Este review de Quantum Break pertence à seção “A fila Anda“, na qual são analisados jogos lançados há mais de 3 meses, os quais não foram analisados na época de seu lançamento

Quantum Break é outro daqueles belíssimos trabalhos da Remedy Entertainment, empresa também responsável por Max Payne e Alan Wake. Temos aqui uma mistura entre série de TV e jogo eletrônico, tudo em doses muitíssimo bem calculadas para entreter o jogador, na medida certa.

Quantum Break

Lançado em 2016, para Xbox One e PC, o jogo lida com conceitos muitíssimo interessantes, como por exemplo alterações no espaço-tempo e, claro, viagens no tempo, para o passado e para o futuro. Temos como protagonista Jack Joyce, o qual é convidado por seu amigo de infância, Paul Serene, para uma experiência na Universidade de Riverport.

Quantum Break

Tal experiência envolvia nada mais nada menos que uma máquina do tempo, e não leva muito tempo para que tudo dê errado: Paul Serene acaba preso dentro da máquina e Jack, juntamente com seu irmão Will, precisam escapar do exército da empresa de Serene, a Monarch Solutions.

O jogo conta com ação e tiroteios verdadeiramente cinematográficos, e Jack Joyce acaba descobrindo que adquiriu poderes muito mais do que especiais. Ele é capaz de manipular o tempo, congelando-o, por exemplo, e também é capaz de se mover a altíssimas velocidades.

Quantum Break

Jack também é capaz de projetar um campo energético ao redor de si mesmo, o qual o protege de projéteis (algo muitíssimo bem vindo durante os constantes tiroteios do jogo), e também é capaz de utilizar a “visão temporal”, a qual permite o destaque de inimigos nas redondezas, bem como objetos de interesse.

O problema é que a experiência na Universidade de Riverport acabou causando uma “fratura” no tempo, a qual, caso não seja “consertada”, levará o mundo ao caos completo. A um  tal “fim do tempo”. Há apenas um “remédio” para evitar tal acontecimento: um dispositivo desenvolvido por Will, o irmão de Jack, chamado “Medida de Resposta”.

A história de Quantum Break acontece em 2016, e ela é bastante complexa. Vale ressaltar que o que permite o início da construção das máquinas do tempo (sim, existem mais delas, no jogo) é a descoberta de algo chamado “Campo de Meyer-Joyce” (o irmão de Jack, Will, é bastante ativo em tais pesquisas), o qual funcionaria como o mantenedor do tempo, e que seria energizado, digamos, por algo chamado “Cronum”.

Quantum Break

Dizer mais a respeito do enredo de Quantum Break seria incorrer no risco de deixar escapar algum spoiler, portanto, vou deixar que você, leitor, descubra por si mesmo mais detalhes a respeito desta interessante e complexa trama.

Durante o gameplay, travamos conhecimento com pessoas que viajam no tempo, para o passado e para o futuro, valendo a pena destacar que dentro da história, nada é definitivo, nada é “para sempre”: há sempre uma maneira, digamos, dada a tecnologia e a descoberta de Will, Paul Serene e da própria Monarch Solutions, de “consertar” as coisas, de retificar nossos erros, de “passar uma borracha” em determinados acontecimentos.

Quantum Break

O jogo da Remedy também permite que o jogador faça escolhas, ao longo do gameplay, e estas afetam o desenrolar da trama até certo ponto. Os eventos  finais, digamos, já estão acertados, definidos, mas o caminho até eles pode ser bastante modificado com base nas decisões do jogador durante tais momentos.

Quantum Break

Aidan Gillen

Por exemplo, em determinado momento, logo no começo do jogo, fui obrigado a fazer uma escolha. Dois futuros em potencial me foram apresentados, um chamado “linha dura” e outro chamado “relações públicas”.

Ora, eu poderia optar por assassinar todas as testemunhas civis dos acontecimentos na universidade, ou então manipular a mídia e colocar toda a culpa sobre Jack Joyce, incriminando-o e transformando-o em um vilão.

É importante também ressaltar que tais escolhas são capazes de impactar não apenas o rumo da narrativa, mas também os acontecimentos exibidos pela série, com atores reais. Trata-se de algo muitíssimo bem elaborado, sendo que podemos conferir uma prévia de cada escolha antes de decidir por uma delas, finalmente.

Quantum Break

É importante destacar que Quantum Break é um game com altíssimos valores de produção, e que os capítulos da série de TV exibidos após cada momento decisivo no jogo são, também, de altíssima qualidade. Até parece que estamos ligados na Netflix ou na HBO, por exemplo, assistindo a alguma grande produção, tão grande é a qualidade do trabalho.

Quantum Break

Além disso, não poderia deixar de mencionar que, devido a tais escolhas, bem como às suas respectivas consequências, o fator replay do título pode ser bem alto: afinal de contas, todos ficamos curiosos demais, desejando saber o que aconteceria se a outra opção tivesse sido escolhida.

A vida de Jack no jogo se torna bastante complicada, pois o exército particular da Monarch Solutions passa a caçá-lo sem trégua, valendo também a pena mencionar que existem alguns destes soldados que possuem poderes similares aos do protagonista.

Existem também os Juggernauts, poderosos, grandes, capazes de causar grandes danos ao personagem principal caso não sejam eliminados com destreza e rapidez.

Quantum Break

A experiência na universidade também provocou diversos lapsos no tempo, os quais ocorrem de tempos em tempos (veja a redundância), e congelam tudo e todos ao redor. Jack, felizmente, é imune a tais lapsos, e também pode deles se aproveitar, “rebobinando” o tempo a seu favor.

Quantum Break

Vale ressaltar que tais lapsos começam a acontecer cada vez com maior frequência, e não é difícil nos depararmos com trens e inimigos suspensos no ar, com cenários que parecem saídos de alguma viagem psicodélica, e com muita “maluquice”.

Por exemplo, Jack pode reconstruir pontes e reposicionar objetos, retornando-os a seus locais de origem, assim abrindo caminho ou construindo passagens. Trata-se de uma mecânica muito bem construída e útil ao longo do gameplay, e acredite, você a utilizará com bastante frequência.

Quantum Break

Dados seus poderes, Jack Joyce acaba sendo extremamente temido por todos. Não é difícil ouvir pelo rádio que “– O tal do Jack Joyce dizimou um esquadrão inteiro da Monarch“. Isto dá ao jogador uma sensação de poder enorme, além de ser muito gostoso controlar alguém que é temido e visto quase como um super-herói.

A receita, se é que podemos dizer assim, para se dar bem nos  diversos tiroteios, é utilizar o armamento que Jack tem em mãos (ele pode carregar até 3 armas – por exemplo: uma escopeta, uma metralhadora e uma pistola), em conjunto com seus poderes temporais.

Ao longo do gameplay, também vamos ganhando pontos de habilidade que podem ser gastos no upgrade de cada uma das habilidades do personagem principal; e assim, vamos nos tornando cada vez mais poderosos.

Jack, entretanto, tem objetivos muito mais nobres em mente do que simplesmente destruir a Monarch Solutions. Ele não se conforma com os desdobramentos do acidente na Universidade de Riverport, e deseja a todo custo revertê-los, além de “consertar” a tal fratura no tempo, a qual será desastrosa para a humanidade, caso venha realmente a acontecer.

Quantum Break

Quantum Break também conta com personagens memoráveis, como por exemplo Beth Wilder, funcionária da Monarch que conhece Jack de alguma maneira, sem que ele se dê conta do motivo, pelo menos a princípio. Temos também o poderoso Martin Hatch, CEO da empresa e pessoa extremamente próxima de Paul Serene.

Como já de praxe em jogos da Remedy, grande parte da história pode ser conhecida através de anotações e emails em computadores que encontramos ao longo do jogo. E aqui fica minha recomendação: leia tudo o que encontrar, pois caso contrário você perderá detalhes muito importantes do enredo.

Vale destacar a atuação fantástica dos atores (mocap e minissérie). Temos Shawn Ashmore como Jack Joyce (o Conrad de Man of Medan), Aidan Gillen como Paul Serene (o Littlefinger da série Game of Thrones, da HBO), e Courtney Hope como Beth Wilder, por exemplo.

Quantum Break, além de tudo isto, apresenta ao jogador não apenas uma viagem no tempo. São várias as idas e vindas de vários personagens, para o passado e para o futuro, e como eu disse no início, trata-se de uma trama bem complexa, na qual é preciso prestar bastante atenção.

Quantum Break

O jogo possui um ótimo ritmo, apresentando combates intensos (porém não muito difíceis), cutscenes muito bonitas e bem elaboradas, além de extremamente descritivas, e a minissérie fantástica que é exibida logo após nossas decisões nos momentos cruciais, a qual é verdadeiramente fenomenal. Os gráficos do título, além disso, são extremamente bonitos, e nem parece que estamos jogando um game lançado em 2016.

Minha grande decepção com o jogo, entretanto, foi seu final: o chefão final é bastante “apelão”. Porém, à partir do momento em que detectamos seu padrão de ataque, fica extremamente fácil derrotá-lo. Isto também é um tanto quanto frustrante, devo dizer. Fora isto, a experiência proporcionada pelo jogo da Remedy é sensacional.

Quantum Break

Aliás, já foi até meio que confirmado que haverá uma sequência, e se você observar as cenas pós-créditos, perceberá isto bem facilmente.

Quantum Break é uma experiência cinematográfica. Um jogo que mistura ficção científica e ação de maneira soberba, tudo isto intercalado por uma série televisiva de altíssima qualidade. Se você procura por bons jogos de ação e ficção científica, compre sem medo.

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Ficha técnica

Título: Quantum Break

Gênero: ação, aventura, ficção científica

Desenvolvedora: Remedy Entertainment

Publisher: THQ Nordic

Data de lançamento: 29 de Setembro de 2016

Plataformas: PC, Xbox One

Versão analisada: PC

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