Daymare: 1998, da italiana Invader Studios, é uma obra e tanto. Com claras inspirações na franquia Resident Evil (aliás, vale lembrar que em Abril teremos o lançamento do remake Resident Evil 3, tendo Jill Valentine como a grande estrela), o jogo é certamente também uma grande homenagem aos grandes jogos survival horror da década de 90.

Contando também com a participação da Destructive Creations e da All in! Games no projeto, Daymare: 1998 tem tudo para agradar aos fãs de bons jogos de horror com pitadas de ação e suspense, sem falar em altíssimas doses de sustos e criaturas horrendas.

Daymare: 1998

Vale destacar que a Invader Studios é formada por fãs que trabalharam em um projeto não oficial que tinha por objetivo criar um remake de Resident Evil 2, o qual foi encerrado, infelizmente, alguns anos atrás (cerca de 4 – 5 anos).

Bem, mas o que temos aqui? Temos vírus mortais e consequentes infecções que transformam seres humanos em zumbis. Percebeu? Mas vamos por partes.

A história de Daymare: 1998

Tudo começa quando um grupo de agentes especiais é enviado a uma base chamada Aegis, para resgatar containers que contêm uma carga extremamente perigosa. Trata-se de um vírus perigosíssimo, obra de uma empresa chamada Hexacore.

Daymare: 1998

Tal vírus é capaz de diversas mutações, e a equipe responsável por resgatá-lo, a H.A.D.E.S (Hexacore Advanced Division for Extraction and Search), acaba tendo de fazer com que um de seus agentes se infiltre no complexo, a fim de preparar toda a carga para extração.

Daymare: 1998

O jogo conta com três protagonistas, e o primeiro deles é o agente Liev, o qual se infiltra, portanto, na base secreta Aegis. Liev acaba se deparando com um ambiente aterrador, repleto de zumbis e aberrações diversas, além de um cenário verdadeiramente caótico.

A narrativa de Daymare: 1998 nos oferece, é importante também destacar, 3 personagens jogáveis: o supracitado agente Liev, Sam, uma espécie de guarda florestal, e Raven, um piloto. Através dos 3, conseguimos obter visões distintas da história, além de gameplays diferenciados.

Bem, mas o grande problema é que a carga extraída pela equipe H.A.D.E.S acabou caindo, devido a determinado incidente explicado através de uma cutscene, sobre uma cidade chamada Keen Sight, a qual também contém instalações da Hexacore, transformando grande parte de seus habitantes em criaturas muito mais do que horripilantes.

Daymare: 1998

É interessante também destacar que Sam, o guarda florestal, sofre de uma doença que provoca alucinações, e isto por si só provoca grandes mudanças no gameplay, aumentando ainda mais o grau de dificuldade do jogo, quando as tais alucinações resolvem dar o ar de sua graça.

Jogando Daymare: 1998

A princípio, poderíamos pensar que Daymare: 1998 é um mero clone de Resident Evil. Mas não, o game possui seu próprio charme, mecânicas diferenciadas, um ritmo bastante acelerado, grande variedade de zumbis, gráficos muito bonitos (foi utilizada a Unreal Engine 4) e uma história interessantíssima, além de inúmeras referências à década de 90, a jogos e filmes da época, etc.

Podemos observar, por exemplo, velhas máquinas de fliperama de um jogo chamado “Full-Life” (uma clara referência a Half-Life), além de menções a um sistema operacional chamado “Doors 98”. Sacou não é? E isto se repete durante o jogo inteiro.

Daymare: 1998

Os protagonistas, aliás, contam com um dispositivo em seus pulsos que serve a várias funções. É através dele que consumimos itens para a restauração da energia vital e da estamina, e também é através deles que combinamos itens com finalidades variadas.

Daymare: 1998

E, além disso, vale lembrar que o jogo é bastante complexo no tocante ao manuseio de algumas armas. Pistolas, por exemplo, podem tornar sua vida bem complicada no início do jogo, até que você pegue o jeito.

De nada adianta termos balas em nosso inventário se não tivermos os necessários pentes. Eu mesmo tive de recorrer a um longo backtracking, em determinada fase, justamente para recuperar o pente que havia jogado fora.

Daymare: 1998

Existem duas maneiras de recarregar as pistolas: a recarga rápida e a recarga lenta. O modo rápido simplesmente descarta um pente inteiro, substituindo-o por outro cheio (desde que você possua algum sobrando no inventário).

Já a recarga lenta, bem, ela é mais lenta e deixa o protagonista desprotegido até que o processo termine: é preciso, neste caso, manter a tecla “R” pressionada por alguns segundos. Segundos preciosos e perigosos.

Daymare: 1998

Além disso, os pentes de pistolas devem ser devidamente preenchidos com balas, ainda no inventário, através de uma “combinação”. Isto para que você seja capaz, posteriormente, de recarregar a respectiva arma. Já escopetas e outras armas que não utilizam pentes, são recarregadas normalmente, através da tecla “R” pressionada.

Daymare: 1998

Tudo isto acaba adicionando uma camada de dificuldade bastante interessante ao jogo, pois enquanto estamos recarregando nossas armas, ou até mesmo enquanto estamos acessando o já mencionado dispositivo em nosso braço (com a tecla “TAB”), ficamos à mercê de quaisquer monstros nos arredores.

Obs: existem também itens para cura, itens para potencializar a sensibilidade dos personagens principais, etc.

Puzzles

Não se engane, porém: Daymare: 1998 possui uma grande quantidade de puzzles, em todos os seus capítulos, apresentados em vários momentos. Eles são essenciais para a progressão, como não poderia deixar de ser.

Trata-se de quebra-cabeças totalmente inseridos no contexto do jogo, muitas vezes necessários para abrir determinados pontos de acesso, outras vezes necessários para drenar a água que impede nossa passagem através de subterrâneos inundados, e por aí vai.

Todos os puzzles são muito bem feitos e inteligentes, e alguns deles farão com que seu cérebro frite. Mas qualquer fã deste gênero de jogo já está acostumado com este tipo de coisa, não é mesmo?

Horror

Sem sombra de dúvidas, jogar Daymare: 1998 é uma experiência horripilante. Um prato cheio para os fãs do gênero. O jogo possui identidade própria, além de uma história profunda e interessantíssima, a qual também é expandida e aprofundada através da leitura de documentos que encontramos ao longo do jogo.

Referências a uma possível origem do vírus também são dadas, e elas apontam o Japão, em uma hipotética vingança contra os Estados Unidos devido à bomba atômica que devastou Hiroshima e Nagasaki.

Daymare: 1998

Óbvia e secretamente, o governo dos EUA acabou tomando posse de tal arma biológica antes que ela fosse utilizada contra o país, e então realizou experimentos com a mesma, os quais por fim acabaram saindo do controle e dando origem aos acontecimentos vistos no game.

Caminhar pela cidade de Keen Sight, pelas florestas, por ruas infestadas de monstros, por casas e prédios, subterrâneos e outros locais, é sempre aterrador, no jogo. A trilha sonora ajuda bastante, mas a sonoplastia brilha de maneira soberba.

Daymare: 1998

Somos expostos a uma atmosfera de horror constante, com barulhos vindos dos mais diversos lugares, os quais fazem com que constantemente ergamos nossos braços e apontemos nossa arma para alguma direção (lembre-se: ao mirar, os personagens caminham mais lentamente).

Daymare: 1998

Parece que a cada esquina, a cada porta, a cada trecho escuro, algo vai saltar sobre nós e nos devorar com enorme voracidade. Os gráficos do jogo também ajudam bastante, e o contraste entre a luz e as sombras é sempre muitíssimo bem utilizado.

Ruídos de fundo fazem com que nosso coração fique nas mãos, e muitas vezes nos assustamos até mesmo com o som de nossos próprios passos, quando a trilha sonora é interrompida em determinados trechos e a sonoplastia soberba dá o ar de sua graça, para nossa felicidade (ou não?).

A munição, aliás, é sempre escassa. Você precisa vasculhar todos os recônditos, cada fresta, cada canto escondido, cada prateleira, sempre em busca de caixas de munição e outros itens, como por exemplo itens que aumentam o vigor do personagem ou que restabelecem um pouco de sua vida.

Daymare: 1998

Em Daymare: 1998 é preciso agir de forma estratégica, utilizando armas de menor calibre contra inimigos mais fracos, por exemplo, e deixando as mais poderosas para os mais perigosos/poderosos. Ficar sem munição durante o gameplay é uma das piores coisas que pode te acontecer, portanto, vasculhe sempre. E bastante!

Finalizando

Daymare: 1998 é um jogo ambientado no mesmo ano que ajuda a compor seu título. É também uma grande homenagem a grandes jogos do passado, sem no entanto se transformar em um simples e mero clone.

Daymare: 1998

O jogo da Invader Studios é um soberbo survival horror, repleto de ação e de momentos de tensão e terror, além de contar com mecânicas bastante interessantes, as quais, apesar de tornarem o game mais difícil, têm sua razão de ser e foram muito bem implementadas.

Infelizmente, é possível que o jogo tenha passado desapercebido por muita gente, e eu acredito até que temos aqui um game que tem tudo para figurar ao lado de grandes AAAs.

Daymare: 1998

Mas fica aqui a dica: se você curte um bom survival horror, adicione Daymare: 1998 à sua wishlist. Ele vale cada centavo.

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Ficha técnica

Título: Daymare: 1998

Gênero: ação, survival horror

Desenvolvedora: Invader Studios

Publisher: Destructive Creations, All in! Games

Data de lançamento: 17 de Setembro de 2019

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One

Versão analisada: PC

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