Recebi acesso a uma build de um jogo de terror chamado Silver Chains (página no Steam). Na verdade, trata-se de uma demo com cerca de 30 minutos de duração: mas através dela já deu para perceber que o que vem vindo por aí é bastante promissor.

Silver Chains encontra-se em desenvolvimento pelo pequeno estúdio siberiano Cracked Heads Games (em parceria com a publisher alemã Headup, a qual nos cedeu gentilmente a demonstração utilizada neste preview), e será lançado para PC no segundo trimestre de 2019 e para consoles (PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One) no terceiro trimestre.

Silver Chains

Trata-se de um jogo de horror muito interessante. Aliás, vale aqui mencionar que adoro a ideia de jogos de horror ambientados em velhas casas. A hipótese sempre presente de que algo soturno surja em algum canto escuro, a possibilidade de abrir uma porta e me deparar com algo horrendo, as luzes bruxuleantes de velhas velas iluminando velhos aposentos: tudo isto me empolga bastante.

Silver Chains

E Silver Chains é mais ou menos assim. A história se passa na Inglaterra, no início do século XX. O protagonista, Peter, sofreu um acidente de carro e tem à sua frente, após acordar de um desmaio, uma misteriosa e enorme mansão com arquitetura vitoriana, a qual contribui bastante para o clima de mistério (quase sempre terror). Ele consegue nela entrar, procurando por ajuda, mas não mais consegue sair.

Silver Chains

É tarefa, então, do jogador, buscar por pistas, por saídas, pela resolução de puzzles e também por caminhos que o façam progredir. É interessante ressaltar que existem indícios, na enorme casa, de que Peter já esteve ali. Ele viveu ali, ou passou por ali, de alguma forma, e o jogo, pelo menos na pequena demo que joguei, não deixa bem claro se foi na atual ou em uma vida passada.

Existem fantasmas e criaturas horrendas, na casa, e um deles é mortal, quando aparece. Nossa única opção, nestes momentos, é fugir, correr, buscar abrigo em algum armário, e isto nos remete a sucessos como Amnesia: The Dark Descent e Amnesia: A Machine for Pigs.

Não há escolha: quando a mulher assustadora aparece, só há uma saída: correr e se esconder. Aliás, em momentos de terror, de perseguição, de medo, podemos ouvir a respiração ofegante de Peter e também seu coração aceleradíssimo. É verdadeiramente desesperador. E isso é muito bom! Significa que o título está cumprindo muito bem com o seu papel.

Silver Chains

Silver Chains brinca bastante com a ideia do sobrenatural, e insere o jogador no meio de uma história fantástica e perturbadora. Existem diversos bilhetes e anotações espalhados pela casa, os quais vamos coletando (exploração é muito importante neste jogo).

Tais bilhetes fazem referência a uma família que viveu ali, outrora feliz, e de uma mãe que se importava bastante com seus filhos. Talvez seja esta mãe o fantasma inimigo, não sabemos ainda, mas uma coisa é certa: o sobrenatural está ali, presente, à espreita, nos seguindo, sussurrando, e nos ajudando, também.

Silver Chains

Acontece que na demo há também a presença de uma garotinha (um fantasma, também) que chega a nos ajudar, quando sua provável mãe aparece. Ela diz também que “a mamãe está brava”, isto poucos momentos antes de nossos nervos serem postos à prova com a horrenda aparição.

Silver Chains

Desenvolvido na Unreal Engine 4, Silver Chains conta com gráficos muito bonitos e detalhados, e a imponente mansão brilha em todo o seu esplendor quando ligamos uma velha lanterna e iluminamos corredores que parecem não ver vivalma há bastante tempo.

Gritos podem ser ouvidos, de vez em quando, e sons estranhos parecem percorrer as entranhas da casa conforme vamos nela adentrando, nos assustando, nos fazendo hesitar, tentando fazer com que fechemos o game, quem sabe.

Mas não: trata-se de um título muito interessante, pelo que pude perceber, apesar da curta duração da demo. Há bastante potencial aqui, e portas trancadas com cadeados cujas chaves certamente devem ser encontradas em algum lugar empoeirado certamente funcionam como fatores motivadores para que continuemos em nossa jornada. Em nossa busca por uma saída daquele local aterrador.

Silver Chains

A trilha sonora do jogo é bastante apropriada, e os efeitos sonoros são muitíssimo bem feitos. Há até um momento muito bacana, quando podemos interagir com um velho piano e tocar (o jogo toca por nós, é claro) o primeiro movimento da Sonata ao Luar, de Beethoven.

Toda a atmosfera de Silver Chains faz com que pensemos constantemente: o que aconteceu ali? O que houve com a mulher que parece ter meio que enlouquecido após a morte do marido (conforme um bilhete que encontramos)? O que houve com seus filhos? Seria tal mulher o fantasma horrendo que nos persegue vez ou outra? Qual é o nosso papel em tudo aquilo, como fomos parar ali, e, mais importante: por que tudo indica que já estivemos naquela velha mansão?

Silver Chains

Em meio à todos os horrores que presenciamos enquanto dentro da velha casa, podemos ouvir o vento sibilando lá fora, ou então trovões e relâmpagos que parecem anunciar a chegada de algo mau que nos receberá a contragosto.

E ao final da curta experiência (lembre-se, eu joguei uma demo), fiquei pensando na frase que o fantasma da garotinha disse em determinado momento: “- Peter, por que você voltou?”. Eis aqui um jogo bastante promissor, certamente mais um que fará com que muitos jogadores usem fraldas enquanto jogam.

Aliás, para uma melhor experiência, é melhor jogar Silver Chains à noite e com o uso de um headset. Da mesma forma que Layers of Fear. E enquanto aguardamos pelo lançamento oficial do game, dê uma olhada em seu trailer de anúncio:

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