É importante ressaltar de antemão que estou jogando Generation Zero através de uma cópia para PC gentilmente cedida pela Avalanche Studios, justamente para fins de review.

Na última terça-feira, publiquei minha análise de Generation Zero, o primeiro jogo autopublicado pela Avalanche Studios, empresa bastante conhecida devido a seu trabalho na excelente franquia Just Cause (Just Cause 4, aliás, foi lançado pouco tempo atrás, em 4 de dezembro de 2018).

Generation Zero

Utilizando a máscara de gás

No meu review do jogo, expus tudo aquilo de bom e de ruim que nele encontrei, e pode ser, é verdade, que os problemas tenham suplantado, em diversos trechos, as qualidades do jogo. Entretanto, continuo jogando o título da Avalanche, e ontem à noite uma pergunta surgiu em minha mente: “Por que?”.

Um belo mundo aberto e vários mistérios

O fato é que trata-se de um jogo de mundo aberto. O mundo do jogo, aliás, é enorme, e uma breve olhada em seu mapa dá ao jogador uma boa ideia do tanto de terra que pode ser explorada na Suécia abandonada e repleta de mistérios (além de máquinas) de Generation Zero.

Generation Zero - Mapa

Um pequeno trecho do mapa de Generation Zero

Confesso que adoro títulos de mundo aberto. A ideia de explorar áreas imensas à bordo de veículos ou a pé (como neste game) me soa fantástica, principalmente devido às descobertas que podemos fazer pelo caminho.

Para mim, é um enorme prazer observar o comportamento de NPCs, por exemplo, e verificar como a IA de alguns títulos pode ser sofisticada e fazer com que eles ajam de maneiras as mais diversas possíveis (uma rápida olhada em GTA V te dará uma amostra disso).

O mistério que ronda a Suécia de Generation Zero, além disso, é enorme, e após encontrar indícios de gravações e textos em russo em alguns lugares do jogo, pude até mesmo fazer algum tipo de relacionamento entre o enredo do jogo e a Guerra Fria, principalmente porque tudo acontece durante os anos 80.

Generation Zero

Lembre-se: no novo game da Avalanche, o protagonista chega à sua terra natal após seu barco ter sido atingido misteriosamente por algo, ou alguém, e ao chegar em terra firme, ele descobre que tudo está deserto, que todas as pessoas desapareceram.

Mas por que continuo jogando, você deve estar se perguntando? Talvez seja a ânsia por desvendar este mistério que me faça continuar jogando. Talvez seja a ânsia por descobrir novos lugares no mapa, que esteja me impelindo a abrir o game todos os dias.

Aliás, muitas vezes o jogo lembra um walking simulator: em muitos locais encontramos várias máquinas assassinas em busca de alvos humanos para atacar. Mas em vários outros, temos apenas a bela vegetação como companheira.

Gráficos de primeira

E, acredite-me: os gráficos do jogo são lindíssimos. A Avalanche Studios cuidou até mesmo de pequenos detalhes como por exemplo o desgaste das armas e as miras com vidros trincados. O ciclo dia e noite, também, faz com que qualquer pessoa se sinta imersa em um mundo extremamente crível, e se aliarmos a isso as variações climáticas dinâmicas, temos um conjunto e tanto para nos divertirmos (Generation Zero pode ser muito imersivo – depende do modo como você o encara).

Generation Zero

É realmente sensacional quando relâmpagos são vistos logo acima das árvores ao longe e trovões então ribombam com enorme força. É fantástico, também, quando a chuva cai, ainda companheira de trovões e relâmpagos, e enxergamos o pequeno halo de nossa lanterna, à noite, ser invadido por pequenas e inúmeras gotas.

A chuva durante o dia, também, é belíssima, e não dá pra esconder um sorriso de surpresa quando você está caminhando em meio a um tempo fechado (porém sem chuva) e percebe que há uma névoa cercando tudo, dificultando inclusive a visão daquilo que temos diante de nós em uma estrada deserta.

Generation Zero

Em Generation Zero, você se deparará com efeitos de iluminação e sombras verdadeiramente excelentes, e com uma água incrivelmente bonita e crível. Realmente, a Apex Engine, motor proprietário da desenvolvedora sueca (também utilizada na série Just Cause), é capaz de entregar gráficos de primeiríssima qualidade, surpreendendo inúmeros jogadores; jogadores, quem sabe, que podiam até estar em dúvida a respeito, devido ao fato de não se tratar de um título, digamos, AAA.

Mas não, ao jogar este game, você se surpreenderá com seus gráficos, com seu incrível mundo aberto, com as variações climáticas constantes, e também com a belíssima noite que nos força a ter mais cuidado ainda ao caminhar por locais desconhecidos.

Generation Zero

Bom, mas nem tanto – mas pode melhorar

Como disse em meu review, Generation Zero ainda sofre com inúmeros problemas. Com bugs. O inventário, por exemplo, é extremamente bagunçado. Complicado, mesmo, apesar da aparente simplicidade. Além dos itens que desaparecem como que “por mágica” das hotkeys designadas, não importa quantas vezes você saqueie um medkit: será sempre necessário abrir o inventário e arrastá-lo para o mesmo slot da hotkey onde já existem outros kits médicos equipados. É dureza.

O jogo, além disso, carece de uma história apropriada. Veja bem, existem gravações, existem diários, existem anotações e também existem bilhetes que podem ser encontrados ao longo do gameplay: tudo isto pode inclusive fazer parte de missões e/ou dar início a novas.

Mas tudo, ou quase tudo, deve ser deduzido pelo jogador. A história “escapa” a conta-gotas, e você pode muitas vezes “perder” mais tempo enfrentando as máquinas assassinas do que seguindo main quests ou sidequests.

Tudo depende também, é claro, de sua abordagem. Em um jogo ambientado em um mundo repleto de robôs mortais e extremamente agressivos, faltam mecânicas que facilitem a ação furtiva/stealth (simplesmente andar agachado, muitas vezes, não é o suficiente), e isto é algo para o qual, penso eu, a desenvolvedora deve ficar atenta.

Generation Zero

E também, infelizmente, não há uma ordem certa no que diz respeito às missões. O jogo não exige, do jogador, nenhum tipo de comprometimento com objetivo algum. É como se estivéssemos em um enorme sandbox, largados (me lembrei de Human Fall Flat agora), pegando uma missão aqui e outra ali, destruindo alguns robôs, entrando em casas e construções que se repetem à exaustão (no que diz respeito à arquitetura – interior e exterior), etc.

É como se o jogo fosse um grande playground, e nele tivéssemos de encontrar nossa própria maneira de apreciá-lo, de enfrentar os desafios propostos. É bem verdade que a ausência de objetivos claros pode ser um problema, e dos grandes.

Mas por que, mesmo assim, então, eu continuo jogando este título? Talvez a resposta também esteja ligada ao fato de que seus desenvolvedores afirmam que continuarão a nele trabalhar com afinco. O próprio sistema de saves e checkpoints que tanto critiquei em meu review, segundo dizem, sofrerá uma alteração (e eu torço para que seja introduzido um sistema de salvamento manual também).

Generation Zero

Talvez eu continue jogando Generation Zero devido ao fato de ainda não ter explorado todo o mapa, e como sou vidrado em títulos open-world… Bem, já deu para perceber que este game vai permanecer instalado em meu PC por um bom tempo. Talvez eu continue jogando para ter mais contato com as variações climáticas e com a neve que fatalmente irá aparecer, em algum ponto e momento.

Generation Zero

Talvez eu também continue jogando porque admiro bastante o trabalho do estúdio responsável pelo jogo. Além disso (e sei muito bem que posso estar cometendo um erro aqui), acredito nas palavras de Pim Holfve, CEO da Avalanche Studios, quando ele diz que temos aqui “o início de uma nova franquia de ação que irá evoluir em estreita colaboração com os jogadores, ao longo dos próximos anos“.

Isto também me faz pensar se não teria sido melhor lançar o título em Early Access (Acesso Antecipado), obviamente. Tal modelo de lançamento, creio eu, teria mais a ver com a proposta do estúdio e com o estado em que o jogo foi lançado. Mas infelizmente, não foi o que aconteceu, e pelo menos temos o (bom) histórico do estúdio para nos dar um pouco de esperança.

Paul Keslin, também da Avalanche, ainda diz que a intenção da empresa é compartilhar com os jogadores mais informações a respeito de seus planos para o futuro do game, e moldá-lo, então, em conjunto com a comunidade de jogadores. Ele ainda diz que tal colaboração “irá impactar o mundo de Generation Zero nos meses e anos vindouros“.

Também senti falta, aliás, e isto também devido ao histórico da empresa e a seu trabalho na franquia Just Cause, de elementos destrutíveis: creia-me, você pode atirar em uma janela e o máximo de dano que ocorrerá serão alguns trincados – nada mais.

A IA do jogo também é falha, algumas vezes (e perceba que eu a elogiei bastante em meu review – link no primeiro parágrafo). Algumas vezes, inimigos detectam você e meio que se focam indefinida e estranhamente. Você pode até mesmo entrar em alguma construção, por exemplo, mas eles continuarão atirando a esmo e a “música de combate” continuará soando.

Em determinados momentos, também, os inimigos podem agir como verdadeiros bobos: após alguns disparos iniciais contra você, eles meio que cessam a ação e permitem, então, que você continue neles atirando até chegar ao ponto de destruí-los. Tudo isto são falhas que, é claro, podem ser corrigidas com o tempo.

Generation Zero

Eu creio sinceramente, entretanto, que Generation Zero ainda pode melhorar bastante. Que o jogo pode evoluir ao longo do tempo: apenas não recomendo que você o adquira agora, em seu estado atual.

Hoje, aliás, o estúdio divulgou uma carta aberta onde menciona que uma atualização visando a correção de diversos problemas será lançada até o final de Abril. Eles chegam a listar alguns bugs e problemas diversos que serão corrigidos por tal atualização, mas sem entrar em muitos detalhes.

Eles avisam, entretanto, que ali não foi divulgada a lista completa de modificações que serão inseridas com o update, e que vários bugs serão corrigidos, além da implementação de várias melhorias (por estas últimas, aliás, aguardo com enorme ansiedade). Um playthrough com os desenvolvedores também foi realizado, vale ressaltar, e ali eles respondem a várias perguntas já levantadas pelos jogadores.

Finalizando

De qualquer forma, ressalto mais uma vez: não compre Generation Zero agora. Aguarde por mais novidades, por mais bug fixes, por mais atualizações, por mais informações divulgadas pela Avalanche Studios. Talvez você tenha de aguardar semanas, meses, ou até mesmo mais de um ano, ninguém sabe bem ao certo.

Generation Zero

Eu estou jogando (e analisei o game) porque recebi uma cópia para review, pois em caso contrário, após ler tantos reviews negativos, jamais teria adquirido-o. Entretanto, confesso que também estou gostando de várias coisas nele, como já disse acima e também em meu review.

Generation Zero com sua Suécia invadida por máquinas misteriosas é, em minha opinião, um título bastante promissor. Deveria ter sido lançado, digamos, em Early Access? Creio que sim. Mas também tenho quase certeza de que dentro de algum tempo teremos um grande jogo em mãos.

Generation Zero foi lançado para PC, Xbox One e PlayStation 4 em 26 de Março de 2019.

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