À primeira vista, Kosmokrats (página no Steam), pode parecer um jogo bem “simples”, digamos. O título, lançado em 05 de Novembro de 2020, foi desenvolvido pelo estúdio polonês Pixel Delusion e publicado pela Modern Wolf.

Acontece que esta tal “simplicidade” vai por água abaixo tão logo descascamos nossa primeira batata. Sim, o jogo nos insere a princípio no papel de um simples descascador de batatas (espere ser chamado de “potato peeler” diversas vezes, durante o gameplay).

Kosmokrats

Vida dura…

Bem, estamos lá, descascando nossas batatas e pensando na vida. Trabalhando para um “crew” que come batatas já à partir do café da manhã, quando somos, digamos, chamados ao dever (e esqueça qualquer referência a Call of Duty, aqui).

Kosmokrats

Sobre Kosmokrats

Vale destacar logo de início que o título da Pixel Deluxion conta com suporte a dispositivos compatíveis com a tecnologia Razer Chroma. No jogo, seu teclado e/ou seu mouse (desde que você possua um periférico compatível) piscará de forma “maluca” conforme antigas TVs de tubo “chuviscando” são vistas em cena, por exemplo.

Teclados também responderão de forma fantástica aos diálogos, piscando inclusive em cores correspondentes àquelas das linhas de diálogo dos personagens que estão falando conosco (ou entre si).

Kosmokrats

É algo muito bacana e que agrega bastante ao jogo e ao gameplay – só não vá se distrair muito e deixar que as coisas se encaminhem para rumos ruins, hein? Kosmokrats é divertidíssimo, muito engraçado mesmo, e, pasme, conta com uma narrativa que pode até mesmo se “dividir”, caminhando para destinos diferentes, dependendo de suas ações durante o gameplay.

O jogo inteiro ocupa cerca de 2 GB (apenas), e conta com gráficos bastante charmosos, principalmente quando visualizamos os personagens dentro da estação espacial. Sim, estação espacial, a qual orbita nosso pequeno e conturbado planetinha azul.

Um pouco da história de Kosmokrats

Tudo acontece nos anos 60, e estamos sob as ordens da Mãe Rússia. Sim, estamos à serviço da União Soviética, em pleno espaço, e após alguns “problemas”, somos chamados ao dever, saindo de nosso posto de meros “potato peelers” e ganhando então uma grande promoção: pilotos de drone.

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Em meio à maluca corrida espacial do jogo, e à bordo da estação espacial soviética, somos então instruídos por alguém que supostamente seria nosso supervisor, ou chefe, ou algo assim. Trata-se de Yuri, o qual não se cansa de ridicularizar nossa situação e nosso “passado nada honroso”. Creia em mim: temos aqui um sensacional indie game. Uma divertidíssima e variada experiência.

Kosmokrats, além disso, conta com algumas tragédias, as quais são, entretanto, sempre apresentadas através de uma ótica bastante engraçada, por mais terrível possa parecer a situação em questão.

Claro, sendo um jogo com uma enorme verve cômica, espere também por muitos easter eggs e por inúmeras referências aos “bons e velhos tempos”. Aquele som de internet discada marca presença constantemente, por exemplo, isto sem falar em monitores de tela verde e velhas impressoras matriciais (com seus respectivos e nostálgicos sons).

Tão logos somos aceitos como pilotos de drone, somos posicionados em frente a uma simpática mesa de controle, na qual existe até mesmo um console de videogame, para passarmos o tempo. Tal console, aliás, se chama, veja só, “Я-Box”.

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Temos também no jogo a voz do ator britânico Bill Nighy, além de vários puzzles em gravidade zero, durante os quais temos de utilizar nosso drone para conectar módulos, montar estações e computadores, e diversos outros tipos de elementos. Tudo isso em gravidade zero, veja só.

Puzzles sensacionais em gravidade zero

Os puzzles de Kosmokrats, basicamente, resumem-se à utilização do nosso drone para a montagem de instalações espaciais as mais diversas. Isto ocorre de uma forma bem inusitada, entretanto. É bastante simples dominar os controles; porém, é complicadíssimo manusear o drone, dadas as condições do ambiente, a física, a ausência de gravidade, etc.

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Aliás, o próprio jogo, logo no início, recomenda o uso de um controle. E eu recomendo firmemente que você utilize um (no meu caso, utilizo um controle de Xbox 360). Isto porque todos os elementos que devemos manusear com o nosso drone são extremamente delicados.

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O próprio Yuri, durante o tutorial (sim, há um nostálgico tutorial), recomenda que sejamos gentis durante o manuseio de todos os elementos com o nosso drone. E isto pode ser alcançado com certa facilidade ao utilizarmos os sensíveis analógicos de um controle, o que já não deve ocorrer, certamente, se utilizarmos o teclado e o mouse.

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Durante os puzzles / montagem de módulos espaciais, temos de literalmente empurrar diversos elementos diferentes com nosso drone esférico. Atingir um elemento com muita força, por exemplo, pode danificá-lo de forma muitas vezes irremediável.

Isto pode acontecer, por exemplo, com antenas, sempre estrategicamente posicionadas (para ferrar com a nossa vida). Muitas vezes, aliás, temos Kosmonautas (sim, com K, mesmo) em meio aos diversos módulos que devem ser manuseados com nosso drone, e nestes casos, mortes podem acontecer, também, em decorrência de hipotéticas “barbeiragens”.

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Para concluir cada puzzle com sucesso, devemos conectar todos os módulos da referida estação (ou qualquer outro tipo de instalação) levando em conta a cor de vários conectores. A configuração e o posicionamento destes últimos pode complicar bastante a nossa vida, e, bem, tudo faz parte da brincadeira.

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Algumas considerações finais

Kosmokrats é sensacional. Aliás, espere por mais referências nostálgicas, principalmente quando um certo cientista alemão vem parar à bordo de nossa estação espacial soviética.

À partir daí, temos então a chance, inclusive, de ver em operação um supercomputador carinhosamente chamado por seu criador de VAL (em uma clara referência a HAL 9000).

O jogo não nos poupa de momentos hilários, além de muita nostalgia. À partir de nosso “centro de controle”, de nossa “mesa de trabalho”, podemos sempre brincar com nossa impressora e também observar, em um sensacional monitor verde, diversas brincadeiras envolvendo programação.

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Além disso, o jogo é extremamente barato (R$ 29,00 – link no primeiro parágrafo), principalmente tendo em vista tudo aquilo que ele oferece ao jogador. Toda a nostalgia, todos os momentos extremamente propícios para boas gargalhadas. Seus puzzles extremamente desafiadores, porém sempre bastante recompensadores.

O único porém, aqui, é que caso você não domine o inglês, deixará então de aproveitar todos os ótimos momentos durante os diálogos. Fica aqui a dica: quem sabe a Modern Wolf e/ou a Pixel Delusion não resolvem localizar o jogo também em pt-BR?

De qualquer forma, recomendo Kosmokrats com veemência. Um jogo e tanto. Bons momentos. Muita diversão e desafios. Seja você também um Comunista Espacial. Embarque nesta aventura, durante a qual a Terra não vai nada bem. Nada mesmo.

Ficha técnica

Título: Kosmokrats

Gênero: Aventura, Espacial, Puzzle

Desenvolvedora: Pixel Delusion

Publisher: Modern Wolf

Data de lançamento: 05 de Novembro de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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