkpoint.

O sistema de progressão do jogo ficou mais simplificado, além disso: temos algo chamado “Cernes de Criatura”, onde podemos interligar cristais coletados de inimigos caídos e então amplificar (ou reduzir, dependendo do caso) atributos dos personagens, de acordo com as escolhas do jogador.

Darksiders Genesis

Vulgrim, nosso velho conhecido “mercador”, está de volta, e como sempre, vende diversos itens interessantes. Acaba sendo mais fácil, portanto, adquirir novos ataques e habilidades com o demônio do que utilizar o sistema de Cernes. Esta é, em minha opinião, a melhor maneira de deixar os personagens principais mais fortes, mais poderosos, com mais combos e habilidades.

Darksiders Genesis é um bom jogo. Uma bela adição a esta ótima franquia. Entretanto, ainda acredito firmemente que as “velhas fórmulas” funcionariam melhor, aqui, e isto inclui, infelizmente, a perspectiva isométrica utilizada (algo que não gostei nem um pouco neste jogo).

GOG.com

Ficha técnica

Título: Darksiders Genesis

Gênero: ação, hack ‘n slash, aventura

Desenvolvedora: Airship Syndicate

Publisher: THQ Nordic

Data de lançamento: 05 de Dezembro de 2019 (PC) – Consoles em 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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