Call of The Sea (página no Steam), lançado no último dia 08 de Dezembro, é um jogo e tanto. Obra de estreia do estúdio espanhol Out of the Blue, o título é também inspirado nos contos do mestre do horror cósmico, H.P. Lovecraft.

O game também narra, de certa forma, uma bela história de amor, e sua protagonista, Norah Everheart, a qual acaba indo parar em uma ilha no Pacífico, é fantasticamente dublada por Cissy Jones (Firewatch e Life is Strange, dentre outros trabalhos).

Call of The Sea

Call of the Sea apresenta ao jogador uma aventura fantástica, e embora não tenhamos aqui um jogo de terror, vale destacar que durante o gameplay deste jogo extremamente desafiador você irá se deparar com vários elementos sobrenaturais.

Sobre Call of the Sea

Com muitos elementos claramente inspirados na obra de Lovecraft, com um ou outro sobressalto por parte de Norah, principalmente quando ela se depara com construções, maquinário e vestígios os mais diversos de uma civilização, quem sabe, antiquíssima (ou de uma outra realidade, talvez), Call of the Sea encanta desde o princípio.

Call of The Sea

O fato é que o jogo da Out of the Blue é verdadeiramente fantástico, e minha única ressalva em relação a ele talvez seja a enorme dificuldade imposta por cada um dos quebra-cabeças. É sério: você irá se deparar com puzzles intrincados ao extremo.

Call of The Sea

Com quebra-cabeças verdadeiramente desafiadores, e isto tudo acaba, algumas vezes, por quebrar aquela imersão tão gostosa proposta pelo game inicialmente. Com aquela aura de mistério, de aventura, com as belezas vistas e oriundas da exploração da belíssima e misteriosa ilha na qual nos encontramos.

Tenho em mente que um jogo como este seria muito melhor aproveitado caso tivéssemos no mesmo puzzles mais leves, digamos. Ou então, se tivéssemos diferentes níveis de dificuldade, para que o jogo se adequasse ao gosto/expectativa de cada jogador.

Claro, no tocante a puzzles, sabemos que trata-se de algo onde não podemos lidar com níveis de dificuldade, então talvez minha observação seja um tanto quanto desnecessária. Mas o fato é que a altíssima dificuldade dos puzzles em Call of the Sea atrapalha um pouco a imersão e a experiência como um todo.

Call of The Sea

Mas sei também que esta é uma decisão de design da Out of the Blue, e respeito este fato. Portanto, o que nos “resta” é apreciar esta belíssima e imperdível aventura, em toda a sua magnitude e, infelizmente, com todos os seus dificílimos puzzles.

E este é um detalhe, veja bem, que não tira o brilho da obra, do magnífico conjunto criado pelo estúdio espanhol. Call of the Sea certamente é um lançamento e tanto, e se você aprecia o estilo, gosta de mistério com um ou outro sobressalto, além de narrativas muito bem construídas, eis aqui um belo candidato para sua biblioteca no Steam.

Call of The Sea

Se você também aprecia a obra de Lovecraft, bem, então acredito que o jogo seja compra obrigatória, principalmente porque ele custa apenas R$ 38,00 no Steam. E, creia em mim: ele vale cada centavo.

Um pouco da história de Call of the Sea

Norah, a protagonista, chega a uma misteriosa ilha no Pacífico. Estamos próximos ao Taiti, e Norah está em busca de seu marido, o qual desapareceu juntamente com os membros de uma certa expedição.

Call of The Sea

Harry, o tal marido, estava em busca de uma cura para a misteriosa doença de sua esposa, a qual desembarca na misteriosa (e tida como amaldiçoada pelos nativos) ilha logo no início do gameplay.

Não faltam elementos sobrenaturais no jogo, e a própria Norah menciona uma certa caixa de música recebida como herança, o que me lembrou também do excelente Song of Horror (este, sim, um verdadeiro título de horror).

Bem, na ilha, Norah acaba se deparando com diversos vestígios da expedição desaparecida, além de um enorme navio naufragado. Estranhezas ligadas à própria protagonista também não faltam, e em um dado momento ela acaba indo parar bem no fundo do oceano, momento este que é no mínimo inusitado.

Tudo em Call of the Sea, ou melhor dizendo, quase tudo, está ligado às inspirações na obra de Lovecraft. Nos deparamos com aparições bastante estranhas, com um misterioso lodo negro capaz de assumir diferentes configurações conforme vibrações diferentes são a ele aplicadas, e também com “momentos oníricos” extremamente estranhos. Mas sempre interessantíssimos!

Call of The Sea

Não pude deixar de me lembrar, durante o gameplay, dos contos “Nas montanhas da loucura” (guardadas as devidas ressalvas no tocante à ambientação) e “A sombra vinda do tempo”, de Lovecraft. É tudo muito bem construído, aliás, dos personagens à trama, passando pelos puzzles e pela ótima trilha sonora.

Call of The Sea

Os gráficos do jogo, aliás, são lindíssimos, em um sensacional estilo meio cartunesco. A ilha paradisíaca porém assustadora é representada de forma fantástica, e a impressão de estarmos em um paraíso tocado por mãos ancestrais e obscuras se faz presente em todos os instantes.

O jogo faz uso da Unreal Engine 4, e nele nos deparamos inúmeras vezes, também, com tecnologias estranhas aos olhos de Norah, com vestígios de uma civilização certamente antiquíssima, bem como com paisagens de tirar o fôlego.

Call of The Sea

Nogephaii wgah’nagl

É, Lovecraft se faz “presente” em Call of the Sea a todo instante, seja através de monolitos de pedra certamente pertencentes a alguma civilização perdida, seja através de determinadas pessoas que ficaram loucas devido ao contato com certas substâncias desconhecidas, etc.

Norah, por sua vez, é bastante observadora, e anota tudo, tudo mesmo, em seu diário. Isto ajuda bastante o jogador (no caso, é possível abrir o diário da personagem principal a qualquer instante), pois além de ser possível consultar eventos presenciados pela protagonista, também podemos consultar anotações capazes de ajudar na resolução dos quebra-cabeças.

Call of The Sea

O jogo também não deixa de ser um verdadeiro testemunho do amor entre Norah e Harry. Um momento, em especial, deixa isto bem claro: quando Norah se depara com uma gravação contendo a voz de seu desaparecido marido.

Marido este, aliás, que também amava bastante sua esposa, e resolveu então se aventurar juntamente com outros homens em uma expedição tendo em vista o bem estar da mesma. Bem, mas este é um assunto que talvez seja melhor evitar, afinal de contas, spoilers nunca são bem vindos, não é?

Call of The Sea

De qualquer forma, temos de convir que Call of the Sea “brinca” bastante com os Mitos de Cthulhu, por exemplo. Estes estão também no cerne de grande parte dos puzzles do jogo, os quais nos colocam em contato com mecanismos estranhos ao extremo.

Geralmente, temos de resolver “pequenos” puzzles para obtermos então dados, informações, meios, para a resolução de um puzzle maior, mais complexo, o qual libera, então, o acesso a um próximo capítulo ou área.

Call of The Sea

E Norah ajuda bastante, com seus comentários constantes e com suas anotações, no muitíssimo bem vindo diário, no qual ela até mesmo desenha muitas das coisas que vê (e que muitas vezes são primordiais durante a resolução de um ou outro puzzle).

Algumas considerações finais

Call of the Sea é mais um grande lançamento em 2020. Neste ano tão conturbado, triste, repleto de coisas que nos fazem ficar para baixo, é fantástico conhecer e jogar excelentes títulos inspirados na obra de autores que adoramos.

Minha única ressalva em relação ao jogo, como já dito acima, é a enorme dificuldade dos quebra-cabeças. Levei mais de 15 horas para finalizar o jogo, isto após ler internet afora que o mesmo poderia ser finalizado em cerca de 6 a 8 horas.

Se isto é uma qualidade a ser acrescentada ao conjunto da obra, bem, creio que a resposta deva ser bem particular, partindo de cada jogador. De qualquer forma, o jogo é espetacular, lindo, magnificamente construído, com uma protagonista que, sinceramente, é espetacular. Recomendadíssimo. Jogue o quanto antes, se puder!

Eis aqui mais um belíssimo jogo publicado pela Raw Fury. Um daqueles títulos totalmente fora da curva, que nos fazem ficar literalmente embevecidos!

Ficha técnica

Título: Call of the Sea

Gênero: Aventura, Puzzle

Desenvolvedora: Out of the Blue

Publisher: Raw Fury

Data de lançamento: 08 de Dezembro de 2020

Plataformas: PC

Versão analisada: PC

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