171 é um jogo em desenvolvimento pelo estúdio independente brasileiro Betagames Group, composto por apenas 7 pessoas. Trata-se de um título que muitos veículos apelidaram de “GTA Brasileiro”.

O Projeto 171, ou simplesmente 171, é um jogo de mundo aberto que certamente conta com inspirações na franquia GTA. O game encontra-se atualmente em um estado bastante precoce de desenvolvimento, sendo que isto é até mesmo indicado em sua página no Steam.

Game 171

Um carro “ferrado”

171 encontra-se em fase Pré-Alpha, ou Pré-Alfa: o jogo ainda está bastante, digamos, “cru”, mas seu potencial já pode ser vislumbrado por quem nele coloca as mãos.

Devido à gentileza do pessoal da Betagames Group, obtive acesso ao título, e abaixo você pode conferir minhas primeiras impressões a seu respeito.

Game 171

Vale lembrar, aliás, que notícias a respeito de 171 remontam a 2015 (mas o pessoal da desenvolvedora menciona que as primeiras ideias para o título surgiram em 2010), mais ou menos, ano que inclusive é citado no site do estúdio responsável pelo jogo. O desenvolvimento provavelmente foi iniciado neste ano (2015).

Jogo 171 no Catarse

171 foi financiado através do site de financiamento coletivo Catarse. A campanha foi encerrada em 11 de Janeiro de 2019, e a Betagames Group conseguiu arrecadar cerca de 68 mil Reais.

Game 171

Posso estar enganado, mas creio que li em algum lugar que a empresa também estava aceitando doações através de PagSeguro e PayPal, meios estes anteriores à campanha no Catarse.

Game 171

O que importa, entretanto, é que o jogo foi financiado com sucesso. É uma pena, entretanto, que o mesmo não tenha atingido “tiers”/objetivos maiores, os quais implicariam em maior número de armamento, sistema dia/noite dinâmico, presença de explosivos, bares, vendedores ambulantes, etc.

De qualquer forma, o jogo 171 que temos em mãos faz jus ao “apelido” de GTA Brasileiro, valendo lembrar, entretanto, que não se trata de uma cópia, nem nada parecido. Muito pelo contrário. Temos aqui algo com grande e forte personalidade.

Ambientação

O jogo aparentemente se passa em um bairro de periferia de alguma cidade localizada no estado de São Paulo. Alguns falam em Sumaré, inclusive.

Game 171

Verdade seja dita…

De qualquer forma, o importante aqui é sabermos que estamos jogando algo ambientado no Brasil. Obviamente, você deve se lembrar de alguns mods para GTA San Andreas que eram ambientados em nosso país.

Mas 171 vai além: não se trata de um mod. E sim de um jogo. De algo em pleno desenvolvimento que, apesar de encontrar-se ainda em um estágio bastante inicial (pré-alpha), será lançado um dia como um produto finalizado. Completo.

A ambientação não podia ser das melhores (meu sobrinho, ao ver as imagens, falou até em Cidade Tiradentes – aqui não posso opinar, entretanto, porque não conheço tal local).

Game 171

Mas o título da Betagames Group faz bonito ao retratar um bairro de periferia paulistano. No jogo, encarnamos um jovem chamado Nicolau Souza, o qual certamente possui algum tipo de ligação com o crime.

Ele anda armado (são duas armas, a princípio – um fuzil automático e uma pistola), e temos a plena noção de estarmos caminhando por um bairro de alguma cidade brasileira.

Game 171

Palavrões, gírias, sons de conversas, pichações nos muros, lixões a céu aberto, ruelas estreitas e até mesmo com chão de terra ou de paralelepípedos: tudo isto faz parte do jogo, sendo que o protagonista pode perambular pelo mundo de 171 à vontade (limitado apenas pelo tamanho do mapa, o qual ainda é um tanto quanto pequeno).

Vale lembrar mais uma vez que estamos falando a respeito de um jogo em seus estágios iniciais de desenvolvimento: provavelmente, ainda há um longo caminho a ser percorrido, e eu acredito até que 171 deva entrar no programa de Acesso Antecipado (Early Access) do Steam. Claro, estou aqui fazendo apenas uma mera suposição.

Uma periferia muito bem retratada

O bairro, o local, o mapa no qual nos encontramos em 171, é claramente inspirado em periferias do Brasil. Temos casas simples e muitas delas com tijolos à mostra.

Game 171

Temos também diversos NPCs tipicamente brasileiros, e no trânsito, caso provoquemos algum acidente, podemos até mesmo ouvir algum xingamento (em bom e claro português do Brasil).

Obs: o jogo não possui legendas, pois está totalmente localizado em pt-BR.

Game 171

Não é raro nos depararmos com NPCs caminhando calmamente, vestindo bermudas e calçando chinelos de dedo. O próprio protagonista pode fazer uso deste tipo de calçado, adquirindo-o através de uma das duas lojas espalhadas pelo por enquanto pequeno mapa do jogo.

Pichações, fachadas de lojas (vidraçarias, oficinas mecânicas, etc), ruas um tanto quanto sujas, lixeiras rentes aos portões das casas, portões de madeira, etc: tudo isto também faz parte do “pacote” entregue por 171 em sua versão Pré-Alpha, de forma inclusive bastante convincente.

Game 171

O protagonista, após algumas compras de roupas

Jogando

O título, por enquanto, não conta com nenhuma missão. Não há um enredo, digamos. Nada de narrativa. O que temos, por enquanto, e que é até compreensível, dado o estado/versão do título, é uma espécie de “playground virtual”.

O protagonista anda armado, como já dito acima, e pode desta forma enfrentar a violentíssima polícia do jogo, a qual pode até pará-lo caso ele seja visto com as armas em punho. Neste caso, temos duas opções: partir para o confronto ou então nada fazer e deixar que o personagem principal levante as mãos e seja preso.

Game 171

Ambas as alternativas, é importante destacar, levam a “Game Over”. Quer dizer, o jogo simplesmente apresenta uma mensagem ao jogador e reinicia. Tal mensagem pode ser a hilária “CPF Cancelado” ou então, caso você morra durante um confronto, a também engraçadíssima “Foi pra Vala”.

O humor está bastante presente em 171, e o jogo conta com muitos palavrões. Sendo inspirado em GTA, e levando em consideração que o título trata a respeito de alguém marginalizado, supostamente pertencente, digamos, a grupos criminosos, isto é até mesmo extremamente natural.

Diversas expressões ditas pelo protagonista, aliás, são hilárias ao extremo, e eu vou me abster de comentar a respeito delas devido, digamos, ao fato das mesmas serem bastante “pesadas”. Mas é tudo muito engraçado, pode ficar tranquilo quanto a isto.

Game 171

Vale também destacar que andar com armas em punho pode chamar a atenção da polícia ou então de outros criminosos, os quais então entrarão em confronto com você, sendo que você pode ou não sair vitorioso. Tudo depende.

Podemos dirigir qualquer um dos veículos vistos na cidade retratada no game, e podemos até mesmo roubar veículos: basta apontar uma arma para alguém que esteja com o veículo parado, e ele sairá de seu carro correndo.

Veículos

Digno de nota, também, é o trabalho realizado com os diversos veículos inclusos no game. Não temos nenhum tipo de veículo licenciado, digamos, pois também temos de levar em consideração que trata-se, acima de tudo, de um indie game, e de um estúdio independente.

Game 171

De qualquer forma, temos veículos inspirados em peruas Kombi, em Fuscas, em Chevettes, e em alguns outros modelos de nosso passado recente, alguns dos quais ainda são vistos pelas nossas ruas. Temos inclusive um velho Fiat 147 (no jogo, chamado de 512).

Pilotar cada um destes veículos representa sempre uma experiência diferente, pois cada um deles responde de maneiras diferentes, além de contar com sons diferentes no tocante aos motores.

Além disso, uns são mais velozes, ágeis, outros são mais vagarosos, mais “duros”, digamos. Mas é muito bacana sair dirigindo pela cidade periférica de 171 e observar a inteligência artificial do jogo em funcionamento.

O protagonista xinga pra caramba quando é atingido por algum motorista inadvertido, e também pode atrapalhar o trânsito, vale lembrar. A dirigibilidade dica bastante diferente, aliás, quando dirigimos através de ruas de terra, momentos durante os quais podemos ouvir até mesmo o som dos pedregulhos (sem contar com a bela imagem da poeira sendo levantada do solo).

Game 171

Após algumas “trombadas”

Na única oficina mecânica existente por enquanto, podemos pintar nossos veículos, além de também realizar alguns ajustes. Podemos, por exemplo, rebaixar os carros, e ao fazermos isto, ouvimos do mecânico algo bastante engraçado: “– %$#[email protected]! Não sabia que você tinha medo de altura!

Polícia e confrontos

A polícia do jogo é um tanto quanto violenta, e muitas vezes já chega atirando. Por exemplo: estava eu testando meu fuzil automático em um carro, para observar, quem sabe, uma possível explosão.

Bem, comecei a atirar e realmente, a lataria reagiu de acordo, com os respectivos buracos de bala. O mesmo aconteceu com o vidro, o qual apontava claramente os tiros recebidos.

Pouco a pouco o carro começou a pegar fogo, até o ponto em que ele então explodiu: eu fui jogado longe, pois inadvertidamente me posicionei bem perto do veículo em questão.

Neste momento, a polícia foi acionada, pela inteligência artificial do game, é claro, a qual entende, digamos, que sempre que alguns tiros são disparados, é motivo para acionar os “meganhas”.

Algo engraçado aconteceu aqui, entretanto. Um pequeno bug, digamos. Fui lançado pelos ares, e caí dentro de um quintal de uma casa próxima, cujo portão de ferro era “vazado”.

Game 171

O detalhe interessante, porém, é que é impossível, via meios normais, entrarmos nas casas do jogo, pelo menos no estado em que ele se encontra agora. E quando a polícia chegou, foi bastante engraçado, pois apesar do portão “vazado”, seus tiros não me atingiam e nem os meus tampouco os atingiam. Tive, neste momento, que reiniciar o jogo.

Chamar a atenção da polícia é sempre bem divertido, e o nível de alerta é medido em estrelas (até cinco): podemos fugir, despistando-os, ou podemos entrar em qualquer veículo “abandonado” longe das vistas de qualquer policial. É bem divertido.

Algumas variedades interessantes

A Inteligência Artificial de 171 está bem interessante. Se sacarmos nossa arma e apontarmos para algum cidadão dentro de seu carro parado na via, ele pode tanto sair em disparada, nos atropelando, quando pode nos entregar seu carro, amedrontado.

NPCs dirigindo também buzinam, caso paremos por muito tempo bem na frente de seus carros, em plena avenida ou rua, asfaltada ou não, e existem outros “manos” que podem começar a atirar contra nós, caso comecemos a atirar a esmo (ou contra outras pessoas). É, a “quebrada” não perdoa.

Quando roubamos um carro, através da tecla “F”, o protagonista pode até soltar um “– Ninguém tranca carro nessa cidade não?“. E se desejarmos, podemos até mesmo ouvir diversas rádios enquanto dirigimos, sendo que tais rádios vão do rock ao funk, passando também por música eletrônica (me parece que são todos artistas e bandas/grupos brasileiros).

Algo muito bacana que percebi, aliás, é o seguinte: se estivermos dentro de determinado carro e ligarmos o rádio, podemos sair e continuar a ouvir a música, porém em menor intensidade. O volume vai sendo reduzido aos poucos, e ficando mais abafado, conforme nos afastamos do veículo (e de forma similar ao que ocorre na vida real).

Game 171

O linguajar dos NPCs com os quais interagimos, aliás, é sempre bastante peculiar. Por exemplo, ao adentrarmos a oficina, o mecânico solta um “– E aí mano, quê quê cê manda?“. E assim por diante.

O jogo roda na Unreal Engine, e embora não tenhamos, digamos, gráficos super ultra hiper realistas, posso dizer que gostei bastante do que vi, apesar de um ou outro problema pontual (texturas que demoram algum tempo para serem carregadas, texturas meio borradas, etc).

Danos em veículos

Os veículos e os atropelamentos (sim, sou obrigado a falar disto) são um “show à parte”: atropele alguém e você poderá ver o capô de seu carro manchado de sangue.

Os carros sofrem danos conforme batem, seja contra outros veículos, seja contra paredes ou postes. Nestes casos, a lataria, frontal, lateral e traseira, vai ficando amassada pouco a pouco, e ao longo do tempo, conforme viramos nas curvas, as portas podem até se abrirem sozinhas, denotando sérios danos.

Game 171

Pilotando o “Rondas Táticas”

Carros em 171 também sofrem danos conforme neles atiramos, conforme já dito acima, seja na lataria, seja nos vidros, etc, até o ponto de explodirem, de verdade, sendo que os efeitos de explosão estão muito bacanas.

Algumas considerações finais

171 já se mostra um projeto interessante e no qual vale a pena ficar de olho. Existem problemas, obviamente, pois o jogo nem chegou sequer à sua fase alfa (lembre-se, estamos falando de uma versão pré-alfa).

O protagonista supostamente possui um telefone, o qual toca de vez em quando e não podemos atender, pois não existe nenhuma tecla/comando à disposição para tanto.

Além disso, alguns NPCs agem de modo estranho: por exemplo, em espaços apertados, com o protagonista “fechando” o caminho, eles permanecem tentando avançar, parados no mesmo lugar, ao invés de darem a volta.

Game 171

Falta um pouco de polimento, também, nas expressões faciais dos NPCs e também nos modelos. Também faltam opções para melhor nos localizarmos no mapa do jogo (não é possível marcarmos objetivos, por exemplo).

A polícia também está agindo de maneira agressiva demais: permanecer parado em frente a uma viatura por algum tempo, por exemplo, sem nada fazer, já é motivo para que sirenes sejam ligadas e policiais venham em nosso encalço.

De qualquer forma, 171 como jogo já se mostra bastante promissor. Este “GTA brasileiro” já possui sua identidade própria, ambientado em nossa terra e desenvolvido por brasileiros.

E você? Que tal adicioná-lo à sua wishlist no Steam?

Enquanto isso, fique com um trailer de 171:

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