Minha relação com jogos de mundo aberto é geralmente extremamente “perigosa”: neles costumo imergir de forma bastante intensa, me prendendo a diversos de seus elementos com afinco, explorando e me divertindo bastante (eles acabam tomando grande parte do meu tempo). E com Watch Dogs: Legion (site oficial) não foi diferente. Felizmente!

O novo título da Ubisoft, lançado para PS4, Xbox One e PC (versão que tenho em mãos), é um dos melhores jogos de 2020, pelo menos no quesito “mundo aberto”, dotado de mecânicas primorosas, de uma narrativa excelente e ambientado em uma cidade futurista lindíssima e convidativa.

Watch Dogs: Legion

Watch Dogs: Legion é muito mais do que eu esperava, e o sistema “Play as Anyone” (Jogue como Qualquer Um) ajuda a conferir ao jogo uma camada extra de diversão e de possibilidades, ao transformar qualquer NPC da Londres oprimida em potencial agente do DedSec, o grupo de hackers ao qual pertencemos.

WDL não possui um protagonista propriamente dito. Não, ele insere o jogador no papel de uma espécie de “recrutador”, com o poder de obter informações detalhadas a respeito de qualquer cidadão de Londres, em qualquer um de seus distritos, e então convidá-lo para fazer parte do grupo de hackers ativistas já bastante conhecido pelos fãs da franquia.

Watch Dogs: Legion

Completados os requisitos para o recrutamento, o jogador pode então entrar na pele do tal cidadão, usufruindo à partir daí de todas as suas habilidades, utensílios, gadgets, armas e até mesmo veículos.

Sobre Watch Dogs: Legion

Legion é o terceiro jogo de uma franquia iniciada em 2014. Até então, tínhamos algo que lembrava, de certa forma, GTA, para o bem ou para o mal. Aiden Pearce, o protagonista do primeiro jogo da série, era uma espécie de hacker justiceiro, em um jogo que também teve lá seus ótimos momentos, além de gráficos de ponta, na época.

Watch Dogs: Legion

Já em Watch Dogs 2, lançado em 2016, tivemos como protagonista o carismático Marcus Holloway, em um jogo que não abandonava de todo aquele jeitão “GTA de ser”, embora tenha sido algo bastante superior a seu antecessor.

Watch Dogs: Legion, por sua vez, estabelece um novo patamar para a série, ao lidar com a possibilidade de jogarmos como qualquer cidadão de Londres, usufruindo de suas habilidades (ou inabilidades), de forma muitíssimo bem implementada, com mecânicas de hacking bastante superiores aos jogos anteriores da franquia, e sem no entanto impor dificuldades excessivas ao jogador (até mesmo a curva de aprendizado em Legion é bastante suave).

6 anos de evolução, 3 jogos lançados, e finalmente temos algo que se distancia enormemente de GTA. Aliás, da franquia da Rockstar WDL empresta apenas, digamos, o elemento open-world: e nada mais.

Watch Dogs: Legion

Recrutar pessoas para a Resistência é sempre divertido…

O jogo possui enormes e diferentes novidades, uma narrativa interessantíssima e que acontece em meio a um cenário futurista e distópico, e também o tal do “Play as Anyone”, o qual chegou, digamos, para ficar.

Watch Dogs: Legion

Voando num drone de carga…

Acredito que dificilmente alguém encarará um novo Watch Dogs, de agora em diante, sem esperar pela possibilidade de encarnar qualquer NPC. Qualquer pessoa vista perambulando pelas ruas, vielas, avenidas e ambientes do(s) jogo(s).

O sistema “Jogue como Qualquer Um” é tão bacana, tão divertido, tão interessante (sem contar com as missões secundárias oriundas do mesmo), que é difícil, agora, pensar em um novo Watch Dogs sem tal mecânica.

Watch Dogs: Legion

Os “velhos” puzzles de redirecionamento de fluxos energéticos ainda existem…

Aliás, tal sistema conta com mecânicas de hacking próprias, totalmente dentro do contexto da narrativa e muitíssimo bem implementadas. Além disso, fazendo parte de um grupo de hackers ativistas como o DedSec, nada mais apropriado do que termos a possibilidade de recrutar pessoas descontentes com a atual e perigosa situação vivida pela capital britânica (leia mais sobre isto abaixo).

A história de Watch Dogs: Legion

Antes de qualquer coisa, e apesar do jogo contar com áudio em português do Brasil, gostaria de adiantar que joguei com o áudio original, em inglês. O belo sotaque britânico é imperdível, e aqui, ajuda a conferir um ar ainda maior de “veracidade” à história.

Watch Dogs: Legion

Começamos a jogar dentro do Parlamento Inglês, e ali mesmo já temos contato com um dos grandes vilões do jogo; alguém, ou um grupo, quem sabe, autointitulado Zero-Day. Uma série de atentados terroristas é então deflagrada, e diversas explosões ocorrem por toda Londres.

A culpa de tais atentados acaba sendo colocada no DedSec, e esta é a deixa, digamos, para que um estado opressor seja instaurado, com uma empresa chamada Albion tomando a dianteira da segurança pública. Tal empresa é controlada por alguém conhecido como Nigel Cass, e ela funciona como uma espécie de organização privada paramilitar contratada pelo governo para supostamente devolver a paz à capital futurista.

Isto não poderia estar mais distante do que acontece, na verdade: a Albion acaba controlando toda Londres com mãos de ferro, chegando a aprisionar e atacar inocentes sem qualquer razão justa, e instaurando o medo em vez da desejada paz.

Até mesmo a polícia de Londres se vê meio que submissa aos desejos e interesses de Cass e seu grupo paramilitar (o qual tem também em andamento um projeto perigosíssimo chamado Themis), e vale também ressaltar que existem outros grupos criminosos disputando o poder na cidade, cada um deles com seus respectivos interesses.

Watch Dogs: Legion

Há, por exemplo, o clã Kelley, chefiado pela sanguinária e extremamente fria Mary Kelley, o qual possui, dentre uma de suas atividades, o sequestro de pessoas com fins nada “bacanas”, digamos: estou falando de tráfico de órgãos humanos. É, a narrativa de Watch Dogs: Legion conta com elementos verdadeiramente interessantes, e bastante diferentes dos jogos anteriores da série.

Watch Dogs: Legion

Temos também Skye Larsen, mulher interessantíssima que é CEO de uma organização conhecida como Broca Tech, a qual é, aliás, a responsável pela criação de Bagley, a Inteligência Artificial que auxilia o jogador e o próprio DedSec durante o jogo inteiro.

Seja qualquer um em Londres

Com todo este background, digamos, é hora de falar um pouco a respeito do sistema “Play as Anyone”, através do qual podemos jogar como qualquer NPC (o qual passa, então, obviamente, a ser um personagem jogável). Basta apontarmos nosso smartphone para qualquer NPC nas ruas de Londres para recrutá-lo.

Watch Dogs: Legion

Claro: há uma missão “introdutória”, digamos, antes que a tal pessoa venha para o DedSec e se transforme em um operador, em um personagem jogável. Trata-se de uma missão secundária, geralmente envolvendo a resolução de algum problema ou de alguma pendência para o futuro “combatente”.

Watch Dogs: Legion

Quando finalmente a pessoa é recrutada, ou seja, quando você finalmente completa a sidequest que funciona como pré-requisito para o recrutamento, aquele que antes era um simples NPC passa a constar em sua equipe, e pode ser “chamado” à ação em qualquer momento.

Watch Dogs: Legion

Sim, podemos alternar entre personagens a qualquer momento, e isto introduz uma camada estratégica muito interessante no game, uma vez que podemos optar pelos melhores, ou mais adequados, “soldados”, dependendo da missão que temos diante de nós.

Cada pessoa na Londres distópica de Watch Dogs: Legion possui sua própria história, sua própria personalidade, seu próprio equipamento (o qual pode ser utilizado pelo jogador), e também linhas de diálogo únicas.

Watch Dogs: Legion

Puzzles que transcendem vários andares de uma construção…

Um trabalho certamente hercúleo por parte da desenvolvedora e publisher francesa nos entregou um jogo divertidíssimo, cheio de coisas para fazermos, e além disso, repleto de personagens a princípio não jogáveis que podem passar para o nosso time à qualquer momento.

Obviamente, existem alguns personagens que odeiam o DedSec, tais como, por exemplo, muitos membros da Albion. Nestes caso, tentar recrutá-los pode ser uma tarefa bastante árdua, mas existe um aprimoramento passível de aquisição que permite que o nosso “profiler” vá ainda mais fundo na investigação, o que possibilita que descubramos uma ou outra dica capazes de facilitar o processo.

Watch Dogs: Legion

A Londres distópica de Watch Dogs: Legion

No jogo, temos como um dos personagens centrais da trama (além, é claro, da ótima, divertida e sempre útil IA Bagley) Sabine Brandt, a qual trabalha na célula do DedSec em Londres e sempre se faz presente, seja através do rádio, seja através das diversas reuniões que participamos com o grupo de hackers.

Watch Dogs: Legion

A Londres de WDL é algo verdadeiramente único. Lindíssima, cheia de atividades para fazermos (incluindo até mesmo lutas de boxe, veja só), e além disso tudo, como já de praxe em qualquer jogo de mundo aberto, passível de nos “ofertar” qualquer veículo visto nas ruas.

Sim, podemos “roubar” qualquer veículo nas ruas da cidade, incluindo modelos elétricos e “velharias” com motores a combustão. Podemos assumir o controle até mesmo dos enormes ônibus vermelhos de dois andares, veja só que bacana.

Watch Dogs: Legion

O trabalho de áudio aqui, aliás, é impressionante: cada veículo possui seu próprio som, e eu geralmente busco mais aqueles movidos a energia elétrica, tão bacana e delicioso é o som por eles produzido.

A opressão exercida pelo exército da Albion é enorme, e não é difícil observarmos pessoas sendo agredidas pelas ruas e presas. Até mesmo nós podemos ser perseguidos, por exemplo, simplesmente por batermos nossos carros contra uma das viaturas da empresa.

Nestes momentos, somos então perseguidos com enorme violência: viaturas são contra nós “lançadas”, drones também nos perseguem e rastreiam, e driblar o trânsito muitas vezes complexo e escapar, fazendo com que os triângulos vermelhos indicadores de nosso nível de ameaça frente à Albion desapareçam pouco a pouco, pode representar uma tarefa bastante difícil.

Watch Dogs: Legion

Entretanto, a Londres do jogo é lindíssima. Parques, arranha-céus, construções as mais diversas: tudo foi recriado, digamos, com grande fidedignidade, e o jogo nos “força”, além disso, vez ou outra, a entrar em alguma construção famosa e/ou histórica, o que é um adendo e tanto.

Claro: temos de levar em consideração o fato de que estamos em uma cidade do futuro, portanto, temos uma série de veículos futuristas transitando pelas ruas, além de drones dos mais diversos tipos, muitos dos quais são passíveis de controle pelo jogador.

Aliás, é muito bacana invadir, hackear, os enormes drones de construção, neles subir e então pilotá-los, alcançando grandes altitudes e observando a linda cidade do alto.

Eu sei, também, que isto é algo já comum nos grandes jogos da atualidade, mas não me canso de me encantar com tal elemento, ou melhor, com tais elementos: sistemas climáticos dinâmicos, ciclos dia e noite, etc.

Na Londres de WDL chove bastante, e durante tais momentos, é sensacional observar como a cidade muda, como os céus ficam cinzentos, como as poças d’água no chão refletem maravilhosamente os elementos dos arredores, etc.

Watch Dogs: Legion

Um jogo de mundo aberto divertidíssimo

Em WDL temos à nossa disposição uma série de atividades nos mais diversos distritos de Londres, todas elas visando reduzir a opressão da Albion. Podemos, por exemplo, eliminar propagandas da organização paramilitar e também libertar prisioneiros.

Tudo isto pode levar à redução da opressão nos distritos em questão (isto pode ser facilmente verificado no belo mapa do jogo), e é possível até mesmo que a localização de pontos de tecnologia seja revelada, à partir de então.

Acontece que no jogo, para adquirirmos upgrades, novos equipamentos e habilidades, faz-se necessário o gasto de tais pontos, os quais também podem ser obtidos como recompensa em várias missões, é importante destacar.

Watch Dogs: Legion

Mas se você se dispuser a “perder” algum tempo em Watch Dogs: Legion, simplesmente perambulando pelas ruas de sua interessantíssima Londres, ou então à bordo de algum veículo, perceberá o quão grande é o escopo do jogo.

Também podemos participar de diversas atividades extra, todas tendo em vista a redução da tal opressão supracitada, tais como, por exemplo, hacking de hubs do ctOS, sabotagens, etc. E assim que um distrito se torna “revoltoso”, bem, as coisas ficam mais fáceis, digamos, e no mapa, diversos pontos de interesse são então revelados.

Algumas considerações finais

Watch Dogs: Legion é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes lançamentos de 2020. Um jogo de mundo aberto com um escopo enorme, com uma narrativa sensacional e gráficos verdadeiramente next-gen.

O jogo apresenta alguns crashes aleatórios, preciso dizer, mas estes são um tanto quanto raros. Nada muito sério, é verdade, além de algo que pode ser, creio eu, facilmente corrigido.

Watch Dogs: Legion, acima de tudo, mostra que a Ubisoft sabe muito bem como criar mundos abertos vastos, belos e nos quais é sempre gostoso imergirmos.

Se você está em busca de um excelente playground virtual, e mais: de um jogo com mecânicas sólidas, novidades muitíssimo bem vindas e dotado de um enredo forte e atual, não titubeie: vá sem medo.

Ficha técnica

Título: Watch Dogs: Legion

Gênero: Ação, Mundo Aberto

Desenvolvedora: Ubisoft

Publisher: Ubisoft

Data de lançamento: 29 de Outubro de 2020

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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