Cloudpunk (página no Steam) traz diversos elementos que os fãs de ficção científica cyberpunk adoram. Fãs de clássicos como por exemplo Blade Runner, e até mesmo Matrix, irão certamente adorá-lo. Porém, Blade Runner é o que mais me vem à mente enquanto jogo o título.

Sua estética, seus gráficos, sua trilha sonora, sua história e sua jogabilidade: tudo faz parte de um “pacote” bastante especial para os fãs do gênero. E como eu aguardava por tal jogo!

Cloudpunk - Game

Desenvolvido pelo estúdio independente alemão ION LANDS, o jogo é uma verdadeira carta de amor a todos os fãs do gênero, apresentando inclusive uma narrativa bastante interessante, ao mesmo tempo em que entrega uma ambientação fenomenal.

É impossível viajar através da belíssima cidade de Nivalis sem nos lembrarmos do clássico de ficção científica de 1982, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford e Rutger Hauer.

Cloudpunk - Game

Sobre Cloudpunk

Cloudpunk, com seus Voxels, é extremamente encantador, desde o início. A cidade de Nivalis, então, é uma grande metrópole na qual grandes corporações não têm o mínimo respeito ou cuidado em relação às pessoas mais simples.

Temos em Nivalis diversos personagens interessantes, incluindo androides bastante peculiares, NPCs com os quais travamos diálogos extremamente dignos de nota, inteligências artificiais as mais distintas e, bem, chefões do crime organizado.

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O jogo é um dos mais lindos exemplares no que tange a títulos cyberpunk que tive o prazer de jogar nos últimos tempos. No excelente indie game, temos uma mistura entre aventura e pilotagem de veículos aéreos, além de muita ficção científica.

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Os diálogos são parte importantíssima em Cloudpunk, e é também importante destacar que ao longo do gameplay, somos colocados frente a frente com algumas escolhas morais bastante interessantes (e difíceis).

O game esteve em desenvolvimento, segundo a ION LANDS, durante 3 anos. E ele é descrito também como um jogo com uma história noir.

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Desenvolvido em Unity, o título é uma bela alternativa para quem está em busca de um jogo de ficção científica. De um jogo que é uma espécie de Euro Truck Simulator 2 + vários e vários extras.

A história

Em Cloudpunk, a história acontece durante uma única noite. Mas não se preocupe: a aventura pode durar até 20 horas (ou mais, dependendo do jogador), pois existem missões principais e secundárias.

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Estamos em Nivalis, uma cidade futurista na qual chove constantemente. A maioria de seus habitantes jamais viu o céu, pois obviamente este está sempre encoberto por nuvens escuras.

Como protagonista, temos Rania, uma garota que acabou de chegar na cidade e acaba então arranjando um emprego como motorista na organização Cloudpunk – uma espécie de serviço de entregas meio que ilegal, e sempre mal visto pela CorpSec, a polícia da cidade.

Em Nivalis e na Cloudpunk, Rania é a princípio uma mera motorista. Seu código é 14FC, e ela tem como único contato na empresa, via rádio, alguém autodenominado “Control” (ou Controle, Supervisor), o qual atua então como “quest giver”.

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Fora do veículo

É o tal Controle, representado pela figura de um senhor idoso, quem dá à personagem principal as coordenadas e as instruções relativas a seus trabalhos/entregas. Onde pegar os pacotes, onde entregar, instruções adicionais, etc.

Existem algumas regras, aliás, em tal trabalho: nunca perguntar o que há dentro dos pacotes, e não perdê-los jamais, o que nos leva a crer que, realmente, a CorpSec tem motivos de sobra para ficar de olho na Cloudpunk.

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Rania, em seu primeiro trabalho, pergunta ao Controle o que houve com o/a motorista anterior. Lhe é dito, então, que este/a “se aposentou”, após determinados acontecimentos (sem maiores explicações) em um tal Setor 6.

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Entrando em uma rodovia

Controle até mesmo chega a dizer à protagonista que a maioria dos motoristas só duram uma noite, e é bastante vago quando Rania lhe pergunta se eles pedem demissão. Mistério! Vale ressaltar que a bela porém injusta Nivalis é a maior cidade deste mundo futurista no qual se passa o jogo.

Nela, existem claros contrastes entre a população e diversos bairros. CEOs e grandes corporações ocupando arranha-céus e vivendo em luxuosas acomodações, enquanto a população pobre é relegada a lugares mais, digamos, “modestos”, e até mesmo tristes.

Diálogos

Rania conversa bastante, durante o gameplay, seja com sua IA pessoal CAMUS (instalada em seu veículo), seja com os destinatários dos pacotes, ou até mesmo com agentes da CorpSec.

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Ela também dialoga com IAs as mais diversas, com androides especializados em vários tipos de tarefas, e também com pessoas reais, algumas delas utilizando aprimoramentos cibernéticos (lembra de Deus Ex: Human Revolution, por exemplo?).

Quase todos os diálogos de Cloudpunk são bastante interessantes, mas existem alguns momentos, principalmente com CAMUS (cujo avatar é um cão), em que eles são um tanto quanto cansativos.

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CAMUS, quando não está fazendo suas obrigações como IA do HOVA de Rania (mais detalhes abaixo), conversa sobre assuntos os mais diversos, muitas vezes, até, sobre coisas totalmente nonsense, o que acaba tirando nossa atenção durante a pilotagem.

Veículos

Ah, eu não poderia deixar de mencionar os veículos voadores do jogo, os HOVAs. Nivalis é repleta de HOVAs, viajando em rodovias futuristas onde nossa velocidade é incrementada automaticamente, ou então em meio a fantásticos arranha-céus.

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O trânsito na cidade é intenso, caótico, “bagunçado”. Nosso próprio HOVA é sensacional, valendo também a pena lembrar que é preciso abastecê-lo, de tempos em tempos, e parar em oficinas caso ele seja danificado (todo cuidado ao volante é pouco, portanto).

Pilotar nas highways de Nivalis é sensacional, em meio a outros veículos voadores (muitos deles verdadeiros “barbeiros”). Mas pilotar em meio aos altíssimos prédios da cidade é ainda mais espetacular.

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É aí que podemos observar toda a beleza e o esplendor cyberpunk de Nivalis, com a altíssima quantidade de propagandas luminosas, com os letreiros em neon espalhados por todos os lados, com os prédios iluminados.

Nivalis é uma cidade que pede para ser explorada, e Cloudpunk é um jogo que não conta com nenhum tipo de “tempo de expiração” para a realização das missões, portanto, podemos explorar, brincar, nos divertirmos, à vontade, na cidade iluminada.

Pilotar um HOVA é bastante simples, na verdade. E você pode tanto utilizar o teclado (como eu fiz), quanto um controle, por exemplo.

Missões / entregas

É até mesmo interessante destacar que a relação entre Rania, a protagonista, e o idoso Controle, vai pouco a pouco se estreitando.

A princípio, o tal chefe/supervisor é bastante frio e calculista, mas pouco a pouco ele passa a se preocupar com a personagem principal, a qual acaba até mesmo se envolvendo em coisas fora de sua alçada.

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Isto mostra como o game possui capacidade suficiente para manter o jogador constantemente interessado em sua trama. Não se trata, digamos, de um “mero jogo de entrega de mercadorias”. Não, longe disso. É muito mais!

É o caso, por exemplo, da menina desaparecida, chamada Pashta. Rania acaba se envolvendo com o caso devido a um androide investigador chamado Huxley, o qual, aliás, é muito engraçado.

Finalizando aqui a breve digressão, Rania entrega de tudo, desde comida até implantes cibernéticos, passando por objetos, digamos, “proibidos”.

Isto sem falar em um certo incidente aparentemente causado por uma de suas entregas: ela se surpreende bastante, quando toma conhecimento dos resultados. Mas sem spoilers, aqui.

Escolhas morais

E eu não poderia deixar de mencionar, também, uma certa evacuação que Rania é obrigada a fazer, trabalhando como uma espécie de “táxi aéreo” e tendo de escolher entre os mais ricos ou os mais pobres.

Claro, a Cloudpunk desejava resgatar apenas os mais ricos, com apólices de seguros, capazes de pagar vultosas quantias em dinheiro: mas fica à cargo da protagonista optar entre este e aquele NPC.

Gráficos, áudio e trilha sonora

Desenvolvido em Unity, Cloudpunk é um jogo que, apesar de contar com gráficos em voxel art, nos apresenta elementos lindíssimos em tela.

Eu diria até que os voxels são parte importantíssima da experiência, transformando tudo em uma bela experiência cyberpunk. A chuva constante, aliás (com seus respectivos efeitos sonoros), deixa tudo mais bonito (e melancólico) ainda.

Cloudpunk - Game

A movimentada e bela Nivalis

As luzes de Nivalis tornam a experiência deliciosa, e vale a pena lembrar que para realizar cada entrega, temos de estacionar nosso HOVA e percorrer muitas vezes grandes trechos à pé: momentos também muito bacanas.

A trilha sonora, composta por Harry Critchley e também disponível para venda no Steam, é sensacional. Futurista ao extremo, faz bastante uso de sintetizadores e ajuda a aumentar ainda mais o clima intenso e sci-fi do jogo.

Os dubladores também realizaram um belíssimo trabalho, e podemos nos deparar até mesmo com sotaques específicos, veja só, quando nos encontramos ou conversamos com personagens russos, chineses, japoneses, etc. A dubladora da própria Rania, aliás, também está de parabéns.

Algumas considerações finais

Considero que Cloudpunk, custando apenas R$ 37,99 no Steam (link no primeiro parágrafo), é uma compra muito mais do que obrigatória para quem aprecia o gênero e/ou gostou do que leu acima.

Cloudpunk - Game

A sede da Cloudpunk

O título da ION LANDS é uma daquelas pequenas joias independentes que, infelizmente, podem acabar passando desapercebidas pelo radar de muitos jogadores.

Isto é uma pena, porque trata-se de um jogo fenomenal, cheio de encantos e repleto de momentos memoráveis.

Eu confesso que não esperava encontrar um jogo tão bacana assim. Cloudpunk me surpreendeu bastante, e positivamente. Outra surpresa em 2020!

E se você gosta de jogos cyberpunk, vá sem medo. Recomendadíssimo!

Obs: o jogo também conta com legendas em português do Brasil.

Ficha técnica

Título: Cloudpunk

Gênero: aventura, cyberpunk, ficção científica

Desenvolvedora: ION LANDS

Publisher: ION LANDS, Maple Whispering Limited

Lançado em: 23 de Abril de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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