Um esporte do futuro? Um reality show mortal? Uma mistura entre ambos? Bow to Blood: Last Captain Standing pode muito bem ser assim considerado, sendo que ele também requer do jogador algumas doses de estratégia no momento de lidar com diversos subsistemas durante a batalha, sem falar nos diálogos e nas decisões tomadas enquanto conversa com outros competidores.

Lançado inicialmente como um exclusivo do PlayStation VR em Agosto de 2018, o game chegou ao PlayStation 4, ao Xbox One, ao Nintendo Switch e, obviamente, ao PC. O título foi desenvolvido pelo pequeno estúdio norte-americano Tribetoy, vale lembrar, e a versão para PC e consoles foi lançada no último dia 03 de Abril.

Mas comecemos pelo princípio. No jogo, estamos em algum momento no futuro, quando um esporte mortal foi criado para o entretenimento das massas, pelo que tudo indica. Criado e gerenciado pelos misteriosos Overseers, o campeonato Bow to Blood coloca capitães de espécies de “navios voadores” (que também se parecem com naves, e é assim que chamarei tais veículos de agora em diante) para combaterem em arenas mortais, até que reste apenas um deles vivo.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Bow to Blood: Last Captain Standing é também um rogue-like, com fases geradas de forma procedural, o que significa, como já deve ter dado para perceber, que um playthrough jamais será igual ao outro.

O jogador, no game conhecido como “The Freelancer”, comanda uma grande nave que também conta com uma pequena equipe (um homem e uma mulher). Tal equipe é bastante útil durante as partidas, uma vez que eles podem, a mando do jogador, cuidar de diversos sistemas e equipamentos da nave, tendo em vista tanto aumentar sua eficácia quanto realizar reparos.

Bow to Blood: Last Captain Standing

A visão que temos da nave, aliás, apesar da diferença entre os gráficos, obviamente, me lembra bastante da visão que temos, à partir do cockpit, da Anaconda em Elite Dangerous, e eu confesso que gostei bastante disso. Os gráficos do jogo, aliás, também são bastante agradáveis e carismáticos, com um estilo meio cartunesco muito bonito.

Em Bow to Blood: Last Captain Standing, existe inclusive um apresentador/narrador, como nos reality shows do mundo real, o qual não se cansa de comentar momentos das partidas e do campeonato em geral, bem como de criticar o desempenho de qualquer participante, quando existem motivos para tal (em cada arena, existe até mesmo um telão gigantesco, onde informações importantes, principalmente ao final de cada partida, são sempre exibidas).

O jogo conta com uma temporada, sendo que tal temporada possui sete partidas. Cada partida é dividida em dois eventos (um de abertura e outro de encerramento), o que significa que temos, no total, 14 arenas a serem atravessadas, valendo lembrar mais uma vez da geração procedural, a qual torna tudo mais interessante e aumenta bastante o fator replay do título.

Chegar até o final da temporada, atravessando as 14 arenas, é o objetivo do jogo, e não pense que isto será fácil. Vale também lembrar que danos recebidos no evento de abertura são “carregados” até o evento final, ou seja, todo o cuidado é pouco.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Em cada partida/arena, temos inimigos para derrotar, dos mais variados tipos e tamanhos, e também capitães com os quais temos de lidar. Aqui é que entra em cena um dos elementos mais interessantes do jogo: podemos forjar alianças, podemos trair outros capitães, podemos participar de intrigas as mais diversas, e é até mesmo possível sabotar naves de outros competidores visando obter vantagens óbvias (o inverso também é verdade – e eu cheguei a sofrer uma sabotagem que culminou em severos danos ao casco de minha nave, devido a algumas atitudes que tive ao lidar com dois competidores).

Ganhamos pontos conforme destruímos inimigos, capitães ou não, e também conforme destruímos determinados objetivos, dependendo da arena (você poderá se deparar, por exemplo, com um enorme robô estático que deverá ser destruído: dê o tiro de misericórdia e você levará todo o crédito para si). Também existem diversos itens coletáveis que rendem pontos, vale ressaltar.

Tudo isto é contabilizado ao final de uma partida (após a partida de encerramento), e os dois últimos colocados sofrem então o risco de serem desclassificados (temos que fazer de tudo para não ficarmos no penúltimo e no último lugar). Neste momento, todos os participantes votam, e nós também temos a chance de votar. Tudo fica mais divertido quando percebemos que existem interesses os mais diferentes em jogo.

Obs: caso sejamos desclassificados, é game over na certa.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Durante uma partida e outra, enquanto em nossos alojamentos, podemos receber chamadas de diversos competidores. Alguns tentam nos extorquir pontos para que não nos tornemos seus alvos, e outros tentam promover intrigas visando atrapalhar a vida de outros participantes.

Cheguei inclusive a receber uma chamada de um tal Faro Keetz, o qual havia roubado cinco mil pontos de jogadores diversos, através de meios não especificados, e queria deles se ver livre, para não sofrer nenhum tipo de perseguição.

Ora, aceitei os tais pontos na hora, mesmo sabendo que eu apareceria como o autor do roubo para os outros competidores, e que isto faria com que eu sofresse consequências indesejáveis. Mas foi tudo pela diversão, digamos.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Também existem outros capitães que entram em contato com você pedindo sua ajuda de diversas formas, e isto me lembra bastante os tais reality shows da vida, cheios de intrigas, de brigas, de pessoas tomando partido de outras, etc.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Esta faceta em Bow to Blood: Last Captain Standing acrescenta uma camada a mais de diversidade e estratégia ao jogo, pois é óbvio que devemos sempre ter em mente nossa pontuação na partida atual e que tipo de influência determinadas ações poderão ter (grande parte destes diálogos, aliás, acontece durante os intervalos).

Propostas de combatentes solicitando nossa aliança também aparecem, de vez em quando, e quando isto acontece, significa que contaremos com sua ajuda caso estivermos prestes a ser eliminados: ou seja, eles não votarão em nós. Desde que, é claro, satisfaçamos suas exigências, as quais podem ir desde uma “simples” doação de pontos até o compromisso de não disparar contra eles em momento algum (ou então de votar em fulano ou sicrano quando chegar o momento, a fim de desclassificá-los).

Recebi inclusive uma proposta de um tal Capitão Dalanar que, mediante a doação de 400 pontos, me doaria uma carga de munição mais poderosa. E, sim, no game podemos utilizar mais de um tipo de munição e armas, incluindo mísseis, canhões e bombas diversas. Você, como capitão, também pode levantar de seu cockpit e empunhar uma pistola laser, com a qual é capaz então de atirar contra alvos mais próximos, como drones, por exemplo.

A equipe da nave também pode cuidar de diversos detalhes durante cada partida: eles podem realizar reparos no sistema de armas, por exemplo, e também podem cuidar dos escudos de maneira tal a fazer com que eles sejam mais resistentes (tudo isto à mando do jogador, vale ressaltar).

Bow to Blood: Last Captain Standing

Posicionar um membro do seu crew em determinado posto faz com que este seja mais eficiente. Por exemplo, mandar um deles cuidar do armamento fará com que este se torne mais poderoso, ao mesmo tempo em que designar um deles para cuidar dos motores permite alcançar maior velocidade quando utilizamos o impulso/boost.

Também pertencente a este quesito dos subsistemas está um outro recurso bastante interessante: podemos desviar energia de alguns sistemas da nave e enviá-la para outros (como por exemplo, os escudos), tudo isto a fim de aumentar a eficácia e o poder do sistema receptor.

O armamento, por exemplo, pode se tornar mais forte, desta forma, dando cabo dos inimigos com maior rapidez. E assim por diante. Se você já jogou FTL: Faster Than Light, aliás, pode muito bem ter uma pequena ideia de tudo isto que estou falando.

Bow to Blood: Last Captain Standing

A camada estratégica em Bow to Blood: Last Captain Standing é muito interessante, e lidar com os mais diversos oponentes durante os diálogos, contando inclusive com a possibilidade de múltiplas escolhas, é sempre interessante, além de representar momentos em que devemos tomar bastante cuidado em nossas respostas, ao mesmo tempo em que ficamos de olho na quantidade de pontos que temos armazenados.

Através de tais diálogos, podemos não apenas forjar alianças, mas também podemos criar inimizades que certamente causarão problemas no campo de batalha, valendo também lembrar que existem inclusive oponentes que chegam até nós com propostas aparentemente diplomáticas que podem acabar resultando, caso aceitas, em situações difíceis e perigosas (a mentira é sempre uma constante, e nós também podemos ser testados e mentir durante os diálogos, veja bem).

É uma pena, entretanto, que a interface do jogo não seja lá das melhores. É um tanto quanto confuso navegar pelos menus radiais para acesso e gerenciamento dos subsistemas da nave, bem como para dar ordens aos membros da equipe.

Isto talvez seja uma herança da versão para VR do jogo (estamos aqui lidando com um port para PC e consoles), é claro, mas é um tanto quanto complicado aprender e depois lidar com tudo isto enquanto chuvas de mísseis são despejadas sobre nosso navio voador. Não se trata de um esquema lá muito intuitivo, digamos.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Estou jogando com um controle no PC (Xbox 360), pois achei mais fácil do que com teclado e mouse, por incrível que possa parecer. Mas mesmo assim, é bem difícil decorar, a princípio, a grande quantidade de comandos e formas de acesso aos subsistemas, e você poderá muito bem ver o percentual de integridade de seu casco cair rapidamente, pois a nave está recebendo tiros sem parar enquanto você tenta navegar pelos menus e submenus a respeito dos quais estou comentando aqui.

Além disso, Bow to Blood: Last Captain Standing está totalmente em inglês. Não existem legendas em português do Brasil e nem tampouco no idioma de William Shakespeare, o que pode acabar complicando bastante as coisas para quem não domina o inglês ou possui dificuldades para entender o que está sendo dito no idioma.

Creio que uma atualização incluindo pelo menos legendas seria imprescindível, principalmente se a Tribetoy tiver em mente atingir outros mercados e regiões, agora que o jogo está disponível em outras plataformas.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Além disso, muitos jogadores podem acabar perdendo partes bacanas da história, incluindo bastante humor, uma vez que há o narrador/apresentador falando ao final de cada partida, além das conversas mantidas entre os membros de nossa equipe.

Também há um excesso de frases repetidas durante os diálogos. Por exemplo, ameaças, respostas diversas e outros trechos de texto são repetidos de forma exatamente igual por oponentes diferentes, em vários momentos. Não que isto chegue a ser um grande problema, é claro, mas faltou um pouco mais de espero nesta parte, creio eu, e sobrou copy & paste.

Bow to Blood: Last Captain Standing

Mas no geral, Bow to Blood: Last Captain Standing é um excelente indie game, com elementos de estratégia e combate à bordo de enormes naves, além do muitíssimo bem vindo esquema de gerenciamento dos diversos subsistemas, apesar dos problemas acima relatados.

O jogo conta com fases geradas de forma procedural, e isto por si só aumenta seu fator replay enormemente. Além disso, existe toda a parte de diálogos e intrigas que acrescenta uma camada extra de dificuldade, mistério e diversão: tudo isto muitíssimo bem vindo, obviamente.

Ficha técnica

Título: Bow to Blood: Last Captain Standing

Gênero: indie game, ação, rogue-like, estratégia, espacial

Desenvolvedora: Tribetoy

Publisher: Tribetoy

Data de lançamento: 03 de Abril de 2019 (Agosto de 2018 para PlayStation VR)

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PlayStation VR

Versão analisada: PC

Confira o trailer de lançamento do game:

Obs: vale lembrar que no PC o jogo conta com suporte ao Oculus Rift e ao HTC Vive.

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