Foram 7 anos em desenvolvimento, e finalmente o estúdio turco TaleWorlds Entertainment, sediado em Ancara, nos entregou Mount & Blade II: Bannerlord, através do Acesso Antecipado (Early Access) do Steam.

O jogo, que mistura RPG, estratégia e aventura de forma espetacular, pertence a uma franquia bastante antiga, até. Eu mesmo tive o imenso prazer de analisar 2 títulos da mesma: Mount and Blade: Warband, em 2010, e Mount & Blade: With Fire & Sword, em 2011.

Mount & Blade II: Bannerlord

O novo título da TaleWorlds foi lançado no Steam em 30 de Março de 2020, e vem recebendo, de lá para cá, uma série de previews e análises de acesso antecipado mundo afora, grande parte deles bem positivos.

O jogo já recebeu, aliás, uma série de atualizações. Porém, o estúdio por ele responsável ainda não sabe dizer ao certo quando ele será finalmente lançado (quando ele deixará o programa Early Access).

A franquia Mount & Blade, aliás, influenciou bastante o também grandioso Kingdom Come: Deliverance, no que diz respeito ao realismo dos combates, armamentos e até mesmo elementos que estão relacionados com a Idade Média.

Mount & Blade II: Bannerlord

Apesar da Calradia do jogo ser um mundo fictício, ela possui fortíssimas ligações com o mundo real, e em Mount & Blade II: Bannerlord, jogo que, na  verdade, é uma sequência de Mount and Blade: Warband, percebemos isto com bastante clareza.

Tudo está mais realista, mais intrincado, mais perigoso, mais intenso, mais, digamos, forte. Bannerlord além disso, não é tão pesado, como é o caso, por exemplo, de Kingdom Come: Deliverance.

O novo jogo da TaleWorlds Entertainment, em seu estado atual, já oferece ao jogador um mundo imenso, pronto para ser explorado (incluindo a campanha), diversos modos de jogo multiplayer, e um sistema de criação extremamente robusto. Dentre outros elementos, é claro.

A história de Mount & Blade II: Bannerlord

Que dizer de um jogo cujo tutorial demora cerca de 2 horas para ser finalizado? Isto, digamos, se jogado calmamente, como eu fiz. Prestando atenção nos mínimos detalhes. Bem, no mínimo eu diria que temos em nossas mãos algo extremamente profundo.

Mount & Blade II: Bannerlord

O jogo conta com um complexo e refinado sistema de criação de personagens, o qual vai além de simples elementos cosméticos, digamos.

Mount & Blade II: Bannerlord

Em tal sistema, podemos determinar, por exemplo, a qual das várias culturas do mundo de Calradia nosso personagem pertencerá: Vlandians, Sturgians, Empire, Aserai, Khuzaits ou Battanians.

Também podemos definir que tipo de família é a nossa, quais suas principais fontes de renda e/ou profissões, como foi a nossa infância e a nossa juventude, e também como foi o início de nossa vida adulta.

Mount & Blade II: Bannerlord

A história de Mount & Blade II: Bannerlord ocorre 200 antes dos eventos vistos em Mount & Blade: Warband. No jogo, encarnamos “alguém”. Um personagem nomeado pelo jogador, membro de uma família cujo irmão mais velho, Niasen, logo de início oferece uma missão muito importante, a qual envolve retomar o poder de seu antigo clã.

Temos, então, que recrutar homens para nossa facção (ou party), temos que fazer com que nossa fama cresça, principalmente através do trato com personagens da nobreza, e temos também que aumentar nossa pequena fortuna inicial.

Dito tudo isto, é imprescindível dizer que não existe uma “receita de bolo”, neste novo Mount and Blade. Não há um “caminho certo”, um único e/ou correto modo de agir, nem nada semelhante.

Mount & Blade II: Bannerlord

Mapa

Como já dito acima, somos totalmente livres, no imenso mundo de Calradia (dê uma olhada no mapa, abaixo, com o zoom no máximo), e podemos até mesmo nos voltarmos contra qualquer uma das várias facções existentes no RPG.

Mount & Blade II: Bannerlord - Mapa

Através da imagem acima, você talvez não tenha uma boa noção do quão grande é o mundo do jogo. Porém, vale ressaltar que capturei a imagem acima com o zoom “no máximo”, ou seja, à partir da maior altura possível.

Existem diversas gradações, no que diz respeito aos níveis de zoom, e podemos nos aproximar bastante do solo, também, até o ponto de vermos claramente nosso cavaleiro perambulando pelas terras de Calradia:

Mount & Blade II: Bannerlord - Mapa - Zoom

Tal recurso/sistema é algo já bastante conhecido por quem acompanha a franquia de longa data. No mapa do jogo, controlamos nossas caravanas, nossas facções e nosso personagem. Tudo em tempo real, através de cliques do mouse.

O jogo conta com ciclos dia/noite completos, e tudo isto pode ser observado, tanto enquanto estamos no mapa, fora de alguma cidade, vilarejo ou castelo, quanto enquanto estamos dentro de alguma cidadela, por exemplo.

A transição entre o dia e a noite se dá de maneira belíssima, em Mount & Blade II: Bannerlord, e é também através do mapa do jogo que podemos caçar grupos de bandidos de diversos tipos, bem como iniciar pelejas contra outras facções.

Mount & Blade II: Bannerlord

Também é através do mapa do jogo que os cercos são iniciados, por exemplo, quando iniciamos o ataque a algum castelo em específico. Claro, para isto, você deve estar bastante evoluído e com um grande número de soldados bem treinados.

Jogando

O jogo é bastante complexo. Existe um sistema refinado de diálogos, durante os quais tanto podemos descobrir informações importantes a respeito do vilarejo, castelo ou cidade no qual nos encontramos, quanto podemos receber missões secundárias.

Os combates, aliás, são extremamente instigantes, além de também bastante complexos. Temos aqui um jogo que deve ser jogado única e exclusivamente através do conjunto teclado + mouse.

Mount & Blade II: Bannerlord

Pois é através do mouse que atacamos e nos defendemos, com os botões esquerdo e direito, respectivamente. Isto sem contar que podemos utilizar uma série de armas diferentes (o tutorial cobre diversas delas).

Podemos usar desde espadas curtas e longas até machados e maças, passando também por porretes, bestas, arcos e lanças.

Mount & Blade II: Bannerlord

Cada arma possui peculiaridades distintas, e deve ser manuseada de forma também distinta. Podemos, aliás, empunhar uma espada em uma das mãos e na outra um escudo, ou utilizar apenas uma espada, mais pesada, manuseando-a com ambas as mãos.

Mount & Blade II: Bannerlord

Através do mapa, cavalgando e perambulando por Calradia, juntamente com nosso exército, podemos optar por abordar vários grupos, com intenções hostis. Podemos atacar desde bandidos até caravanas, e é óbvio que nestes casos nossa reputação será afetada no que diz respeito ao clã, digamos, ao qual pertence o proprietário das mesmas.

Também através do mapa de Mount & Blade II: Bannerlord, podemos adentrar em pequenos vilarejos medievais e observar, muitas vezes, muita pobreza. Tais locais também contam com “quest givers”, vale lembrar.

Podemos, aliás, através do mapa, ir para qualquer ponto, para qualquer cidade, para qualquer bioma, sem limitações. Entrando em cidades, podemos conversar com cidadãos e até mesmo obter missões interessantíssimas, tudo isto enquanto observamos arquiteturas diferentes e até mesmo pessoas diferentes, dependendo da região na qual estamos.

Guerra Civil

Vale destacar que o mundo no qual nos encontramos, em Bannerlord, está em guerra. À todo instante ficamos sabendo de “fulano” ou de “sicrano” que foi feito prisioneiro. De mortes importantes. De fatos capazes de afetar até mesmo a economia, em determinados locais.

Mount & Blade II: Bannerlord conta a história das guerras que causaram a queda da outrora poderosíssima Calradia, e assim sendo, temos que ter em mente que nossa vida, dentro do game, não será nada fácil.

Aliás, sendo um jogo com temática medieval, uma espécie de “simulador medieval”, digamos, não poderíamos esperar outra coisa. Bannerlord, entretanto, é de certa forma amigável para quem jogou algum título anterior da franquia.

Mount & Blade II: Bannerlord

Comandando as tropas

A talentosíssima TaleWorlds, aliás, incorporou novas e interessantes mecânicas, incorporando ao jogo elementos que antes somente eram possíveis através da utilização de mods.

Claro, também temos que levar em consideração o fato de que o novo Mount & Blade está muito mais bonito. Belíssimo, eu diria.

Mas voltando às guerras, podemos criar nosso exército (aliás, este seria, digamos, um dos objetivos do jogo) e cercar castelos, com vistas à invasão.

Podemos lutar lado a lado com nossos homens, ou então enviá-los sozinhos, através de um sistema que calculará, então, as chances de sobrevivência e de morte, e nos apresentará os resultados dentro de alguns instantes.

Mount & Blade II: Bannerlord

O belíssimo mapa de Bannerlord

Obviamente, participar dos combates é muito mais divertido, principalmente porque agora podemos controlar nossos homens com muito mais liberdade e poder.

Existem diversos tipos de controles/comandos à nossa disposição, enquanto no campo de batalha e durante os combates. Podemos formar paredes de escudos, e também podemos ordenar que os arqueiros disparem uma “chuva de flechas” contra os inimigos, por exemplo.

Podemos ordenar formações defensivas, e também podemos ordenar que nosso exército nos siga. Claro, temos neste caso que tomar as devidas precauções, e lembrar que estamos jogando um “simulador de combate medieval”, também.

Destinos

Ao final de cada batalha, caso saiamos vencedores, podemos optar por tomar os inimigos sobreviventes como prisioneiros, e também temos direito aos devidos espólios de guerra.

Mount & Blade II: Bannerlord

Tais espólios podem ser posteriormente comercializados em qualquer uma das cidades do jogo. E sobre os prisioneiros, bem, podemos tanto adicioná-los ao nosso exército e treiná-los, quanto vendê-los como escravos. É, a vida na Idade Média não era fácil.

Tudo dependerá, é claro, da maneira como você encara o jogo e o role-play. Em Bannerlord, situações as mais diversas podem influenciar na oferta e na demanda de mercadorias, em vários locais.

Vale também a pena lembrar que devemos cuidar de nossa party, de nossa facção: devemos curar os enfermos e também adquirir os devidos itens necessários para alimentação, sob pena de acabarmos sem homem algum do nosso lado.

Sandbox

Bannerlord também tem um lado sandbox muitíssimo interessante e vasto. Temos um imenso mundo aberto à nossa disposição, e podemos até mesmo nos transformarmos em ladrões, mercenários, nobres, etc.

O jogo meio que não impõe limites ao jogador, neste sentido: podemos atacar quase que todos os que por nós passam, enquanto estamos no mapa, bem como podemos tomar ações hostis contra qualquer castelo, cidade ou vilarejo.

Claro, temos sempre que ter em mente a força e a habilidade de nossas tropas (bem como os mesmos valores nos inimigos), valendo lembrar que membros de nossa party podem ser evoluídos, assim como o nosso personagem, o protagonista do jogo.

Mount & Blade II: Bannerlord

Digamos até que o combate, no novo jogo da TaleWorlds, é quase que uma constante, estejamos nós no comando de tropas, ou no próprio campo de batalha, em cima de um cavalo ou a pé.

Batalhas verdadeiramente épicas, bem como cercos, fazem parte da brincadeira, e você pode até mesmo se surpreender com o tanto de informações que podem ser encontradas na enciclopédia do game.

Early Access, gráficos e trilha sonora

Claro, como se trata de um jogo ainda em Early Access, Mount & Blade II: Bannerlord possui alguns problemas. Por exemplo, pude me deparar com alguns diálogos com “textos placeholder”, sem contar com algumas “texture pop in”.

Nada muito grave, entretanto. Sou obrigado a dizer. O título, aliás, também conta com uma evolução de personagem bastante lenta. Entretanto, podemos aplicar “focus points” em dezenas de atributos e habilidades (isto é algo bastante positivo).

Graficamente, Bannerlord está verdadeiramente muito bonito. Claro: quando temos dezenas (ou centenas) de unidades em tela, as coisas podem ficar um tanto quanto “complicadas”, dependendo do seu hardware.

Mas os gráficos estão muito bonitos, até mesmo enquanto estamos no mapa. A aparência da água, por exemplo, é soberba, e as texturas estão muito bonitas, além de serem carregadas bem rapidamente.

Você pode também perceber facilmente, enquanto no mapa, os diversos biomas do jogo, tais como, por exemplo, desertos, terras geladas, florestas, etc. Isto tudo, aliás, é representado belamente quando você adentra tais regiões e locais “pessoalmente”. Com o seu personagem.

Mount & Blade II: Bannerlord

Os modelos dos NPCs são apenas OK – creio que a TaleWorlds ainda poderia melhorar bastante este aspecto, mas as diversas construções do jogo, como casas, castelos, tavernas e choupanas, passam uma impressão bem realista ao jogador.

A trilha sonora de abertura lembra bastante, até, daquela de Conan Exiles: trata-se de uma ótima preparação para as aventuras grandiosas que estão por vir, tão logo o jogador clicar em “resume game”.

Já dentro de vilas ou castelos, ou até mesmo de cidades, além do burburinho dos cidadãos, temos trilhas sonoras que nos remetem facilmente à Idade Média, incluindo grande uso de flautas e outros instrumentos de sopro.

Requisitos mínimos e recomendados para Mount & Blade II: Bannerlord

Abaixo você pode conferir os requisitos mínimos e recomendados para Bannerlord:

Requisitos mínimos:

  • Sistema operacional: Windows 7 64 bits;
  • Processador: Intel Core i3-8100 / AMD Ryzen  3 1200;
  • Memória RAM: 6GB;
  • Placa de vídeo: Intel UHD Graphics 630 / Nvidia GeForce GTX 660 2GB / AMD Radeon HD 7850 2GB;
  • Espaço em disco: 60GB;

Requisitos recomendados:

  • Sistema operacional: Windows 10 64 bits;
  • Processador: Intel Core i5-9600K / AMD Ryzen 5 3600X;
  • Memória RAM: 8GB;
  • Placa de vídeo: Nvidia GeForce GTX 1060 3GB / AMD Radeon RX 580;
  • Espaço em disco: 60GB

Algumas considerações finais

Mount & Blade II: Bannerlord já é um grande jogo. Se eu o recomendo a você? Bem, tudo depende. Caso você goste de “simuladores medievais”, como por exemplo Kingdom Come: Deliverance, compre sem medo.

Caso você seja fã da franquia, então, não há nem o que pensar. Agora, se você é novato na área, neste caso é melhor pensar com cuidado, assistir a vídeos de gameplay, ler alguns reviews, etc.

Mount & Blade II: Bannerlord

De qualquer forma, trata-se de um jogo excelente. Vale ressaltar, aliás, que a TaleWorlds está disponibilizando “a engine e as ferramentas usadas no desenvolvimento” do jogo, para a devida criação de mods.

E caso você esteja curioso, estou rodando o jogo em um PC equipado com um processador Intel Core i7 7770, 16GB de memória RAM, e placa de vídeo Nvidia GeForce GTX 1070Ti 8Gb.

Minhas aventuras por Calradia apenas começaram. Enquanto isso, fique com o trailer de Early Access do game:

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