Este artigo talvez não tenha nada a ver com games, com jogos eletrônicos. Ou talvez tenha, de certa forma, uma vez que eles serão citados. Mas creio que cheguei em um ponto em que preciso colocar para fora o que está dentro de mim frente a esta terrível pandemia mundial.

Como o Carlos Aquino, do Retina Desgastada, também me sinto com o humor lá embaixo. Ao contrário dele, entretanto, minha rotina mudou um pouco. Clientes deixaram de pagar, eu e minha esposa já pensamos em solicitar carências em diversos serviços que pagamos mensalmente, e por aí vai.

Em tempos de COVID-19 (neste exato momento, já se foram mais de 37 mil vidas mundo afora), a esperança se esconde de nós. Mais de 37 mil vidas, como eu estava dizendo, se foram, mundo afora. Vidas. Seres humanos. Pessoas que tinham sonhos, anseios, medos, dúvidas, curiosidades. Assim como eu.

COVID-19

Pessoas que tinham família, que eram importantes para alguém, mesmo que em alguns casos em menor grau, infelizmente. Sinto que ao escrever este texto, estou me desviando bastante do escopo do XboxPlus (pelo menos agora, nesta parte inicial), mas sinto também que não posso deixar de extravasar meu desespero, meu medo, minhas incertezas.

O Coronavírus mudou nossas vidas. Mudou para pior. Em questão de poucas semanas, fomos colocados em isolamento social. Em cerca de duas semanas, me sinto um “criminoso transmissor de algum patógeno desconhecido” quando vou ao mercado.

Não porque eu esteja infectado, mas sim devido a, infelizmente, pensar sempre no que os outros estão pensando a meu respeito. E assim sendo, me coloco automaticamente numa posição um tanto quanto complicada e desconfortável.

Tudo isto acontece “dentro de mim”, é óbvio. Mas a carga emocional envolvida é enorme. O stress, o medo, a raiva e a incerteza são enormes, em tais momentos, e me pego muitas vezes correndo, na rua, nas pouquíssimas vezes em que saio (sempre com finalidades essenciais, como por exemplo farmácia e mercado).

Eu possuo uma empresa. Uma pequena empresa de TI, juntamente com minha esposa. Já trabalhávamos em regime de home office, então, nada mudou neste aspecto. Isto em paralelo ao XboxPlus e a outros projetos.

E uma das piores coisas que tenho observado está diretamente relacionada à leviandade do presidente da república. À leviandade com a qual ele trata essa pandemia toda, proferindo sandice atrás de sandice, deixando bem claro que é alguém totalmente despreparado para ocupar o cargo que ocupa.

Tal pessoa, ocupante do mais alto posto na nação, contraria a ciência, contraria especialistas do mundo todo, contraria países que contabilizam centenas de mortes diárias, e diz que o Coronavírus “é só uma gripezinha“.

Não consigo esconder minha raiva quando ouço tal tipo de coisa, e o resultado é que meu sangue ferve nas veias, e estou vivendo em um estado de constante estresse, com a adrenalina fluindo em altas doses através de minhas pobres veias.

Como se não bastasse tudo isto, recebo a notícia de que determinada pessoa de meu círculo social possui alguém em sua própria família contaminado com a COVID-19. E aí, fico pior ainda. Mais nervoso, mais amedrontado, mais assustado. Afinal de contas, se aconteceu com fulano, por que não pode acontecer comigo ou com minha esposa?

E quando olho para os números mundiais (aquele link acima, ref. a ferramenta do Bing, agora “vive” em uma aba constantemente aberta em meu Firefox), sinto que estamos prestes a enfrentar algo jamais visto na história recente da humanidade. E isto me causa arrepios.

O isolamento também nos mata, aliás. Mata nossa vontade de seguir adiante. Mata nossa vontade de tentar novas coisas. Assassina, literalmente, qualquer esperança (pelo menos no meu caso).

Moro afastado de minha família (em outra cidade), e estou, portanto, impedido de vê-los. A rodoviária de minha cidade encontra-se fechada. Meu neto de 2 anos pode nem me reconhecer quando eu o encontrar novamente (sim, sou pessimista ao extremo), e minha vida virou um caos.

Minha esposa está inclusa em “grupos de risco”: possui asma e diabetes, e sendo assim, minha preocupação é dobrada. Posso dizer que me preocupo mais com ela do que comigo, e na atual situação em que vivemos, digo categoricamente que minha vida virou um pandemônio.

Comigo? Não me importo muito, e chego até a parafrasear o ser que, em um vídeo ridículo, misturou “vírus e vidros blindados”, de forma extremamente impensada, crassa, imbecil, tosca: “- comigo talvez fosse apenas uma gripezinha”.

Mas o fato é que essa pandemia mundial vai deixar sequelas. Jamais seremos os mesmos. Se sairemos melhores de tudo isto? Creio que não, pessimista que sou (já disse isto antes?).

O mundo é formado em sua grande maioria por pessoas que pensam apenas em si próprias, e vemos bem claramente o quão verdadeiro é este fato quando assistimos a carreatas pedindo pelo fim do isolamento. Triste.

Mas continuo, por enquanto. Continuo jogando meus games. Continuo jogando e me divertindo, por incrível que pareça, além de continuar escrevendo aqui no XboxPlus (uma grande terapia).

Por hora, me divirto com The Longing, Conan Exiles, DOOM Eternal, Comanche (aguarde por preview em breve) e Mafia III. Isto sem contar com um outro título que não posso mencionar por enquanto. Ah, sim, em breve devo retornar a Song of Horror.

E é isto. Tristes tempos em que vivemos.

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