Sou um tanto quanto suspeito para falar a respeito desta franquia, pois dela sou grande fã, desde seus primórdios, em 2007. Tudo bem que tivemos um ou outro título que não foram lá muito bem recebidos (merecidamente), mas Assassin’s Creed Valhalla é bem diferente. Muito diferente!

O jogo, lançado em 10 de Novembro de 2020, para PC e consoles, é um enorme RPG de mundo aberto, cujo desenvolvimento foi liderado pela Ubisoft Montreal. Valhalla, em minha modesta opinião, é um dos melhores (senão o melhor) jogos da famosa série.

Assassin's Creed Valhalla

Velhas colunas romanas

Dando grande ênfase aos vikings que buscavam terras e expansão na Inglaterra do século IX (eles aí chegaram um pouco antes, entretanto: no século VIII), bem como a vários dos clãs nórdicos e seus líderes sanguinários porém extremamente astutos, o mais recente lançamento da desenvolvedora e publisher francesa é, sem sombra de dúvidas, um enorme paraíso para quem está em busca de uma aventura calcada na história com grandes doses de ficção (além de emoção).

Sobre Assassin’s Creed Valhalla

O que temos aqui, sem sombra de dúvidas, é uma história cheia de pontos luminosos e também de muitos elementos obscuros. Tudo começa no ano de 872, e o jogador é rapidamente levado da gelada e bela Noruega para a Inglaterra (mais precisamente para o antigo Reino da Mércia, neste início).

Assassin's Creed Valhalla

Sim, temos variações climáticas e ciclos dia/noite…

Assassin’s Creed Valhalla é um jogo, em minha opinião, bastante superior à Assassin’s Creed Odyssey (leia minhas análises). Temos momentos de grande tensão, temos personagens bastante marcantes (embora o protagonista não seja um ponto forte no jogo), e sua narrativa é profunda, intensa, cheia de reviravoltas.

Assassin's Creed Valhalla

E note que ao dizer que Valhalla é superior a Odyssey, estou tentando levar você a perceber uma coisa: o jogo é uma verdadeira obra de arte. Um título e tanto. Um RPG maravilhoso, com nuances e detalhes os mais diversos, os quais formam um conjunto audiovisual verdadeiramente estupendo. E o gameplay também é sensacional, vale destacar.

Assassin's Creed Valhalla

A franquia da Ubisoft sempre foi conhecida por suas firmes raízes na história real e na mescla desta última com elementos fictícios. Místicos também, muitas vezes, os quais são inseridos nos jogos de maneira tal que fica até mesmo difícil distinguir um do outro, tão logo estejamos imersos na aventura.

E Assassin’s Creed Valhalla é um dos jogos mais ambiciosos da Ubisoft até hoje, lidando, também, com o “elemento viking”, algo que está, digamos, em voga, ultimamente. Temos visto com frequência séries e livros que abordam o tema, e eu confesso que não deixo de me lembrar da maravilhosa série de livros “Crônicas Saxônicas”, de Bernard Cornwell, enquanto jogo este último trabalho da Ubisoft.

Assassin's Creed Valhalla

Você também pode esperar, em AC: Valhalla, por muita violência e por elementos já conhecidos dos fãs da franquia. O Animus volta à cena, claro, e mantendo-se fiel, de certa forma, aos ditames estabelecidos há mais de 10 anos, a Ubisoft não deixou de incluir no jogo diversos elementos já conhecidos pelos fãs, tais como, por exemplo, pontos de sincronização, lâmina oculta, eagle vision (aqui chamada de Olho de Odin), etc.

AC: Valhalla – sombras, glória, alianças e muito sangue

Eivor Marca-de-Lobo, o protagonista, chega na Inglaterra dividida em vários reinos no ano de 873. Ele e seu irmão de sangue, Sigurd Styrbjornson, estão em busca do assentamento dos filhos do lendário Ragnar Lodbrok, Ubba e Ivarr.

Obs: vale lembrar que Eivor foi assim chamado porque enquanto ainda na Noruega, seu vilarejo natal, Fornburg, foi atacado por Kjotve, um nórdico que resolveu trair um acordo de paz. Kjotve, além disso, matou o pai de Eivor, o qual então conseguiu fugir, sendo entretanto atacado por lobos, os quais o atingiram no pescoço – daí seu “sobrenome”: Marca-de-Lobo.

Assassin's Creed Valhalla

Bem, ao chegar no tal assentamento, entretanto, os dois irmãos acabam descobrindo que os filhos de Ragnar não estão mais lá. Após alguns acontecimentos que envolvem, obviamente, violência, Eivor e Sigurd acabam assumindo o controle do local, o qual passa a se chamar Ravensthorpe.

Assassin's Creed Valhalla

Ravensthorpe, à partir daí, passa a funcionar como assentamento para o clã, para Eivor, digamos, e o jogador pode (ou melhor, deve) evoluir o local, construindo diversas estruturas, tais como, por exemplo, cabanas de caça, tenda do ferreiro, cabana para a vidente Valka, quartel, etc.

O assentamento é primordial no jogo, pois é à partir dele que aprimoramos nossas armas e equipamentos (através do ferreiro Gunnar), tudo através do uso de lingotes de níquel, de carbono, e de diversos outros minérios.

Assassin's Creed Valhalla

Também é no assentamento, ou melhor dizendo, em Ravensthorpe (você pode optar por jogar com um protagonista feminino ou masculino, assim como aconteceu em Odyssey), que podemos reunir nossa tripulação em um Dracar e dar início a viagens de exploração através dos rios que cortam a Inglaterra, situações em que sempre descobrimos algo novo, como por exemplo um monastério cheio de riquezas que pode ser invadido, vandalizado, assaltado.

Assassin's Creed Valhalla

Eivor e Sigurd buscam glória, mas também a criação de alianças fortes que permitam a obtenção de controle sobre territórios, tais como, por exemplo, a já supracitada Mércia. No assentamento existe inclusive um mapa de alianças, o qual permite ao jogador escolher o destino de suas próximas ações.

A violência, digamos, faz parte do jogo, e se pararmos para pensar, não haveria outro modo de representar “vikings de verdade” em um jogo eletrônico sem a presença de tal elemento. Sabemos que as expansões vikings em direção à Europa foram geralmente bastante violentas.

Não se sabe muito bem ao certo o porquê dos nórdicos terem iniciado as tais expansões, atacando a Europa, e aqui, no caso, em particular, a Inglaterra. O fato de que a agricultura nas terras geladas do Norte pode ter atingido um ponto bastante “perigoso”, digamos, com escassez de terras para cultivo, pode ter sido uma das razões; mas também existem outras teorias, as quais não vêm ao caso agora, nesta análise.

Assassin's Creed Valhalla

O fato é que Eivor e seu grupo, em AC: Valhalla, querem terras, glória, alianças, e também a expansão de seus domínios. E o jogador poderá até mesmo usar de diplomacia em vários momentos chave: mas espere também, como já dito acima, por bastante violência.

Assassin's Creed Valhalla

Enquanto o Valhalla nos aguarda

O jogo retrata de forma bastante bela um velho mundo em decadência. Acontece que a Inglaterra, e vários outros locais adjacentes, ainda guardavam, na época das incursões vikings, vários resquícios dos antigos e mais evoluídos romanos.

Lembre-se: no game, estamos na Idade das Trevas, uma das eras mais escuras da história de nosso mundo. Roma já havia caído, e várias tribos e grupos assumiram o controle de diversas regiões da velha Europa.

Porém, a antiga “luz de Roma” pode ser perfeitamente vista pelo jogador, na forma de vários monumentos, prédios, construções, templos e edifícios os mais diversos, quase sempre em ruínas ou então fazendo parte de algum assentamento, de algum grupo.

Assassin's Creed Valhalla

Aliás, é importante também ressaltar que vários tesouros e objetos de interesse encontram-se aí escondidos, os quais podem sempre render uma ou outra surpresa. De qualquer forma, a simples possibilidade de perambular em meio às tais majestosas construções (as quais destoam bastante das construções “modernas” vistas nos vários reinos e vilarejos daquilo que viria a ser um dia chamado de Inglaterra) é fascinante.

Assassin's Creed Valhalla

Jogar AC: Valhalla é uma experiência verdadeiramente singular. Seja à bordo de um Drakkar (ou Dracar), seja à cavalo, seja à pé, diversas aventuras aguardam o jogador ansioso por mais. Inúmeras missões primárias e secundárias se fazem presentes, e é possível encará-las algumas vezes sem uma ordem definida.

Por exemplo, você pode optar, no início, por seguir Sigurd em uma tentativa de colocar um “Rei Fantoche” na Mércia, ou então por se dirigir até Cambridge e se encontrar com Guthrum, outro viking poderoso, e ajudá-lo a derrotar um tal Lorde Wigmund, membro da Ordem dos Anciões.

Sim, espere pela presença dos Templários também aqui, em AC: Valhalla, bem como por membros de uma antiquíssima Ordem conhecida como “Os Ocultos”. Trata-se, na verdade, dos nossos já conhecidos Assassinos, os quais podem inclusive contar com uma cabana em nosso assentamento (missões oriundas daí também são sempre interessantes): temos inclusive dois Assassinos “de verdade”, marcando presença no assentamento – trata-se de Hytham e Basim.

Assassin’s Creed Valhalla: jogando!

Jogar este RPG é algo fabuloso. Pontos de experiência são ganhos conforme lutamos, conforme completamos missões primárias e secundárias (espere por muitas, muitas horas de jogo), e todos podem ser distribuídos em uma gigantesca árvore, a qual se ramifica em diversas direções, incluindo o Caminho do Lobo, o Caminho do Urso e o Caminho do Corvo.

Cada um destes caminhos diz respeito a determinados estilos de luta, de jogo, digamos assim, e tornam o personagem principal mais adaptável. Quero dizer: é possível adequar o protagonista ao nosso estilo de jogo, sendo que podemos também optar por distribuir os pontos ganhos em todos os 3 diferentes ramos da grande árvore de habilidades.

Assassin's Creed Valhalla

Lutar é uma constante, no jogo, e sendo assim, é sempre bom pensar com cuidado antes de optar por uma ou outra habilidade, sendo que existem tanto habilidades passivas quanto ativas.

Aliás, também podemos buscar e encontrar vários livros misteriosos, em vários locais do enorme mundo do jogo, os quais tornam então possível o aprendizado de uma série de aptidões, a quais funcionam mais ou menos como as habilidades especiais em Assassin’s Creed Odyssey. É muito bacana!

Mas você pode optar por incremento nos níveis de vida, paulatinamente, e também por maiores chances de dano crítico, bem como é possível optar por maior nível de dano nos ataques leves (ou pesados).

Assassin's Creed Valhalla

Podemos utilizar armas que requerem as duas mãos para serem empunhadas, e também armas que exigem apenas uma das mãos para serem utilizadas. No caso deste último tipo de arma, é possível equipar até mesmo um escudo, na outra mão, o qual é muitíssimo bem vindo durante os vários combates nos quais participamos.

Arcos e flechas de vários tipos também estão à nossa disposição, e equipamentos os mais diversos podem ser adquiridos em diversos mercadores espalhados pelo gigantesco mundo do jogo (o mapa de Valhalla é bem maior que o de Odyssey) – muito pode ser adquirido, desde que possuamos a moeda certa, nas quantidades certas.

Assassin's Creed Valhalla

Por Odin!

Se você já jogou algum Assassin’s Creed na vida, pode ficar tranquilo: Assassin’s Creed Valhalla possui muitos, muitos dos elementos já comuns à franquia. Aliás, desde que a Ubisoft resolveu transformar (felizmente!) os jogos da série em RPGs, iniciando com Assassin’s Creed Origins (análise), tudo ficou melhor ainda.

Agora, temos de ficar de olho no nível de poder de determinada região e também de determinados inimigos, antes de iniciar um ataque, e comparar tudo isto com o nosso próprio nível de poder. Caso a diferença seja muito drástica, é melhor ficar de fora do tal conflito/ataque até que o nível exigido seja atingido.

Assassin's Creed Valhalla

Além disso, podemos equipar nosso personagem completamente, da cabeça aos pés, com armaduras, braçadeiras, peitorais, botas e equipamentos diversos. Tudo ainda pode ser aprimorado através do uso de runas incrustadas nos diversos equipamentos, as quais podem ser tanto compradas quanto obtidas através de saques.

Em diversos momentos, e talvez devido à ambientação e também ao estilo do jogo, me lembrei de Kingdom Come: Deliverance, e veja só: isto não é nada ruim – pelo contrário! A parte gráfica do jogo também é impressionante, e aqueles que dizem que trata-se apenas de “Assassin’s Creed: Odyssey com uma nova pele”, bem, talvez eles precisem de fato jogar Assassin’s Creed Valhalla.

Assassin's Creed Valhalla

Jogo no PC, com todas as configurações ajustadas para “Muito Alto”, e o game roda de forma bastante tranquila, atingindo geralmente 60 frames por segundo sem maiores problemas.

Momentos verdadeiramente deslumbrantes são quase sempre visualizados pelo jogador, principalmente enquanto à bordo de um Dracar, navegando pelos belíssimos rios da Inglaterra.

Cavalgar por terras férteis e paisagens deslumbrantes também é sempre possível, e não é raro avistarmos alguma velha construção romana em ruínas, a qual pode então ser explorada em busca de equipamentos de nível raro ou então de antigas riquezas.

Assassin's Creed Valhalla

Fortes e monastérios belíssimos (monges fogem correndo conforme percebem nossa chegada) também podem ser alvo de nossas incursões. Aliás, tanto em missões secundárias quanto em missões principais, geralmente é bastante útil utilizar o Corvo de Eivor, Synin, o qual pode então realizar uma varredura na região, marcar inimigos e até mesmo detectar a localização de nosso alvo.

Obs: embora isto esteja um pouco mais difícil em Valhalla – o Corvo consegue apenas, digamos, indicar a direção, mas não a localização exata, “detalhe” que fica por nossa própria conta e risco.

Algumas considerações finais sobre Assassin’s Creed Valhalla

Tenho comigo que Assassin’s Creed Valhalla é o melhor AC já lançado. E perceba que eu disse o mesmo quando analisei Assassin’s Creed Odyssey, portanto, é notória o quão benfazeja foi a decisão da Ubisoft em não mais lançar um jogo da série por ano.

Além disso, é extremamente bem vinda transição da franquia para o “modelo RPG”, digamos. Em Valhalla, aliás, também existem diálogos com múltiplas escolhas e decisões, algumas das quais podem representar a diferença entre a vida e a morte de alguns personagens.

Assassin’s Creed Valhalla é belíssimo, conta com um enredo notável, e embora Eivor não seja tão carismático quanto Kassandra, de Odyssey, ele consegue envolver o jogador de forma quase perfeita.

A temática viking também impressiona, inclusive pelo nível de detalhamento. Recomendadíssimo!

Obs: ainda pretendo publicar outros artigos a respeito do jogo, pois ainda há muito nele a ser feito.

Ficha técnica

Título: Assassin’s Creed Valhalla

Gênero: Ação, RPG, Aventura, Mundo Aberto

Desenvolvedora: Ubisoft

Publisher: Ubisoft

Data de lançamento: 10 de Novembro de 2020

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X/S

Versão analisada: PC

Pin It on Pinterest