A Devolver Digital é bastante conhecida por apoiar e ajudar a lançar no mercado títulos que, talvez, não encontrariam espaço em outras publishers. Este é o caso, por exemplo, de Carrion (site oficial), jogo que é uma espécie de horror reverso com pitadas de metroidvania e ação.

Carrion

O game é bastante perturbador, na verdade, além de se distinguir de outros jogos do gênero (terror/horror), obviamente, por colocar o jogador justamente no papel do monstro, da origem do horror, do grande mal que destrói tudo por onde passa.

Carrion oferece uma enorme variedade de dilacerações. De desmembramentos. Uma instalação obscura e subterrânea cujos propósitos não são muito bem explicados. Aliás, o jogo não conta com uma única linha sequer de diálogo, e mesmo quando não jogamos na pele do monstro, pouco nos é explicado, nem tampouco ouvimos vozes.

Carrion

O game, desenvolvido pela Phobia Game Studio, traz muita ação, além de puzzles e oportunidades para explorarmos uma grande e aparentemente secreta instalação de pesquisas.

Carrion

Ao jogá-lo, você pode até mesmo sentir asco, uma vez que humanos podem ser destroçados, lançados para os ares e até mesmo consumidos, tudo em meio a grandes requintes de crueldade, com direito a sangue espirrando para todos os lados.

E sentir asco, aqui, não é ruim: muito pelo contrário. Tanto é que o jogo conta com “classificação indicativa 16 anos”. O objetivo é causar horror ao mesmo tempo em que somos nós mesmos a origem de tal horror. Nós mesmos somos o mal caçado pelos humanos, no jogo.

Carrion

Carrion não deixa nada a desejar em relação a muitos jogos AAA espalhados por aí, em meio a esta grande indústria de jogos eletrônicos muitas vezes tão saturada das mesmas coisas, das mesmas ideias e conceitos.

Sobre Carrion

No jogo, encarnamos uma criatura amorfa (sem uma forma definida). Gosmenta. Horrível, na verdade, como se saída de algum sonho insano do mestre do horror H.P. Lovecraft.

Tal criatura sem nome estava presa nas instalações supracitadas, e de alguma forma conseguiu se libertar. Tal libertação, é claro, colocou o local todo em polvorosa, e isto pode, dependendo do caso, representar grandes riscos para nosso pequeno (ou grande) monstro.

Carrion

Rastejamos com enormes tentáculos por corredores muitas vezes estreitos, e vamos pouco a pouco adquirindo biomassa e aumentando de tamanho, o que também pode implicar na aquisição de novas habilidades.

O monstro é capaz de agarrar humanos com seus tentáculos, sacudi-los no ar, lança-los à distância ou então trazê-los para si e literalmente comê-los. Tudo isto com grande violência e voracidade.

Carrion

Tudo depende do “gosto” do jogador: muitas vezes, por outro lado, mais vale a pena lançar um humano preso em nossos tentáculos contra algum outro inimigo armado logo adiante do que consumi-lo imediatamente. Planejamento é tudo, também, em Carrion.

Carrion

Temos aqui provavelmente um dos jogos mais aguardados da Devolver Digital em 2020, e seguramente um dos grandes jogos de horror do ano. O título da Phobia Game Studio enoja, algumas vezes, e mesmo ao controlar seres humanos, por exemplo, nossa mente não consegue se livrar do horror que vivenciamos minutos atrás.

Flashbacks jogáveis

Me lembrei, aqui, de “A sombra vinda do tempo“, de Lovecraft. A atmosfera em tais flashbacks jogáveis se assemelha bastante à de um sonho. É como se estivéssemos, ali, controlando alguém remotamente, e este controlador remoto pode muito bem ser alguma entidade do passado, por exemplo. Ou do futuro?

Carrion

Carrion deixa brechas para grandes interpretações, uma vez que sua “narrativa”, digamos, é quase que inexistente: tudo o vivenciamos está ligado à vingança da criatura amorfa contra seus captores e os eventuais flashbacks acima mencionados.

Nestes momentos, quando controlamos seres humanos, tudo indica que eles exploram uma estação de pesquisas similar àquela na qual jogamos quando no controle do monstro.

Não faltam menções a “musgo antediluviano”, “espécie não identificada de anelídeos Tubifex”, “restos calcificados de uma criatura ciclópica de origem desconhecida”, e por aí vai. É meio que impossível, eu diria, não relacionar Carrion, pelo menos em minha opinião, com algum conto de Lovecraft.

Carrion

A começar pela aparência do monstro protagonista, repleto de tentáculos, disforme, horrendo, parecendo sempre disposto a rasgar em pedaços o que quer que se interponha entre ele e seu objetivo.

Jogando Carrion

Ao longo do gameplay, vamos adquirindo algumas habilidades especiais, tais como, por exemplo, uma habilidade aracnídea, capaz de fazer com que a criatura lance teias contra humanos e prenda-os, ou então acione switches.

Ou então uma habilidade que faz com que a criatura terrível urre loucamente, o que pode até mesmo assustar humanos nas redondezas. Isto pode ser utilizado para facilitar o trabalho do jogador, mas muito cuidado caso os humanos em questão estejam armados.

Carrion

Nestes casos, um ímpeto corajoso toma conta deles e eles então começam a disparar contra nós, ou melhor, contra o odioso monstro, o que pode resultar em perda de biomassa, paulatinamente, e até em morte.

O monstro de Carrion também pode ganhar algumas outras habilidades, como por exemplo um impulso que o torna capaz de se lançar contra obstáculos de madeira e assim quebrá-los, liberando a passagem.

Existem determinados pontos, no jogo, onde encontramos uma espécie de ninho: é aí que podemos salvar e também ganhar mais massa. Vale ressaltar, entretanto, que também ganhamos biomassa ao consumir seres humanos.

Carrion

É um fato, entretanto, que nem sempre tamanho representa vantagem. É possível, em determinados rios estranhos e também subterrâneos, abandonarmos parte de nosso corpo de maneira tal a sermos capazes de ultrapassar determinados obstáculos, tais como, por exemplo, passagens apertadas.

Puzzles e outras coisas

Os puzzles em Carrion estão mais ligados a este tipo de coisa: acionamento de switches, alternância entre tamanhos maiores e maiores, etc. O jogo conta lá com suas pitadas de um metroidvania, é claro, e assim sendo, ele geralmente obriga o jogador a ir e a voltar várias vezes para o mesmo local.

Carrion

Isto após o acionamento de alguma alavanca que liberou determinada passagem antes bloqueada, por exemplo, ou então caso desejemos salvar o game (nos tais ninhos que mencionei acima – e cuja localização pode ser inferida através dos gritos da criatura).

Finalizando

Carrion é um excelente jogo de horror. Reverso. Na pele de uma criatura disforme e horrenda, o jogador deve dilacerar seres humanos em meio a uma empreitada solitária de vingança sombria.

Os gráficos pixelados do jogo são bastante bonitos, por incrível que pareça, e até mesmo a iluminação chega a ser bastante surpreendente, em diversos momentos. O sangue é uma constante, e os gritos fazem parte desta sinfonia sangrenta da Phobia Game Studio.

A trilha sonora do jogo é assinada por Cris Velasco, responsável também por Prototype (jogo que também trata, de certa forma, a respeito de um “monstro”), Bloodborne e Mass Effect 3, dentre outros inúmeros trabalhos e/ou participações.

Recomendadíssimo!

Ficha técnica

Título: Carrion

Gênero: Terror, Ação

Desenvolvedora: Phobia Game Studio

Publisher: Devolver Digital

Lançado em: 23 de Julho de 2020

Plataformas: PC, Xbox One, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

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