A cópia de Ape Out utilizada neste review foi gentilmente cedida pelo GOG.COM, uma das mais famosas lojas de jogos digitais para PC do mundo, que vende também títulos livres de qualquer tipo de DRM.

Adquirindo seus jogos no GOG.COM, você também pode eventualmente contar com uma série de extras muito interessantes, como por exemplo trilhas sonoras, artbooks e wallpapers. A loja também oferece um cliente bastante prático e bacana (mas seu uso não é obrigatório), o GOG Galaxy, o qual conta com recursos extremamente valiosos, como por exemplo captura de screenshots, medição da taxa de quadros por segundo, saves na nuvem e atualizações automáticas dos jogos.

Esta é uma análise que já deveria ter sido publicada há algum tempo aqui no XboxPlus. Entretanto, passei por alguns problemas relacionados ao meu PC principal, incluindo demora na entrega de determinadas peças de hardware. Aliás, diversos reviews foram atrasados devido a tais problemas, mas vamos tentando organizar as coisas aos poucos. E eu confesso que estava louco para colocar as mãos neste jogo!

Ape Out é um daqueles títulos que cativam justamente devido à sua simplicidade, em primeiro lugar. Em tempos de efeitos de pós-processamento mirabolantes, texturas em altíssima definição e gráficos fotorrealistas, é muito interessante nos depararmos com obras minimalistas e oriundas de equipes pequenas e extremamente talentosas, talento este inegável desde os primeiros minutos de gameplay.

Trata-se também, mais uma vez, de outro excelente título publicado pela Devolver Digital, a qual já nos brindou com diversas obras interessantíssimas e imperdíveis, como por exemplo GRIS e Ruiner (dentre inúmeros outros, obviamente).

Ape Out

O título, desenvolvido pelo trio Gabe Cuzzillo, Bennett Foddy (arte) e Matt Boch (trilha sonora), conta com perspectiva top-down e coloca o jogador no controle de um gorila a princípio enjaulado (cada fase sempre é iniciada com o forte primata nesta situação), o qual deve escapar de sua prisão e encontrar a saída.

Trata-se de algo verdadeiramente minimalista, e a jogabilidade é, também, extremamente simples: basicamente você se movimenta e dá socos poderosíssimos, ou então agarra seus oponentes para utilizá-los como escudos humanos.

A estética do jogo é toda baseada nos anos 60, e o jazz se faz presente em todos os momentos. Temos, inclusive, bumbos e pratos que reagem conforme as ações do violento protagonista, o que acaba conferindo a Ape Out um clima extremamente divertido e insano. A experiência sensorial é incrível, acredite!

Temos também um sistema de música procedural (assim como o são os níveis), com mais de 1000 samples de bateria, tudo isto para criar uma trilha sonora verdadeiramente única e reativa. Da mesma maneira que cada nível é diferente do outro, devido à geração procedural, assim também acontece com a trilha sonora: esta é criada, digamos, em tempo real, e nenhuma partida contará com a mesma trilha sonora.

Ape Out

Ape Out também é uma verdadeira festa sangrenta. O gorila, sob o comando do jogador (existem apenas dois comandos: socos e agarramentos), desfere socos extremamente potentes contra os inimigos, lançando-os de encontro a paredes ou outros objetos e manchando, assim, o cenário de sangue.

Além disso, também é possível agarrar os guardas inimigos e utilizá-los como escudos humanos: dependendo do tipo do inimigo, aliás, ele irá inclusive atirar contra seus próprios companheiros, o que obviamente será extremamente benéfico para o herói primata violento.

Ape Out

O gorila pode receber até três tiros, antes de morrer, e também podemos optar por um estilo mais “furtivo”, digamos, nos desviando dos inimigos e buscando por caminhos alternativos. Além disso, vale ressaltar que é bastante difícil desviar dos tiros inimigos, pois eles contam com uma mira bastante precisa. Conforme o gorila recebe danos, ele começa a sangrar. Tal acontecimento é um grande problema, entretanto, pois ele começa a deixar um rastro de sangue que pode ser facilmente rastreado por seus captores.

Em Ape Out, o jogador irá se deparar com enorme violência. Com um verdadeiro banho de sangue. Ao lançarmos inimigos contra as paredes ou contra outros guardas armados, eles meio que “explodem” em pedaços, tamanha é a força do mamífero fugitivo, e o chão e as paredes ficam banhados em sangue e restos.

Dividido em quatro discos (de vinil) de jazz (os quais correspondem a “mundos”), sendo que cada disco conta com seu respectivo lado A e lado B, temos um total de 4-5 níveis em cada lado. A geração procedural garante que uma partida jamais seja igual à outra, e os mapas podem ser verdadeiramente cruéis, algumas vezes.

A quantidade de inimigos pode variar bastante dependendo da área em que nos encontramos, e não existe, vale lembrar, nenhum tipo de GPS, bússola ou indicador da direção para a qual devemos nos dirigir.
Em um prédio, por exemplo, temos de encontrar escadarias para podermos acessar paulatinamente os andares inferiores, tudo isto ao mesmo tempo em que nos mantemos distante das janelas, pois a polícia está lá fora, com atiradores de elite prontos para assassinar o pobre gorila fugitivo.

Ape Out

Existem inimigos variados em cada nível, além disso, desde esquálidos guardinhas que fogem quando o gorila deles se aproxima, até guardas armados com rifles com mira laser e explosivos que detonam conforme nossa aproximação.

Utilizar inimigos como escudo pode ser uma boa ideia, dependendo da situação. Eles funcionam meio que como uma “esponja”, levando danos por nós, mas morrem após receberem alguns disparos, o que pode abrir uma brecha perigosa caso nos encontremos em meio a uma saraivada de balas.

Existem também os guardas que, caso agarrados pelo gorila, atiram contra seus companheiros, valendo também ressaltar que não há nenhum tipo de “respeito” por parte de outros soldados em relação ao nosso escudo humano: eles atiram nele sem piedade. Afinal de contas, o que importa, ali, é viver ou morrer. O gorila não deve ser capturado: ele deve ser morto.

Ape Out

Ape Out oferece uma boa variedade de mapas e ambientes, tudo bastante minimalista, como eu já disse acima, e existe até mesmo uma espécie de “tremulado”, na tela, que meio que nos remete às antigas TVs de tubo com problemas de sintonia. Uma espécie de “chuviscado”, sabe, o que acaba conferindo à experiência mais um reforço no tocante à estética sessentista.

Jogar Ape Out não é difícil. Acredite: em poucos segundos você capturará a essência do gameplay. Difícil é atravessar cada um dos discos e fases repletos de desafios e chegar até a saída incólume. É bem verdade que alguns dos níveis contam com desafios verdadeiramente difíceis, nas no geral a experiência é extremamente divertida e cativante, além de impactante, obviamente, dada a extrema violência presenciada a cada golpe do primata raivoso.

Cada explosão de sangue mancha o cenário de vermelho e transforma o visual radicalmente, representando também um grande contraste em relação aos outros elementos e cores dos ambientes. Existem também fases no escuro, as quais representam bons momentos para exercitarmos nossas habilidades em ação furtiva.

Nestes momentos, temos de nos mover tentando ao máximo fugir dos fachos de luz das lanternas inimigas, pois tão logo estes nos tocam, somos detectados e os projéteis começam a chover sobre nós.

Ape Out

Temos aqui um belíssimo exemplo de indie game capaz de proporcionar mais diversão do que muitos AAA já lançados. A Devolver Digital, como sempre, prima pela inovação e pela qualidade dos títulos que publica, e com Ape Out não foi diferente: o jogo é uma obra fantástica, repleta de ação, adrenalina e muito sangue.

O próprio protagonista, aliás, é algo bastante diferente daquilo com o qual usualmente estamos acostumados. Temos um gorila, um animal forte e “irracional” no papel principal, o qual tem de fugir incansavelmente enquanto humanos, seres “racionais”, o caçam sem piedade ou remorso. A liberdade é o objetivo, aqui, um objetivo paradoxalmente mais difícil e complexo do que aquilo que poderíamos imaginar a princípio.

Ape Out

Prepare-se também para morrer muitas e muitas vezes. Os desafios crescem exponencialmente conforme avançamos, e a variedade de inimigos (bem como suas habilidades e equipamentos) vai aumentando aos poucos.

Junte a isto a necessidade de exploração de cada mapa a fim de encontrar a saída (o que sempre resulta em encontros perigosos e “inesperados”), e você perceberá, pouco a pouco, que tem em mãos um jogo bastante desafiador (embora extremamente divertido e único).

Vale também a pena mencionar que o gorila, de vez em quando, pode interagir com determinados elementos do cenário. É assim, por exemplo, que ele é capaz de arrancar portas de aço e utilizá-las como escudo, ou então lançá-las contra vários inimigos matando-os instantaneamente. Também é possível lançar guardas maiores contra grupos de inimigos e promover mais um espetáculo sangrento, vale ressaltar.

Ape Out

Se você está em busca de um jogo minimalista, com uma ótima trilha sonora (reativa), com fases geradas de maneira procedural e uma estética pra lá de caprichada, dê uma chance a Ape Out. No GOG (link no primeiro parágrafo), ele custa meros R$ 27,99.

Ficha técnica

Título: Ape Out

Gênero: ação, top-down, indie

Desenvolvedora: Gabe Cuzzillo, Bennett Foddy, Matt Boch

Publisher: Devolver Digital

Data de lançamento: 28 de Fevereiro de 2019

Plataformas: PC, Nintendo Switch

Versão analisada: PC

Abaixo segue um trailer do game, para dar a você um gostinho do que o espera neste título muito mais do que especial:

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